RJ – Retrospectiva dos desfiles nos dez primeiros anos do sambódromo carioca – Mocidade Independente de Padre Miguel

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Conhecida no passado como a bateria que tinha uma escola de samba, a Mocidade Independente de Padre Miguel veio para novo sambódromo da Marquês de Sapucaí com apenas uma estrela em seu pavilhão.

O carnavalesco Fernando Pinto ocupou o posto de carnavalesco da Mocidade Independente de Padre Miguel pela primeira vez no carnaval carioca de 1980, quando a agremiação apresentou o enredo “Tropicália Maravilha”, tendo com este desfile feito a escola de Padre Miguel ficar com a segunda colocação, depois do campeonato de 1979, quando o enredo “O Descobrimento do Brasil”, de Arlindo  Rodrigues deu à Mocidade sua primeira estrela no grupo especial do carnaval carioca.

Mocidade Independente de Padre Miguel – Carnaval de 1979

Para o carnaval de 1983 Fernando Pinto retornou a Mocidade Independente, depois de ter estado por dois anos afastado da escola e em seu retorno apresentou o enredo “Como era Verde meu Xingu”, que deu à escola a sexta colocação.

Mocidade Independente de Padre Miguel – Carnaval de 1983

Para seu primeiro desfile na nova pista da Marquês de Sapucaí, inaugurada para o carnaval carioca de 1984, a Mocidade trouxe o enredo “Mamãe eu quero Manaus”, onde a intenção do carnavalesco Fernando Pinto com este desfile era falar de uma forma bem humorada sobre a zona franca de Manaus e o contrabando.

A história da muamba foi muito bem narrada pelo desfile da escola, mostrada desde o descobrimento do nosso país até o surgimento e crescimento da Zona Franca de Manaus. A comissão de frente era composta por 14 piratas apresentando a escola com um belo figurino representando os contrabandistas do passado.

Nesse desfile de 1984 uma das novidades trazidas pela Mocidade foi Monique Evans a frente dos ritmistas da escola, como rainha de bateria, sucedendo a inesquecível Adele Fátima.

Como as agremiações nesse primeiro ano da nova Marquês de Sapucaí foram divididas em dois dias de desfile, com disputa entre as desfilantes de cada dia e a disputa de um supercampeonato no sábado seguinte, envolvendo as três agremiações melhor colocadas de cada dia, coube à Mocidade Independente de Padre Miguel desfilar na segunda noite de desfiles, tendo ficado com a segunda colocação, logo atrás da  Estação Primeira de Mangueira, que ficaria no final com o inédito supercampeonato.

Na disputa pelo supercampeonato a Mocidade acabou ficando com a terceira colocação, logo atrás da Mangueira e da Portela.

Com este primeiro desfile na nova Marquês de Sapucaí a Mocidade conquistou o Estandarte de Ouro no quesito passista feminino.

Passada a novidade da nova pista de desfile carioca, para 1985 a Mocidade trouxe o enredo “Ziriguidum 2001, um carnaval nas estrelas”, ocasião em que a proposta do carnavalesco Fernando Pinto era levar o carnaval para as estrelas, um carnaval espacial.

Mocidade Independente de Padre Miguel – desfile de 1985

Com esse desfile no carnaval carioca de 1985 o objetivo da Mocidade era com a apresentação de um enredo futurista, querendo projetar o carnaval do próximo século.

A escola de Padre Miguel fez um desfile histórico para terminar o primeiro dia de desfiles “projetando” como seriam os personagens do nosso folclore e o próprio Carnaval no século XXI no espaço.

Com esse desfile a escola sagrou-se campeã, conquistando sua segunda estrela como campeã no grupo de elite das escolas do Rio, deixando a Beija Flor de Nilópolis com a segunda colocação, seguida da Unidos de Vila Isabel.

Pelo júri do Estandarte de Ouro a escola foi premiada no quesito personalidade masculina.

Terminado o carnaval de 1985, Fernando Pinto deixou a Mocidade, sendo na época substituído por Edmundo Braga e Paulino Espírito Santo, os quais já haviam trabalhado na escola anteriormente. Daí para 1986 a escola apresentou o enredo “Bruxarias e histórias do arco da velha” tendo a escola ao final ficado com a sétima colocação.

O enredo apresentado falava de monstros, assombrações e despachos. O visual proposto pelos carnavalescos era sem dúvida pertinente e alegorias e fantasias estavam bem acabadas, mas os tons bastante escuros pesaram a escola mesmo que fossem adequados ao enredo.

Para o desfile da Mocidade no carnaval de 1987, a agremiação contratou Fernando Pinto para o posto de carnavalesco da escola mais uma vez e este colocou na avenida  o enredo “Tupinicópolis”, que deu a Mocidade mais um vice-campeonato na folia carioca, ficando atrás apenas da Estação Primeira de Mangueira, que naquele ano cantou a vida e obra do escritor e poeta Carlos Drummond de Andrade.

A Mocidade teve naquele ano a tarefa de encerrar o carnaval carioca com sua metrópole indígena.

Nesse desfile da Mocidade não faltou um só detalhe de uma grande metrópole, lá estavam o Shopping Boitatá, as forças armadas que foram representadas pelo “Tatu Guerreiro”, o “Marreco Bélico” significava a Marinha e o “Aero Gaviavião” fazia parte da aeronáutica.

Mocidade Independente de Padre Miguel – Desfile de 1987

Com este desfile impactante que a escola pisou na Marquês de Sapucaí, ganhou o estandarte de ouro nas categorias de intérprete e enredo.

Nesse desfile de 1987 Monique Evans desfila pela última vez como rainha de bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, tendo este posto ficado vago até o desfile da escola de 1995.

