RJ – Retrospectiva dos desfiles nos dez primeiros anos do sambódromo carioca – União da Ilha do Governador

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Nos dez primeiros anos da Marquês de Sapucaí, de 1984 a 1993, a União da Ilha do Governador sempre desfilou no grupo principal das escolas de samba do Rio de Janeiro, tendo obtido nesse período de dez anos, como melhor classificação uma terceira colocação no carnaval carioca de 1989, quando apresentou o enredo “Festa profana”, enredo este desenvolvido pelo carnavalesco Ney Ayan, quando os versos do samba enredo da escola “Eu vou tomar um porre de felicidade/Vou sacudir, eu vou zoar toda cidade” imortalizaram-se na memória de todos os amantes do carnaval brasileiro.

Até nossos dias a União da Ilha do Governador nunca venceu um carnaval no grupo principal das escolas de samba do Rio, tendo apenas dois campeonatos no grupo de acesso, segunda divisão do carnaval carioca.

União da Ilha do Governador – Desfile de 1989

A agremiação insulana chegou a nova passarela da Marquês de Sapucaí vinda de uma sétima colocação no carnaval de 1983, quando o carnavalesco Wany Araújo desenvolveu para a escola o enredo “Toma lá dá cá”.

Para estrear na nova passarela do carnaval carioca, a União da Ilha para 1984 anunciou o enredo “Quem pode pode, quem não pode…”, planejado sob a responsabilidade do carnavalesco Geraldo Cavalcanti, naquele ano estreando na escola carioca. A abordagem desse enredo era baseada nos ditados populares e os provérbios que usualmente utilizamos no nosso dia a dia.

A bateria nesse carnaval fez um excelente serviço, impulsionando o samba enredo da escola, que não era destaque desde a fase do pré-carnaval.

A escola insulana fez um desfile bem colorido em termos gerais, com destaque para os figurinos da escola de autoria de Viriato Ferreira, figurinista que teve como preocupação de que a escola apresentasse figurinos leves, que facilitassem a evolução dos desfilantes da agremiação.

Na disputa entre as escolas que desfilaram no domingo de carnaval daquele ano, a União da Ilha alcançou apenas a quinta colocação, o que a deixou fora da disputa pelo supercampeonato, que ao final foi conquistado pela Estação Primeira de Mangueira.

Para o carnaval carioca de 1985 a escola anunciou a troca de carnavalesco, contratando Luís Orlando para o cargo com a incumbência de desenvolver o enredo “Um herói, um enredo, uma canção”.

“…Lá na minha aldeia
Já não canta a chibata
Sangrando a Guanabara um dia
Um novo Dragão Verdes Mares
Bailando nos mares e lares
Um lenço era o seu espadim
Unindo a negrura
Sacrifício e destemor…”

(Trecho do samba enredo da União da Ilha do Governador – Carnaval de 1985 – autoria de Didi, Aurinho da Ilha e Aritana)

Para esse desfile a novidade foi a presença da cantora Elza Soares no carro de som da escola na companhia do intérprete Quinho.

Mas a realidade é que a agremiação não impressionou com este desfile e acabou apenas com a décima segunda colocação, deixando para trás apenas a Unidos do Cabuçu, Acadêmicos de Santa Cruz, São Clemente e Em Cima da hora, essas três últimas que acabaram sendo rebaixadas para o grupo de acesso no carnaval seguinte.

Como forma de reação, para 1986 a União da Ilha contratou o consagrado carnavalesco Arlindo Rodrigues, que trouxe para a Sapucaí o enredo “Assombrações”.

Coube a escola desfilar depois da Beija Flor de Nilópolis naquele carnaval, desfile no qual a escola nilopolitana desfilou debaixo de um tremendo temporal, falando sobre a história do futebol, o que importa dizer que a União da Ilha pegou toda aquela chuva na área de concentração da Sapucaí.

Com esse enredo o objetivo de Arlindo Rodrigues era narrar os medos dos nossos indígenas quando avistaram as caravelas portuguesas na sua chegada ao nosso país, tratando ainda como assombrações o FMI e o Imposto de Renda, que insistem em assombrar a vida de todo o brasileiro, fazendo referência ainda à carruagem de Nhá Jança, crença esta vinda desde o Maranhão.

Terminada a apuração das notas atribuídas pelo corpo de julgadores daquele carnaval, coube a União da Ilha a quinta colocação, num  carnaval vencido pela Estação Primeira de Mangueira, tendo a Beija Flor de Nilópolis como vice campeã.

