SP – Carnaval de 2005 – Num Mar de Rosas, a Roseira fez um desfile deslumbrante…

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“…Conta a lenda

Uma prova de amor, uma transformação

Afrodite chorou, derramou seu encanto

Uma rosa nasceu, o mar se perfumou

Um mundo pleno de vida, maravilhoso jardim

Sonho enfeitado, com flores e rubis…”

(Rosas de Ouro – SP – 2005)

 

Nos meses anteriores ao carnaval paulista de 2005, o assunto geral era a reclamação das dezesseis escolas de samba do grupo especial sobre o atraso na liberação da subvenção que viria da Prefeitura de São Paulo para os desfiles daquele ano.

Para a folia de 2005, a Liga das Escolas de Samba de São Paulo realizou alterações no regulamento dos desfiles, trazendo de volta a obrigatoriedade de três jurados por quesito, jurados estes que julgariam as duas noites de desfiles, sem que nenhuma nota fosse descartada ao final da apuração.

No carnaval de São Paulo do ano de 2005 a Sociedade Rosas de Ouro e a tradicional Vai-Vai foram os destaques da primeira noite de desfiles no Anhembi, sendo que a Rosas de Ouro tinha o samba que era considerado pela crítica especializada como um dos melhores daquele ano, quando a escola apresentou o tema de enredo “Mar de Rosas”, desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Borges.

Mas por aquelas coisas que só no carnaval acontecem e ninguém consegue uma explicação razoável, a campeã daquele carnaval foi a Império de Casa Verde, tendo ficado a Rosas de Ouro apenas com a sétima colocação.

Revendo as gravações daquele carnaval de 2005 no complexo do Anhembi, é de se destacar que os componentes da Rosas de Ouro e os narradores do desfile pela TV Globo atentaram para o fato de que quando a agremiação entrou na avenida, já por volta do amanhecer, o céu ganhou tons de azul e rosa misturados entre si, ganhando a seguir um tom dourado, cor secundária da agremiação comandada pela Presidente Angelina Basílio nos dias atuais.

Em resumo o enredo “Mar de Rosas”, contava a história das rosas, desde sua criação mitológica até o seu retorno às águas do mar em oferendas para Iemanjá.

Os compositores do samba da escola para este carnaval, Osmar Costa, Dema de Deus e Emerson de Paula compuseram um samba que até hoje ecoa e não é esquecido pelos amantes do carnaval, especialmente o torcedor da Rosas de Ouro e o apreciador do carnaval de São Paulo. Esse samba foi cantado por toda a plateia presente no Anhembi, algo visto poucas vezes na história do carnaval paulista.

 

“…Pro rei se deslumbrar, do reino de sabá

A rainha mandou levar

Gente jovem pra agradar

Mil belezas de encantar

Cidade eterna ….ôôô

Ornada com rosas

Festas e banquetes

Loucuras no ar…”

(Rosas de Ouro – SP – 2005)

 

A expectativa para 2005 era por um grande desfile da Mocidade Alegre, campeã no ano anterior, que tentava seu bicampeonato cantando a vida e obra da cantora Clara Nunes

Entrando na pista do Anhembi já no raiar do dia, sendo a penúltima escola daquele dia, a Rosas de Ouro tinha o objetivo de homenagear a flor que dá nome à escola. Surpreendeu já no carro de abre-alas, com um sistema que jogava pétalas de rosas vermelhas no chão, formando um mar de rosas, nome do samba-enredo, enquanto os destaques atiravam flores em direção às arquibancadas, cheias até aquele horário.

A agremiação sediada no bairro da Brasilândia, emocionou com seu desfile, sendo o enredo apresentado um sonho antigo acalentado pelo carnavalesco da agremiação, desenvolvido com extremo bom gosto e magníficas alegorias.

A comissão de frente e o abre-alas tinham por objetivo representar a lenda do surgimento das rosas, já que segundo a mitologia a deusa Afrodite, ao chorar pela perda de um grande amor, derrubou rosas brancas.

As alas e demais componentes da Rosas de Ouro evoluíram com garra e força, cantando o samba à plenos pulmões, permitindo que o cortejo da escola evoluísse de forma correta e muito positiva.

Na gravação do CD com o samba da Rosas de Ouro para esse carnaval, a voz principal foi a de Darlan Alves, com participação da cantora Alcione, mas no desfile oficial ele não pôde cantar na avenida, restando à Polenghe comandar o carro de som da Roseira.

Nesse desfile da Roseira, é preciso se destacar a quarta alegoria que trazia, no linguajar carnavalesco, as tragédias que carregaram o nome da flor, como a “Guerra das Rosas” e a “Rosa de Hiroshima”, com descendentes de japoneses distribuindo rosas ao público presente.

 

“…Na “guerra das rosas” muito sangue derramou

A ordem criada por dom pedro imperador

A “rosa de hiroshima”, poetinha criador

A musa de caymmi, que cartola eternizou

Linda mulher, a mais perfeita flôr…”

(Rosas de Ouro – SP – 2005)

 

O encerramento do desfile também foi marcante, especialmente na apresentação da ala que vinha atrás do último carro, onde havia um grande lençol cobrindo todos os desfilantes sob uma enorme escultura de Iemanjá, representante as águas do mar e as inconfundíveis rosas brancas oferecidas à orixá.

 

“…Um mar de rosas

De ouro pra entregar

Iemanjá …

Abra os caminhos,

Minha escola vai passar…”

(Rosas de Ouro – SP – 2005)

 

Durante seu desfile a Rosas de Ouro distribuiu mais de oito mil rosas pelo Anhembi, segundo relato da imprensa da época.

Até o desfile da Rosas de Ouro, nenhuma outra agremiação havia feito frente ou ameaçado o bicampeonato desejado pela Mocidade Alegre.

Iniciada a apuração daquele carnaval, como havia estourado o tempo de desfile, a Mancha Verde perdeu quatro pontos e a Imperador do Ipiranga por desfilar com menos uma alegoria do que o mínimo exigido pelo regulamento, já largou com dois pontos a menos.

Finalizada a apuração a Império de Casa Verde conquistou seu primeiro campeonato no grupo especial das escolas de samba paulistas, seguida pela X-9 Paulistana e Mocidade Alegre, terceira colocada.

A Rosas de Ouro terminou aquele carnaval num inconcebível sétimo lugar.

Terminada a apuração do Grupo de Acesso naquele ano, a Gaviões da Fiel conquistou o primeiro lugar, tendo como vice-campeã a Unidos do Peruche, tendo ambas, no carnaval de 2006, desfilado no grupo especial do carnaval paulista.

Finalizado o carnaval paulista de 2005, em função das colocações alcançadas pelas agremiações, no carnaval seguinte, pela primeira vez na história, duas escolas de samba ligadas a torcidas organizadas desfilaram no grupo especial paulista.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

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