RJ – Retrospectiva dos desfiles nos dez primeiros anos do sambódromo carioca – Imperatriz Leopoldinense

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“…Quem não sabe o que é o amor
Não sabe o que é ser feliz
Quem não sabe o que é sambar
Não sabe o que é Imperatriz… “

(Trecho do samba exaltação da Imperatriz Leopoldinense – Rainha de Ramos)

Fundada em março de 1959, com a inauguração da nova pista da Marquês de Sapucaí para o carnaval de 1984, a Imperatriz Leopoldinense chegou ao novo palco da folia carioca com duas estrelas em seu pavilhão, por ter sido campeã nos carnavais de  1980 e 1981 no grupo de elite do carnaval da Cidade Maravilhosa, sob a batuta do carnavalesco Arlindo Rodrigues, que veio trabalhar na escola justamente no carnaval de 1980, tendo ainda contribuído com na Rainha de Ramos nos carnavais de 1980, 1981, 1982, 1983, 1985 e 1987, com enredos geniais.

Com enredos de Arlindo Rodrigues a Imperatriz Leopoldinense foi bicampeã nos carnavais de 1980 e 1981 com os enredos “O quê que a Bahia tem?” e “O teu cabelo não nega” respectivamente, tendo este último sido reeditado no último carnaval de 2020, quando a escola foi campeã no grupo de acesso carioca, garantindo seu retorno à elite das escolas de samba do Rio para 2022.

Imperatriz Leopoldinense – Desfile de 1981

Não é a toa que para seu próximo desfile, no carnaval de 2022, o enredo da Imperatriz será uma grande homenagem à Arlindo Rodrigues, por toda sua importância para o carnaval carioca e por tornar a Imperatriz uma das grandes potências  da festa no Rio de Janeiro.

Imperatriz Leopoldinense – Logo Carnaval 2022

A Rainha de Ramos chegou à nova Sapucaí, no carnaval de 1984, tendo sido a quarta colocada no carnaval de 1983, ocasião em que apresentou o enredo “O Rei da Costa do Marfim visita Xica da Silva em Diamantina” de Arlindo Rodrigues, carnaval este que marcou a saída de Arlindo da escola, depois de quatro anos consecutivos a frente do carnaval da agremiação.

Imperatriz Leopoldinense – Carnaval de 1983

Para seu primeiro carnaval no novo palco da folia carioca, a Imperatriz para seu desfile de 1984 apostou no trabalho de uma dupla de carnavalescas, com a contratação de Lícia Lacerda e Rosa Magalhães para comandar o carnaval da escola.

O enredo proposto para esse desfile foi “Alô mamãe”. A aposta da escola foi em um enredo social e com muito bom humor versando sobre a política e a situação econômica do nosso país naqueles tempos. No título do enredo as carnavalescas faziam referência a frase proferida pelo cantor Agnaldo Timóteo em seu primeiro discurso como deputado federal na capital federal.

Para colocar esse desfile na avenida a escola passou por uma grande crise financeira, já que Luizinho Drummond havia se afastado da escola e Arlindo Rodrigues, deixando a Imperatriz depois do último carnaval, transferiu-se para o Acadêmicos do Salgueiro.

Aquilo apresentado pela escola no novo palco dos desfiles do Rio, recebeu a quarta colocação dentre as escolas que desfilaram na segunda-feira de carnaval, não permitindo assim à escola retornar no sábado seguinte para lutar pelo supercampeonato daquele ano.

Para 1985 a escola escolheu o enredo “Adolã, a cidade mistério”, inicialmente desenvolvido pelo historiador João Felício dos Santos numa parceria com o carnavalesco José Félix. Mas de fato aquilo que passou pela Sapucaí foi finalizado por Arlindo Rodrigues, que acabou sendo convocado por Luizinho Drummond para essa finalidade pouco tempo antes do desfile. Esse enredo narrava a estória de lendas marajoaras e uma fictícia cidade com população mediúnica.

O samba da escola para esse carnaval era de autoria dos compositores Amaurizão, Carlinhos Sideral, Doutor e Guga, na avenida tendo sido interpretado por Preto Jóia, que neste carnaval estreava como primeiro intérprete da Rainha de Ramos.

Na hora do desfile o carro abre alas da escola quebrou e houve por isso uma troca na ordem de desfile entre a Imperatriz e o Império Serrano, fazendo com que a escola desfilasse já com a luz do dia, mas acabou que o carro abre alas atravessou a Sapucaí puxado por um guindaste, ficando no fim a escola com uma tímida oitava colocação.

Para 1986 a Imperatriz trouxe o enredo “Um jeito pra ninguém botar defeito” do carnavalesco Fernando Alvarez, que pretendia mostrar na Sapucaí uma exaltação a Nova República e as perspectivas para o futuro do Brasil.

A comissão de frente da escola neste desfile foi composta por integrantes do tradicional Cacique de Ramos, tendo ganho o prêmio do Estandarte de Ouro nesse quesito de avaliação.

