Wilza Carla – Da explosão da vedete ao completo esquecimento

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Foto Ricardo Siqueira (Veja)

Wilza Carla Rossi di Brandizzi Cylibelli Soares Marques Pereira da Silva, este foi o nome que a inesquecível Wilza Carla divulgou, em entrevista ao Globo em 13 de Setembro de 1987, como o sendo o seu verdadeiro. A alcunha de peso e tamanho, reflete, de forma literal e artística, toda a grandeza deste personagem nos palcos, TV e passarelas dos concursos de fantasias.

Capa da Revista do Radio de 1965

Nascida em Niterói em 1935, Wilza Carla estreou como atriz em 1955 no filme “Chico Viola não Morreu” (sobre a vida de Francisco Alves), escondida da família. Daí foi um pulo para acompanhar Carlos Machado nos Teatros de Revista. Onde se tornou uma das vedetes mais comentadas do País. Com o sucesso foi eleita Rainha do Carnaval carioca no triênio 1957-1959.

Rainha do Carnaval em 1959 – Capa da Revista Manchete Edição 356

Em 1967, Wilza Carla foi premiada no Festival de Palermo com o filme, “Palmeiras Negras” (Svarta palmkronor). Na película sueca, que conta a história de um marinheiro sueco que vive no Brasil e luta contra o alcoolismo, Wilza aparece em cenas totalmente nua, o suficiente para o filme ser censurado no Brasil mergulhado na Ditadura.

Wilza Carla fez parte do time que trabalhou nos primeiros anos da televisão no Brasil. Interpretou a filha levada do casal de protagonistas no seriado “Família Boaventura” na TV Rio e foi uma bandida juvenil em “Falcão Negro“, na extinta Tupi. Anos depois, com mais de 100 kg, além de brilhar em diversas Pornochanchadas interpretou a inesquecível e explosiva Dona Redonda na primeira versão da novela “Saramandaia” em 1976.

O ápice da ousadia é retratado no documentário São Paulo HI FI (2013). O filme conta histórias das noites em São Paulo nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Entre elas, o filme lembra da chegada de Wilza Carla na Boate Medieval, em 1976, montando um elefante em plena Rua Augusta lotada. Em 1977 desfilou como “Moça Branca“, uma referencia a cachaça, no Acadêmicos do Salgueiro – Enredo “Do Cauim Ao Efó, Com Moça Branca, Branquinha“, de Fernando Pamplona.

Wilza Carla foi participante marcante dos Concursos de Fantasias, onde se destacava nas categorias luxo e originalidade, em disputas nos concursos do Hotel Glória, Clube Sírio Libanês, Clube Monte Líbano, entre outros. Inúmeras vitórias fizeram os organizadores darem a ela o titulo de hors concours. Além de participar, Wilza Carla também confeccionava Fantasias de Carnaval para amigos e também para a única filha, Paola Faenza.

Glamour à parte, segundo livro de Haroldo Costa (COSTA, Haroldo (1984). Academia do Samba. Rio de Janeiro: Record), em 1964, Wilza Carla protagonizou uma cena de racismo explícito quando Isabel Valença fez história ao ser primeira negra a vencer o concurso de fantasias do concurso no Municipal do Rio, com a fantasia Rainha Rita, usada para o desfile do Salgueiro no enredo de Arlindo Rodrigues sobre Chico Rei. Wilza teria dito que “Negro de escola de samba não pode ganhar no Municipal!“. Isabel respondeu dedicando o titulo aos negros das agremiações.

Wilza tinha a personalidade forte, e se tratando dos concursos de fantasias de outrora, a coisa esquentava. Constantemente estava envolvida em disputas polemicas, as vezes em defesa de amigos. Como o fato ocorrido em 1985 no 9° Concurso de Fantasias Inéditas do Baile Oficial da Cidade, no Hotel Glória. Neste concurso, seguranças tiveram se separar uma briga entre Wilza Carla e um grupo de pessoas. A Vedete acusava o concorrente Wagner Santos de ter roubado a ideia da fantasia original “Gremilins” do seu amigo e também concorrente, Jô Franco. A acusação fez com que o júri classificasse Wagner em quarto lugar, dando o titulo para o amigo de Wilza, Jô Franco.

Anos antes também recebeu um processo por outra confusão em concursos. Em 1968 Wilza foi acusada de ameaçar a concorrente Darla de Abreu, vencedora de originalidade nos bailes do Municipal do Rio e São Paulo. Wilza estava espalhando que Darla havia roubado o figurino de um amigo e que ia dar uma surra na concorrente.

Após ser Jurada de Calouros, participar de inúmeros Programas humorísticos, fazer 119 filmes, um numero incontestável de shows, no final dos anos 80, Wilza Carla se via esquecida. Obesa, chegou a pesar 130 quilos, os problemas de saúde começaram a aparecer e os financeiros, idem. Outros artistas e amigos passaram a pagar as contas da estrela.

Em seus últimos anos, presa a uma cama e em cadeira de rodas, sobrevivia da aposentadoria de um salário mínimo e do aluguel de uma casa no Rio de Janeiro, presente do ex-presidente Juscelino.

Morreu em 18 de junho de 2011, aos 75 anos, por consequências da diabetes e magoada por não ter conseguido apoio para voltar a trabalhar. O corpo da estrela foi sepultado no cemitério São Francisco Xavier, no Rio.

Foto Reprodução

Wilza Carla, foi literalmente uma “artista de peso”. Brilhou em todos os tipos de palcos onde pode pode pisar. Foi de vanguarda, foi polemica, foi guerreia, foi odiada, foi amada e foi estrela. Infelizmente morreu sem dinheiro, sem fama e esquecida pelos amigos e pelo grande publico.

 

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