VILMA NASCIMENTO

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“A dança do Mestre Sala e da Porta Bandeira

é como o voleio do beija-flor em torno da flor.

Ele se aproxima, toca e sai.

Volta a se aproximar, beija e sai.

Nunca as ações são idênticas. 

E a rosa, ao contrário do que se pensa,

ao sabor do vento das asas do pássaro,

Não permanece passiva, ela dança.” 

(Vilma Nascimento)

 

O julgamento do quesito mestre-sala e porta-bandeira somente iniciou a fazer parte do regulamento do carnaval carioca no ano de 1938, mas naquela época somente era avaliada a fantasia do casal, já que a dança desenvolvida pelo par somente passou a ser avaliada no carnaval de 1958, sendo atualmente um dos quesitos de destaque, para uma agremiação conquistar o tão cobiçado título.

Vilma Nascimento notabilizou-se na história do carnaval brasileiro como uma grande porta-bandeira do carnaval carioca, tendo nascido no Rio de Janeiro no ano de 1938, no bairro de Madureira.

Vilma estreou na função de porta-bandeira defendendo a União de Vaz Lobo, na época com apenas 13 anos de idade, escola onde sua mãe Marta participava como baiana.

Foi ao lado de seu primo-irmão Benicio que Vilma passou a fazer parte do elenco fixo do show da boate Night And Day, na época chefiada pelo empresário Carlos Machado. No espetáculo em cartaz,Vilma rodava com a bandeira da Portela, mesmo sem desfilar pela escola sendo Benício, na época, mestre-sala do Império Serrano.

Convidada por Natal para defender as cores da Portela, na época Vilma recusou os primeiros convites, mas pouco antes de casar-se com Mazinho, filho de Natal, acabou aceitando o convite para defender a azul e branco de Madureira. Assim, no ano de 1957 substituiu Dodô no cargo e Dodô passou a ser a segunda porta-bandeira da agremiação.

Tendo Vilma como porta-bandeira a Portela obteve quatro vitórias seguidas, de 1957 a 1960, conquistando ainda os títulos de 1962, 1964 e 1966.

 

“Antes de mim, ninguém dava muita bola para as porta-bandeiras. Com o sucesso que fiz, as coisas mudaram”

(Vilma Nascimento)

 

Foi do jornalista Valdinar Ranulfo, que Vilma recebeu a denominação de Cisne da Passarela em função da elegância com que mudou o estilo de dança das porta-bandeiras daquele tempo já que passou a ser quesito avaliado durante o desfile das escolas de samba.

O ano de 1969 marcou a passagem do posto de primeira porta bandeira da Portela de Vilma para Irene e a partir daí Vilma passou a desfilar como destaque da agremiação de Madureira.

Vila ainda retornou ao posto de porta-bandeira no período de 1977 a 1979.

Nos anos 80, juntamente com outras pessoas, afastou-se da Portela e participou da fundação da Tradição em 1984, tendo retornado a Portela somente em 2007.

 

“A Portela é a minha casa. É a escola a que devo tudo em minha vida e onde vivi momentos inesquecíveis”

(Vilma Nascimento)

 

Com relação à premiação do Estandarte de Ouro, Vilma foi campeã nos carnavais de 1977, 1978 e 1979 pela Portela e no ano de 1989 foi destacada como porta-bandeira da Tradição.

No carnaval de 1982 recebeu convite para desfilar com Benício pela União da Ilha do Governador, mesmo sem valer pontos.

 

“Foi o momento mais marcante da minha carreira. Eu fui para a avenida morrendo de medo de ser vaiada por estar desfilando em outra escola. Mas o povo das arquibancadas gritava o meu nome. Desfilei chorando. O povo da Portela fica meio chateado quando falo, mas a maior emoção da minha carreira eu vivi na União da Ilha”

(Vilma Nascimento)

 

No carnaval de 2014 Vilma foi homenageada pela Unidos do Porto da Pedra como uma das “Majestades do Samba”, tema do desfile da escola naquele carnaval, onde o enredo da escola dava destaque aos casais de porta-bandeira e mestre-sala, desfile da escola de São Gonçalo no grupo de acesso do carnaval carioca.

Na comemoração por seus oitenta anos de idade, Vilma foi homenageada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, em razão de sua grande importância no cenário cultural do estado do Rio, já que Vilma muito contribuiu para a história do samba.

 

“Antes, dançávamos a avenida toda e o estilo era bem mais livre. Hoje é tudo marcado, coreografado, com passos de balé e só se dança em frente aos jurados. Por outro lado, as meninas têm muito mais condições de preparação”.

(Vilma Nascimento)

 

No ano de 2017, foi homenageada através da exposição “Vilma Nascimento – o Mito”, concebida pelo Departamento Cultural da Portela em parceria com o coletivo Nobres Casais. A mostra ficou meses em cartaz na quadra da azul e branco de Madureira e, em seguida, foi montada no Madureira Shopping, tendo sido visitada por milhares de pessoas. Essa exposição contava relatos da vida de Vilma juntamente com acervo exclusivo da porta-bandeira, como trajes, fantasias, prêmios e fotos.

Benício, par de Vilma por muitos carnavais desde o ano de 1962 morreu aos 84 anos, em dezembro de 2017.

 

Foi um excelente mestre-sala, meu grande parceiro. Cortejava a porta-bandeira com muita classe e elegância. A gente se conhecia pelo olhar. E o melhor: Era da minha altura. Foi o único que arrumei que tinha mais ou menos a minha altura. Todo mundo na Portela gostava dele. Era uma pessoa brincalhona e muito divertida. Além de ser meu primo, foi criado comigo. Depois, foi muito amigo do meu marido (Mazinho, filho de Natal). É uma grande perda! Mas quero lembrar dele sempre com alegria

(Vilma Nascimento)

 

A filha Danielle e suas netas seguiram os passos de Vilma como porta-bandeira, tanto na Portela, como em outras agremiações do carnaval carioca.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

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