RJ – Retrospectiva dos desfiles nos dez primeiros anos do sambódromo carioca – Acadêmicos do Grande Rio

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Desfile da Acadêmicos do Grande Rio no Carnaval 2019 no Rio de Janeiro

 

Fundada em setembro de 1988, a Acadêmicos do Grande Rio, até hoje não conseguiu um título no grupo especial das escolas de samba do Rio de Janeiro, tendo como melhores colocações os vice campeonatos de 2006, 2007, 2010 e 2020.

O primeiro desfile oficial da escola sediada em Duque de Caxias se deu no ano de 1989, na época desfilando no grupo 3, tendo conquistado a segunda colocação, com o enredo “O mito sagrado de Ifé” dos carnavalescos Edson Mendes e Ricardo Ayres.

Já para o carnaval de 1990, com o enredo “Porque sou carioca”, versando sobre a cidade do Rio de Janeiro, de novo a Grande Rio conquistou a segunda colocação, repetindo o resultado do carnaval anterior, o que deu o direito à escola de desfilar no  Grupo Especial carioca no carnaval seguinte. Destaques deste desfile foram a comissão de frente, composta por figuras masculinas, vestindo belos figurinos que faziam referência aos escudos e brasões portugueses e o luxuoso abre-alas, seguido por 4 tripés com representações da cruz de malta, que antecedeu as alas alusivas aos índios tamoios e ao fundador Estácio de Sá, que também serviu de inspiração para o figurino da bateria.

No carnaval de 1991, a Grande Rio pisou forte na Sapucaí, desfilando entre as grandes escolas  de samba da Cidade Maravilhosa, tendo apresentado o enredo “Antes, durante e depois, o despertar do homem”, enredo com o qual a agremiação de Caxias falava da criação da vida, dos conflitos humanos e terminava com uma mensagem de paz e otimismo. O desenvolvimento deste desfile coube aos carnavalescos  Wany Araújo e Fernando Lopes Paz.

Acadêmicos do Grande Rio – Desfile de 1991

Nessa sua estreia no grupo especial a agremiação de Caxias acabou apenas com a décima sexta colocação, o que a devolveu ao grupo de acesso no carnaval seguinte, sendo então rebaixada.

Nesse carnaval de 1991 coube a Mocidade Independente de Padre Miguel o primeiro lugar, alcançando o bicampeonato, já que tinha sido campeã no ano passado.

Para 1992, então de novo no grupo de acesso carioca, a Grande Rio trouxe o enredo “Águas claras para um rei negro”, dos carnavalescos Lucas Pinto e Sônia Regina, carnaval este que deu a escola seu primeiro campeonato, desfilando na pista da Marquês de Sapucaí e garantindo seu retorno ao grupo principal das escolas de samba, onde permanece até hoje.

Com esse desfile em 1992 o grande destaque do desfile da Grande Rio foi o samba enredo apresentado pela escola, de autoria dos compositores G. Martins, Adão Conceição, Barbeirinho e Queiroz.

 

“…Para ser livre

Nunca é tarde demais (bis)

Onde há fé e esperança

A crença não se desfaz…”

(Trecho do samba da Acadêmicos do Grande Rio para o carnaval de 1992)

Esse enredo da Grande Rio para 1992 baseou-se na mitologia afro-brasileira, sendo o samba enredo deste carnaval considerado pela crítica carnavalesca como o maior samba de enredo da história da agremiação.

A Estácio de Sá  e sua “Paulicéia Desvairada” alcançou o topo do pódio neste carnaval de 1992, seguido pela Mocidade Independente de Padre Miguel e Imperatriz Leopoldinense, que neste carnaval iniciou a era Rosa Magalhães na escola de Ramos.

O carnavalesco Alexandre Louzada foi contratado pela agremiação para seu retorno ao grupo de elite do carnaval carioca no carnaval de 1993, ocasião em que a escola apresentou o enredo “No mundo da lua”.

Coube a agremiação de Caxias nesse carnaval, abrir a segunda noite de desfiles na Marquês de Sapucaí.

O samba enredo da escola foi cantado pelo intérprete Nêgo, estreando na escola nesse carnaval, sendo que o refrão central do samba caiu por inteiro no gosto da plateia presente na Sapucaí:

“…Ô luar, ô luar (ô luar)

Vem pratear a nossa rua (bis)

A semente da fartura semear

Virar o mundo de bumbum pra lua…”

(Trecho do samba da Acadêmicos do Grande Rio para o carnaval de 1993 de autoria dos compositores Nêgo, Jacy Inspiração, Mais Velho, G. Martins, Dicró, Juarez Dy Calvoza, Adão Conceição, Carlinhos P2, Rocco Filho e Ronaldo)

Neste desfile, onde eram comemorados os dez anos do novo sambódromo carioca,  a agremiação da Baixada Fluminense trouxe para a Sapucaí as diferentes fases da lua, a lua de mel  até a corrida espacial rumo ao satélite da Terra foram abordados no desfile, ao final ficando a certeza de que a escola permaneceria no grupo de elite para o próximo carnaval.

Terminada a apuração das notas atribuídas pelos jurados daquele ano, a Grande Rio acabou na nona colocação, deixando para trás agremiações tradicionais  como Portela, União da Ilha do Governador e Unidos da Tijuca.

Nesse carnaval de 1993 o campeonato coube ao Acadêmicos do Salgueiro com seu imbatível desfile  “Peguei um Ita no Norte”, seguido da Imperatriz Leopoldinense e Beija Flor de Nilópolis, que depois de muitos anos não contou com o serviço do genial Joãosinho Trinta.

Mesmo que a agremiação de Caxias tenha feito belas apresentações na Sapucaí, até o carnaval de 1993 a escola não ganhou nenhuma premiação do júri do Estandarte de Ouro, promovido pelo Jornal O Globo.

De 1988 a 1993 a Grande Rio teve apenas dois presidentes, Milton Perácio e Jayder Soares.

Até o carnaval de 1993 a escola contou com três intérpretes oficiais Dominguinhos do Estácio, David do Pandeiro e Nêgo.

Élcio PV e Dóris estiveram como primeiro casal de mestre sala e porta bandeira na escola nos carnavais de 1990 e 1991, alterando para Ronaldinho e Rita Freitas no carnaval de 1993.

Nos carnavais de 1992 e 1993 o posto de diretor de carnaval da escola foi ocupado pelo experiente Laíla.

 

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

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