Mocidade Independente de Padre Miguel – Desfile de 1987 – Monique Evans

Terminado o carnaval de 1987, Fernando Pinto foi mantido como carnavalesco da Mocidade para 1988, mas  em novembro deste ano, acabou morrendo vítima  de um acidente de carro quando vinha da quadra da escola, quando já estava desenvolvendo o enredo “Beijim Beijim, Bye Bye Brasil”. Com a morte de Fernando Pinto a escola chamou Cláudio Peixoto para finalizar o projeto do artista e o colocar na Sapucaí.

Terminada a apuração a Mocidade ficou apenas com a oitava colocação nesse carnaval.

Para o desfile de 1989 a Mocidade escolheu o enredo “Elis, um trem de emoções” dos carnavalescos Ely Peron e Rogério Figueiredo, onde a escola prestava uma grande homenagem à cantora gaúcha Elis Regina.

O samba enredo de autoria dos compositores Cadinho, Dico da Viola e Paulinho Mocidade foi bem cantado pela plateia presente na Sapucaí. Este foi o último desfile de Ney Vianna como primeiro intérprete do carro de som da Mocidade.

 

Na avaliação de quem assistiu a este desfile, a Mocidade passou bem no tocante as fantasias apresentadas pela escola, mas no quesito alegorias não foi tão bem assim, tendo inclusive sofrido a quebra de um carro ainda na área de concentração que acabou nem passando pela Sapucaí.

Com este desfile Lucinha Nobre recebeu o Estandarte de Ouro no quesito revelação.

Com o carnaval carioca de 1990 a Mocidade Independente de Padre Miguel entra numa nova era, com a contratação do carnavalesco Renato Lage, na época fazendo dupla com Lilian Rabello, dupla que durou até o carnaval de 1992, tendo Renato ficado na escola até 2002.

Em seu primeiro desfile pela Mocidade, Renato desenvolveu o enredo “Vira, virou, a Mocidade chegou”, enredo onde em sua narrativa era contada a história da Mocidade, originária de um time de futebol, o Independente Futebol Clube.

Mocidade Independente de Padre Miguel -Desfile de 1990

O enredo apresentado foi pelos carnavalescos dividido em quadros, contando as conquistas e a história da escola em décadas, onde ampulhetas representavam a passagem do tempo.

Neste desfile os carnavais de maior destaque da escola foram referenciados como os enredos “Apoteose ao samba” (1958), “A Festa do Divino” (1974), O Mundo Fantástico do Uirapuru” (1975), “O Descobrimento do Brasil” (1979), “Como era verde o meu Xingu” (1983) e “Ziriguidum 2001” (1985).

Mocidade Independente de Padre Miguel – Desfile de 1990

Mais para o fim do desfile da escola vieram as homenagens da agremiação às figuras de Mestre André, aos grandes carnavalescos Arlindo Rodrigues e Fernando Pinto e ainda homenagem a Ney Vianna.

Mesmo não ganhando nenhum Estandarte de Ouro com este desfile, a Mocidade sagrou-se a grande campeã de 1990, sendo seguida pela Beija Flor de Nilópolis e o Acadêmicos do Salgueiro.

Mocidade Independente de Padre Miguel – Desfile de 1991

Renato Lage e Lilian Rabello desenvolveram para o carnaval de 1991 para a Mocidade o enredo “Chuê, chuá, as águas vão rolar”, enredo este onde o objetivo era falar sobre tudo relacionado às águas.

Já na comissão de frente representando mergulhadores com seus escafandros, podia-se ver que a escola vinha mais uma vez para disputar o topo mais alto do pódio do carnaval carioca.

Mocidade Independente de Padre Miguel – Desfile de 1991

A beleza das alegorias, com esculturas bem trabalhadas impressionou a plateia da Sapucaí, que mais uma vez aclamou a escola com os gritos de “É campeã…”

Com estre desfile a escola conquistou um inédito bicampeonato na história da agremiação, deixando para trás Acadêmicos do Salgueiro e Imperatriz Leopoldinense, conquistando a premiação do Estandarte de Ouro nas categorias de bateria e ala de baianas.

“Sonhar não custa nada, ou quase nada” foi o tem escolhido por Renato e Lilian para o carnaval da Mocidade de 1992, ocasião em que a agremiação desfilou na segunda-feira de carnaval.

Mocidade Independente de Padre Miguel – Desfile de 1992

Destaque nesse desfile para o carro dos sonhos infantis, com seu colorido e bom gosto, mas a empolgação tão necessária para fazer um desfile explodir não se fez presente nesse desfile da escola.

Ao final coube a Mocidade um vice-campeonato, atrás apenas da Estácio de Sá que explodiu com sua “Paulicéia Desvairada”.

No desfile dos dez anos do sambódromo da Marquês de Sapucaí, Renato Lage, desta vez em carreira solo, apresentou para a escola  o enredo “Marraio feridô sou rei”.

Mocidade Independente de Padre Miguel – Desfile de 1993

Na pista da Sapucaí, a Mocidade apresentou um enredo sobre os jogos, desde a Grécia Antiga e os jogos olímpicos modernos, viajou pelo jogo de dados até os games eletrônicos, tendo Renato Lage brindado o público com um verdadeiro show high tech.

Na comissão de frente a representação do Dream Team do basquete americano da Olimpíada de Barcelona, composta por jogadores de basquete negros e carecas. Jogos como dados, xadrez e bola de gude não ficaram de fora desse desfile da escola de Padre Miguel.

Ao final a escola ficou com a quarta colocação, atrás apenas do Salgueiro, Imperatriz Leopoldinense e Beija Flor de Nilópolis.

 

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

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