SELMINHA SORRISO

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“Maravilhosa e soberana, enamorada deste meu país”

Selma de Mattos Rocha, nossa Selminha sorriso, tem 46 anos e dentro do atual cenário nos desfiles de Escolas de Samba ela é referência no quesito Porta Bandeira.

Seu sonho de exercer a função de Porta Bandeira já se iniciava ao assistir o bailado de uma Porta Bandeira que se chamava “Boneca”, na quadra da Unidos de Lucas.

Filha de uma passista da mesma escola de Lucas, Jacira de Matos, seguiu seus passos para estrear na avenida também como passista. Após meses se apresentando em casas de show no Japão, em 1986 se transferiu para o Império Serrano.

Mas a carreira como passista foi curta. A oportunidade de realizar seu sonho surgiu após passar por um concurso no Império Serrano para ser a segunda Porta Bandeira em 1990.

Em 1991, ela virou a primeira porta-bandeira da escola. No polemico desfile sobre os caminhoneiros, a estreia, foi a pior possível. A fantasia confeccionada com adereços inusitados (placas de caminhões, buzinas, tapetes de carro e volante), comprometeu a dança. Selma recebeu as notas mais baixas da história do carnaval. O quesito junto a outros problemas, contribuíram para o rebaixamento da escola.

No ano seguinte após pensar em desistir. O mestre sala Claudio Souza (Claudinho) estava sem porta bandeira para o desfile da Estácio de Sá.
Selminha recebeu convite para fazer o teste e passou. Indo diretamente assumir o primeiro pavilhão da vermelha e branca do Estácio.

Pé quente, a dupla ajudou a escola a conquistar seu histórico primeiro e único título, com o incrível desfile Paulicéia Desvairada – 70 anos de Modernismo. Neste carnaval ganhou o Estandarte de Ouro com apenas dois anos como primeira no quesito. Ficou na Estácio nos carnavais de 93, 94 e 95.

Neste ano de 1992, Selma viajava pela Suécia a trabalho com um grupo de sambistas, quando o ônibus em que estava capotou. O resgate só pôde ser feito por uma porta de emergência localizada no teto do ônibus e Selma lembra que se emocionou ao ver um bombeiro descendo e caminhando em sua direção: “Ele tinha um olhar doce de quem estava compreendendo meu desespero e amava o que fazia”. O sonho de se tornar bombeiro começou ali.

Contagiada por essa experiência, decidiu que também iria salvar vidas ao voltar ao País. Durante 10 anos, ela esperou que a corporação carioca abrisse concurso para mulheres, o que aconteceu apenas em 2002 e ela foi aprovada, tornando-se recruta da corporação.

Após a promissora passagem pelo Velho Estácio, Selminha e Claudinho migraram para Beija-Flor, onde acumulam notas 10 e mais nove títulos e 6 vice-campeonatos.

A sintonia entre o casal, elogiada pela crítica especializada, vai além da avenida, onde protagonizaram momentos históricos, como em 2007, quando se ajoelharam em plena Sapucaí, no enredo Áfricas: do Berço Real à Corte Brasiliana.

Eles se chamam de “irmão” e “irmã”, e ela foi madrinha no casamento do amigo, em 2015. Os dois também passaram pelo Corpo de Bombeiros do Rio – Selminha ainda está na corporação, enquanto Claudinho, que começou no samba ainda criança pela São Carlos, saiu há alguns anos.

O carnaval de 2001, quando a Beija-Flor foi vice-campeã com a “A saga de Agotime, Maria mineira Naê foi o último carnaval em que a Selminha e o Claudinho desfilaram na frente da bateria. No ano seguinte o casal foi pioneiro em estar posicionado logo atrás da Comissão de Frente.

A porta-bandeira, atuou no filme Trinta, sobre a vida de Joãosinho Trinta e bailou com a bandeira do Salgueiro no longa-metragem.

Também é formada em direito e coordena os projetos sociais da Beija-Flor, onde também cuidou da escolinha de futuras Porta-Bandeiras e Mestres-Salas.

O sorriso marcante, sua marca registrada, já a levou a fazer comerciais e participações na TV.

Todo ano recebe convites para junto de seu inseparável parceiro estarem em desfiles no carnaval pelo Brasil e Mundo a fora.

Hoje com 30 anos de carreira e dona de 6 estandartes de ouro, Selminha ainda encanta cabines de jurados através do seu talento. E pelo seu sorriso e carisma coloca a avenida inteira aos seus pés.

O Carnaval agradece a Deusa da Passarela.

Por Waldir Tavares
Fotos Wigder Frota

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