Mas no final a oitava colocação repetiu-se, assim como havia sido no carnaval anterior.

O carnaval de 1987 marcou como o último desfile arquitetado por Arlindo Rodrigues para a Imperatriz, já que o artista morreu no final daquele ano. O enredo escolhido foi “Estrela Dalva”, para homenagear a cantora Dalva de Oliveira.

Imperatriz Leopoldinense – Desfile de 1987

A comissão de frente da escola entrou na pista da Sapucaí já com o dia claro, comissão esta formada por cantoras famosas da música popular brasileira, que muito bem fizeram a saudação ao púbico e apresentação da agremiação de Ramos, tendo obtido a nota máxima para a escola na avaliação do quesito.

Com este desfile a escola foi premiada com o Estandarte de Ouro na categorias de mestre-sala, com a premiação de Chiquinho, que tirou nota máxima desfilando com Maria Helena, ambos apresentando o pavilhão oficial da escola.

Homenageando Dalva de Oliveira a Imperatriz terminou com a  sexta colocação.

“Conta outra que essa foi boa” foi o enredo da Rainha de Ramos para o carnaval carioca de 1988, do carnavalesco Luiz Fernando Reis, que pretendia com este enredo falar sobre piadas.

Imperatriz Leopoldinense – Desfile de 1988

Desfilando no domingo de carnaval, a Imperatriz enfrentou uma chuva fraca, mas que danificou fantasias da escola, especialmente a plumagem das alas.

Como o objetivo deste desfile era falar sobre piadas e anedotas, havia uma ala que vinha representando a abolição da escravatura em nosso país, fato este que segundo a sinopse do enredo foi “muito mais econômico do que humanitário”.

Com este desfile foi a vez da porta bandeira Maria Helena ser premiada com o Estandarte de Ouro.

Com evolução muito lenta a Imperatriz estourou o tempo estipulado para o desfile em doze minutos, sendo penalizada na hora da apuração das notas recebidas pelas escolas e essa penalização levou a escola para a  décima quarta colocação, última colocada.

Nesse carnaval de 1988 coube a Unidos de Vila Isabel o título do carnaval carioca, seguida pela Estação Primeira de Mangueira e Beija Flor de Nilópolis.

Acontece que uma virada de mesa orquestrada por diretores da Liesa, depois de uma reunião na Liga, resolveu que nesse ano nenhuma escola seria rebaixada, o que fez com que a Imperatriz permanecesse no grupo de elite das escolas de samba do Rio para 1989.

Imperatriz Leopoldinense – Desfile de 1989

Depois do desastroso resultado obtido no carnaval de 1988, Luizinho Drummond realizou uma série de alterações na estrutura da Imperatriz, sendo que uma das medidas foi a contratação de Max Lopes para carnavalesco da escola, tendo este arquitetado o enredo “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós” tendo com este desfile levado a escola da última colocação no carnaval de 1988 para o topo do pódio no carnaval de 1989.

O samba enredo de autoria da parceria de compositores formada por Jurandir, Niltinho Tristeza, Preto Jóia e Vicentinho até hoje é muito cantado em eventos carnavalescos pelo país afora.

Ao final o samba enredo da Imperatriz foi o grande vencedor do Estandarte de Ouro daquele carnaval.  Neste carnaval Dominguinhos do Estácio voltou ao carro de som da Imperatriz.

O desfile planejado por Max Lopes iniciava sua narrativa no final do período monárquico brasileiro, passando pela histórica Guerra do Paraguai, continuando com a chegada de imigrantes ao Brasil, a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel, e encerrava o cortejo da Imperatriz com a instauração da República Brasileira.

Imperatriz Leopoldinense – Desfile de 1989

Desfilando na segunda-feira de carnaval, já a entrada da Imperatriz na pista da Sapucaí foi impactante, pela grandiosidade de suas alegorias, o luxo de suas fantasias e o brilho trazido pela agremiação sediada no bairro de Ramos.

Imperatriz Leopoldinense – Desfile de 1989

Finalizado o escrutínio das notas atribuídas pelos jurados, Imperatriz e Beija Flor de Nilópolis, com seu inesquecível desfile “Ratos e urubus, larguem a minha fantasia”  empataram em número de pontos, mas conforme o regulamento votado pelas escolas, as notas descartadas seriam revalidadas, já que houve um empate, sendo o quesito samba-enredo o primeiro a ser considerado com vistas a um desempate. Como a Imperatriz tinha recebido apenas notas dez no quesito e a Beija flor havia recebido uma nota nove, coube a Imperatriz o campeonato de 1989, o qual representa a terceira estrela no pavilhão da escola.

Para o carnaval de 1990, Max Lopes continuou ocupando o posto de carnavalesco da Imperatriz e para esse carnaval apresentou o enredo “Terra Brasilis, o que se plantou deu”.

Todos os esforços da escola foram no sentido de lutar por um novo bicampeonato para a agremiação de Ramos, com um novo desfile de muito luxo e beleza.

