RJ – Salgueiro – 67 Anos de Glórias no Carnaval

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Das mais tradicionais agremiações carnavalescas da cidade do Rio de janeiro, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, foi fundada na data de 05 de março de 1953, tendo suas origens no Morro do Salgueiro.

O Salgueiro originou-se da fusão de duas outras agremiações, a “Depois eu digo” e a “Azul e Branco”.

A Estação Primeira de Mangueira é a madrinha do Acadêmicos do Salgueiro e por ele foi homenageada em seu enredo de 1972, com o título de “Nossa madrinha, Mangueira querida”, do carnaval de 1972, uma inovação para a época.

Atualmente a sede da Academia do Samba localiza-se na Rua Silva Teles, n.º 104, no bairro do Andaraí, Rio de Janeiro.

O Salgueiro foi campeão do carnaval carioca pela última vez no ano de 2009, tendo um total de nove títulos conquistados até hoje, sendo atualmente a quarta maior vencedora do carnaval carioca.

O nome da agremiação foi escolhido numa reunião acontecida na data de 27/02/1953.

O primeiro desfile do Acadêmicos do Salgueiro aconteceu no carnaval de 1954, ocasião em que conquistou a terceira colocação, inclusive à frente da multicampeã Portela, um feito notável para a época.

Foi o Salgueiro a entidade carnavalesca que revolucionou a estética do carnaval carioca, trazendo para trabalhar na preparação dos desfiles da escola profissionais com formação acadêmica no ramo das artes visuais, como Dirceu e Marie Louise Nery, Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues, Joãosinho Trinta, Maria Augusta Rodrigues, Rosa Magalhães, Lícia Lacerda, Max Lopes, Renato Lage dentre outros.

Com Fernando Pamplona, no carnaval de 1960 o Salgueiro conquistou seu primeiro campeonato com “Quilombo dos Palmares”.

Difícil foi encontrar alas que aceitassem figurinos de indumentárias
africanas: “Pô, cara, este risco é muito feio. Meu Carnaval não é só
desfile. Com chapéu de arminho, capa, espada, vestido de nobre,
bacana, o pessoal me respeita, aí chego na Saens Peña e todo mundo
diz: Puxa crioulo, tu tá bacana paca! Segunda e terça, quando o risco é
bacana mesmo, vou pra Madureira pra sacanear aqueles suburbanos
metidos à besta.”

Expliquei a importância da luta dos quilombos pela liberdade ainda
não definitivamente conquistada, o quanto a luta social no Brasil devia
aos negros, que a roupa negra era linda e não havia sido usada por
nenhuma escola, que as fotos iriam sair em todos os jornais e revistas,
o que definitivamente aconteceu, e muito mais blá-blá-blá… Como
último apelo, reuni as alas e pedi voluntariado. O Marrom, chefe da
ala dos “Importantes”, que disputava com a ala dos “Lordes” a
condição de ala mais rica do Salgueiro, topou a parada. Atrás dele, ou
por causa dele, outras alas também importantes se apresentaram.
Estava salvo o enredo.

(Fernando Pamplona)

Foi também inovação da escola homenagear em seus enredos personalidades brasileiras pouco conhecidas como Zumbi dos Palmares, Chica da Silva, Dona Beija e Chico Rei.

Para o carnaval de 1957, o Salgueiro trouxe a figura do negro como protagonista, ao apresentar o tema de enredo “Navio Negreiro”, criando forte identificação da agremiação com a temática negra.

No carnaval de 1963 o enredo da escola foi centrado na figura feminina de Chica da Silva, algo inédito até então através do trabalho do carnavalesco Arlindo Rodrigues, desfile este que trouxe a segunda estrela para o pavilhão da escola. Nesse carnaval outra grande inovação foi uma ala de passo marcado que foi coreografada por Mercedes Baptista, a primeira negra que alcançou a posição de bailarina no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Seu terceiro campeonato veio no carnaval de 1965 cantando a história do carnaval carioca. Nesse ano, a escola de novo inovou ao tirar da comissão de frente seus baluartes e membros da velha guarda.

Voltou ao topo do pódio da folia momesca carioca no carnaval de 1969 homenageando a Bahia, quando também passou a optar por sambas curtos, com letra fácil e refrão forte, e em 1971 com “Festa para um rei Negro”.

 

No carnaval de 1973, o carnavalesco Joãosinho Trinta, pela primeira vez, colocou uma pessoa em cima de um carro alegórico.

Os carnavais de 1974 e 1975 trouxeram novos títulos para a escola, desta vez sob a batuta do gênio Joãosinho Trinta, com enredos onde eram misturadas realidade e fantasia, “O Rei da França na ilha da assombração” e “As Minas do Rei Salomão”.

Pioneirismo do Salgueiro a ser a primeira agremiação carnavalesca a concretizar a junção de dois sambas de enredo concorrentes, no distante ano de 1975.

“Peguei um Ita no Norte” foi uma explosão em plena Marquês de Sapucaí, no carnaval de 1993, conquistando mais um título com o carnavalesco Mário Borrielo. E por fim em 2009 o Salgueiro conquistou seu último campeonato com “Tambor” do carnavalesco Renato Lage.

O lema da escola “Nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente” é muito conhecido no meio carnavalesco, sendo uma frase utilizada pelo carnavalesco Fernando Pamplona.

O Acadêmicos do Salgueiro nunca foi rebaixado do Grupo Especial das escolas de samba do Rio de Janeiro, tendo no carnaval de 2006 alcançado sua pior colocação, um 11.º lugar.

Em 2018 Djalma Sabiá, o único fundador da agremiação vivo, recebeu o título de Presidente de Honra do Acadêmicos do Salgueiro.

Só como melhor escola o Salgueiro foi premiado com oito Estandartes de Ouro, tendo ainda nove Estandartes como melhor enredo e melhor bateria.

No ano de 1989 foi fundada a Escola de Samba Mirim Aprendizes do Salgueiro, a qual participa dos desfiles da categoria desde sua primeira edição.

Neste último carnaval de 2020 o Acadêmicos do Salgueiro terminou na quinta colocação, com enredo alusivo ao primeiro palhaço negro do Brasil, Benjamim de Oliveira, sob o trabalho do carnavalesco Alex de Souza.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

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