Para seu desfile de 1987 de novo a escola trocou de carnavalesco, desta vez tendo contratado para o posto Alexandre Louzada, que desenvolveu o enredo “Extra, extra”, com o objetivo de mostrar a história da imprensa na Sapucaí, tendo o carnavalesco dividido o enredo nas partes de um jornal, como os classificados, o caderno de esportes, e até as páginas policiais e as de previsões do zodíaco.

Com um conjunto de fantasias irregular para  esse desfile, destaque da escola foi o figurino de seu primeiro casal de mestre sala e porta bandeira, Bagdá e Juju Maravilha, com predominância das cores cinza e prata.

Nesse desfile a evolução da escola foi muito lenta, fazendo com que fosse necessário correr ao final para não estourar o tempo máximo de desfile. Essa irregularidade na apresentação da escola a deixou apenas com a nona colocação no cômputo geral.

Max Lopes assumiu o comando da escola como carnavalesco para 1988, quando a escola apresentou o enredo “Aquarilha do Brasil”, querendo com este enredo homenagear o compositor Ary Barroso.

Para a preparação deste desfile a escola insulana sofreu problemas durante a fase de confecção do carnaval da agremiação, tendo até mesmo sofrido com um incêndio que destruiu cerca de 30% das fantasias e adereços de mão da escola que já estavam prontos, além de outros problemas.

O desfile da escola foi sob chuva, tendo neste ano Quinho ocupado o posto de Aroldo Melodia no carro de som da agremiação tricolor.

O refrão do samba enredo, de autoria dos compositores Robertinho Devagar e Márcio André, “A gaitinha tocando … é gol!/A galera vibrando… Mengo!” fez a plateia incendiar durante a passagem da escola na Sapucaí.

Por fim a escola ficou com a sexta colocação naquele carnaval de 1988, ano em que coube a Unidos de Vila Isabel, com sua Kizomba, alcançar o topo mais alto do pódio do carnaval carioca.

De novo houve troca de carnavalesco pela escola para o carnaval de 1989 e desta vez quem assumiu a agremiação foi Ney Ayan que ainda permaneceu na escola para o carnaval de 1990.

Para seu primeiro ano na escola insulana Ney desenvolveu o enredo “Festa profana”, desfile este que ganhou muito com o samba enredo de autoria dos compositores J. Brito e Bujão. A intenção do enredo era muito singela, falar sobre a história do carnaval.

“Eu vou tomar um porre de felicidade/Vou sacudir, eu vou zoar essa cidade” era o refrão do samba que até hoje incendeia o amante do carnaval quando é cantado.

União da Ilha do Governador – Desfile de 1989

Desfilando no domingo de carnaval, a escola fez o melhor desfile até o momento naquela noite.

A comissão de frente apresentada vinha representando o rei da folia. Em termos de alegorias destaque para o carro “Carruagens de Fogo” e a representação dos personagens do carnaval, com alas de pierrôs, arlequins e colombinas. Como se dava a folia no Egito, em Roma e em Veneza era representado através de belas alegorias também.

Enoli Lara – União da Ilha – Desfile de 1989

A polêmica do ano se deu na alegoria que representava a Grécia, quando a modelo Enoli Lara passou pela Sapucaí nua, representando a deusa Afrodite.

Nesse desfile o intérprete Quinho, pela terceira vez, ocupou o posto de intérprete da agremiação, tendo a escola deixado a Sapucaí com a certeza de que esse desfile lhe daria uma ótima classificação, tendo por fim ficado com a terceira colocação, tendo ficado atrás apenas da  Imperatriz Leopoldinense e da Beija Flor de Nilópolis.

Dando continuidade ao trabalho iniciado em 1989, Ney Ayan para 1990 desenvolveu um enredo em homenagem ao genial carnavalesco Joãosinho Trinta, enredo que recebeu o título de “Sonhar com rei dá João”, em cujo desfile o próprio homenageado passou pela Sapucaí no alto de uma alegoria da agremiação insulana.

União da Ilha do Governador – Desfile de 1990

A vida e obra daquele que muitos consideram como o maior carnavalesco de todos os tempos passou na passarela da Sapucaí, com destaque para suas passagens pelo Acadêmicos do Salgueiro, quando foi levado pelo mestre Fernando Pamplona, assim como seus enredos e campeonatos pela Beija Flor de Nilópolis, tendo ainda havido espaço nesse desfile para falar do Maranhão, sua terra natal.

O desfile foi rico, marca registrada do homenageado nos carnavais por ele desenvolvidos para as escolas de samba onde trabalhou.