A escola apresentou-se na noite de segunda-feira, já na madrugada da terça de carnaval, mas comparativamente ao carnaval anterior o desfile apresentado não empolgou o público da Sapucaí e desta vez coube a escola apenas uma quarta colocação.

O carnaval carioca de 1990 foi ganho pela Mocidade Independente de Padre Miguel, seguido pela Beija Flor de Nilópolis e Acadêmicos do Salgueiro.

Para o carnaval de 1991 não houve a permanência de Max Lopes como carnavalesco da escola, já que  o artista deu preferência a Unidos do Viradouro, com a qual havia sido campeão no grupo de acesso carioca no ano anterior, assim a Imperatriz passa a contar com Viriato Ferreira como carnavalesco, no último carnaval do artista.

Viriato concretizou o enredo “O que é que a banana tem?”, enredo no qual a intenção do artista era contar a história da banana.

Imperatriz Leopoldinense – Desfile de 1991

O animado samba-enredo que embalou este desfile da Imperatriz no carnaval de 1991 contém o alusivo “o meu sonho de ser feliz, vem de lá sou Imperatriz”, que se tornaria característico da escola nos anos seguintes. Preto Jóia acabou sendo efetivado como principal intérprete da agremiação.

Imperatriz Leopoldinense – Desfile de 1991

Uma das sensações deste desfile foi a modelo Melissa Benson que vinha numa alegoria, que representava a banana d’água, em trajes mínimos, no meio de uma fonte que molhava seu corpo, durante todo o trajeto na escola na pista da Sapucaí.

Esse desfile leve e divertido rendeu à Rainha de Ramos um terceiro lugar, já que o campeonato foi ganho pela Mocidade Independente de Padre Miguel, seguida pela Acadêmicos do Salgueiro.

O carnaval de 1992 iniciou uma nova fase na Imperatriz, já que Viriato Ferreira com problemas de saúde deixou a agremiação e indicou para seu lugar a professora Rosa Magalhães, que a partir desse carnaval atuou em carreira solo como carnavalesca da escola, situação esta que perdurou até o carnaval de 2009, com a conquista de cinco campeonatos nesse período de tempo.

Para esse primeiro desfile a frente da Imperatriz, Rosa Magalhães apresentou o enredo “Não existe pecado do lado de baixo do Equador”, com o qual a escola alcançou uma terceira colocação novamente, assim como tinha acontecido no carnaval anterior.

Nesse carnaval a escola foi a quarta escola a entrar na Sapucaí na noite de domingo, apresentando um enredo em homenagem aos 500 anos da descoberta oficial do continente americano pelos europeus.

Outra novidade desse desfile foi a estreia de Fábio de Mello como coreógrafo da comissão de frente da escola, grupo que representava os navegadores trajando fantasias detalhadas e cheias de brilho e detalhes.

Terminado o carnaval de 1992 coube a Estácio de Sá o campeonato daquele ano, seguido pela Mocidade Independente de Padre Miguel.

Fechando os dez primeiros anos da Marquês de Sapucaí, no carnaval de 1993, Rosa Magalhães trouxe para a Sapucaí o enredo “Marquês que é marquês do sassarico é freguês!”.

O bicentenário do Marquês de Sapucaí, serviu para que o enredo da escola contasse a história do carnaval desde os tempos do Marquês até a consagração dos desfiles das escolas de samba na avenida que carrega o seu nome, o maior palco do sambista carioca.

Imperatriz Leopoldinense – Desfile de 1993

Nesse desfile figuras do carnaval carioca receberam homenagens, como os carnavalescos Arlindo Rodrigues, Fernando Pinto, Joãosinho Trinta e Viriato Ferreira, este último que morreu durante a preparação do carnaval da escola no ano de 1992.

Com este desfile de 1993 a Imperatriz Leopoldinense ganhou cinco prêmios do júris do Estandarte de Ouro, nos quesitos Comissão de Frente de Fábio de Mello, para a ala das baianas, para o intérprete Preto Jóia, para o Mestre-sala Jerônimo e para a carnavalesca Rosa Magalhães como personalidade do ano.

Passada a apuração a agremiação conquistou o vice-campeonato do carnaval de 1993, atrás apenas do Acadêmicos do Salgueiro e seu imbatível “Peguei um Ita no Norte”.

De 1984 a 1993 a presidência da Imperatriz Leopoldinense passou pelas mãos de Rubens Gonçalves, Luiz Pacheco Drummond e  Marcos José Lourenço Drummond.

Nos dez primeiros anos de sambódromo da Marquês de Sapucaí o carro de som da Imperatriz esteve nas mãos de Tuninho Professor, Preto Jóia, Alexandre DMendes e Dominguinhos do Estácio.

O coreógrafo Fábio de Mello esteve a frente da comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense de 1992 a 2007, tendo ainda estado neste posto no carnaval carioca de 2015.

Chiquinho e Maria Helena – Imperatriz Leopoldinense

Chiquinho e Maria Helena foram o primeiro casal de porta bandeira e  mestre sala da Rainha  de Ramos do carnaval de 1984 ao carnaval de 2005.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

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