Mas detalhes desse desfile deixaram a escola de fora do desfile das campeãs por pouco, já que alcançou apenas a sétima colocação nesse carnaval.

Outro grande samba enredo de autoria do compositor Franco embalou o desfile da união da ilha no carnaval de 1991, quando foi apresentado o enredo “De bar em bar, Didi, um poeta”  dos carnavalescos Rogério Figueiredo e Ely Peron, os quais sucederam Ney Ayan.

Para esse carnaval a União da Ilha não pode mais contar com o interprete Quinho ,que transferiu-se para o Salgueiro logo depois de encerrado o carnaval passado, para substituir Rico Medeiros na vermelho e branco da Tijuca. Aroldo Melodia depois de quatro anos ausente estava de volta ao carro de som da Ilha.

União da Ilha – Desfile de 1991

A Ilha foi a terceira escola a desfilar no domingo de carnaval e não decepcionou com um desfile alegre, aliás como era esperado com o samba que a escola tinha para esse desfile. Esse enredo apresentado havia sido sugerido por Fernando Pamplona, considerado como o pai de todos os carnavalescos, quando narrou o desfile da escola no carnaval anterior.

A comissão de frente era formada por homens de toga e cabelo branco, numa referência à advocacia, profissão de Didi, que, diga-se de passagem, escondia da família a incursão pelo mundo do samba e, claro, os “bares da ilusão”, como dizia o samba e as alegorias mostravam.

Muito elogiadas as exibições de Aroldo Melodia e de Mestre Odilon a frente da bateria insulana, acontece que a evolução lenta fez com que houvesse necessidade de uma “corridinha” no final do desfile. A escola ainda teve problemas com a quebra de uma alegoria.

Por fim a agremiação alcançou apenas a nona colocação, num carnaval vitorioso para a Mocidade Independente de Padre Miguel, seguida do Acadêmicos do Salgueiro como vice campeão.

Para 1992 o irreverente Luiz Fernando Reis assumiu o posto de carnavalesco da União da Ilha, tendo desenvolvido o enredo “Sou mais minha Ilha”, enredo este com o intuito da escola viajar pelas ilhas de todo o planeta.

Coube a União da Ilha fazer o penúltimo desfile de 1992. Foi um desfile com boas fantasias mas com alegorias bastante irregulares, tendo a escola sido atrapalhada por problemas na iluminação da Marquês de Sapucaí. A escola entrou na avenida com boa parte do sistema de iluminação da passarela sem funcionar e quando a escola chegou perto do meio da pista, houve uma pane total.

Por fim esse carnaval foi vencido pela Estácio de Sá, seguido pela Mocidade Independente de Padre Miguel como vice campeã, tendo a União da Ilha ficado apenas com a décima colocação.

No carnaval onde era comemorado os dez anos da passarela da Marquês de Sapucaí no ano de 1993, a União da Ilha anunciou o enredo “Os maiores espetáculos da Terra”, enredo este que foi desenvolvido pelo carnavalesco Sylvio Cunha, enredo este onde a temática em foco seriam os tipos de circo, desde aqueles da época medieval até os circos da televisão e da Fórmula 1.

Quem assistiu a este desfile pode muito bem confirmar que a parte do enredo que falava sobre os palhaços e o espetáculo circense, foi o ponto alto do desfile da agremiação insulana, com destaque para o palhaço Carequinha.

Pelo enredo apresentado o desfile foi muito alegre, colorido e cheio de entusiasmo, características marcantes que distinguem a União da Ilha das demais agremiações cariocas.

Por fim a Ilha ficou com a décima primeira colocação, deixando para trás apenas a Unidos da Tijuca, Caprichosos de Pilares e Unidos da Ponte, com vitória do Acadêmicos do Salgueiro com seu impecável “Peguei um Ita no Norte”.

Nos dez primeiros anos da nova passarela da Marquês de Sapucaí a União da Ilha teve apenas três pessoas ocupando o posto de Presidente da agremiação, Maurício Taufie Gazelle, Roberto Maia dos Santos e Giovanni Riente.

Nesse mesmo período a agremiação teve quatro intérpretes comandando seu carro de som Quinzinho, Quinho, Aroldo Melodia e Maurício Maia.

No carnaval carioca de 1992 a modelo Enoli Lara foi a rainha da bateria da União da Ilha.

Nos dez primeiros anos da passarela da Marquês de Sapucaí a União da Ilha ganhou premiações do Estandarte de Ouro nos quesitos bateria e intérprete.

 

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

 

 

 

 

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