RJ – Retrospectiva dos desfiles nos dez primeiros anos do sambódromo carioca – Acadêmicos de Santa Cruz

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Nos dez primeiros anos da nova Marquês de Sapucaí, a Acadêmicos de Santa Cruz esteve no grupo principal das escolas de samba do Rio por três carnavais, nos anos de 1985, 1990 e 1992.

Em 1984 desfilando pelo grupo de acesso da época a Santa Cruz acabou conquistando o vice campeonato com o enredo “Acima da coroa de um rei, só um Deus” do carnavalesco José Galvão e essa colocação alcançada pela agremiação permitiu que participasse do supercampeonato, que ao final foi conquistado pela Mangueira, terminando a Santa Cruz na oitava colocação.

Promovida então no carnaval anterior, para 1985 a Santa Cruz, no grupo principal, apresentou o enredo “Ibrahim, de leve eu chego lá”, desenvolvido pelos carnavalescos  José Lima Galvão e Viriato Ferreira.

A figura de Ibrahin como homenageado propiciou à agremiação recursos em quantidade boa para desenvolver a parte plástica do desfile.

O desfile da escola acabou começando bem atrasado em função de uma concentração agitada, onde inclusive uma das alegorias da escola acabou batendo numa da Beija Flor de Nilópolis.

Aroldo Melodia defendeu o samba da escola, na época considerado fraco.

Acabado o carnaval a escola conquistou apenas o décimo quarto lugar, sendo rebaixada para o grupo de acesso no ano de 1986.

De 1986 a 1989 a Santa Cruz desfilou no grupo de acesso carioca, tendo conquistado no carnaval de 1989 o título de campeã com o enredo “Stanislaw, uma história sem final”, do carnavalesco José Felix, colocação esta que levou a escola de volta ao grupo principal no ano de 1990.

Na sua volta ao grupo de elite carioca a Santa cruz trouxe o enredo “Os Heróis da Resistência”, enredo este com o qual a escola se propunha a contar a história do Pasquim, tendo a agremiação contado com a interpretação de Carlinhos de Pilares no comando do carro de som da escola.

O carnavalesco José Felix neste desfile trouxe através de seu trabalho plástico uma escola alegre e aguerrida, mas que sofreu problemas nos quesitos harmonia e evolução.

Os cartunista Ziraldo e Jaguar foram muito aplaudidos na sua passagem com a escola.

Desde o carnaval passado Vera Benévolo era a rainha de bateria da Santa Cruz, que depois de concluída a apuração ficou com a décima quinta colocação, posição esta que levou a escola de volta ao grupo de acesso no carnaval de 1991.

No carnaval de 1991, desfilando na segunda divisão do carnaval da Cidade Maravilhosa, a escola não foi julgada na apresentação “O Boca do Inferno“, sobre o poeta baiano Gregório de Mattos e Guerra, já que um blecaute fez com que a agremiação passasse pela Sapucaí às escuras. Passado o carnaval a escola conquistou na Justiça o direito de desfilar entre as grandes agremiações do Rio no carnaval de 1992.

Com referência ao carnaval de 1992 o STJ decidiu que a Santa Cruz deveria abrir o desfile do Grupo Especial daquele ano, mas essa decisão saiu em definitivo apenas  semanas antes dos desfiles, o que comprometeu de certa forma o planejamento da escola, para de novo estar entre as grandes agremiações do Rio.

O enredo apresentando foi “De quatro em quatro, eu chego lá” dos carnavalescos Albeci Pereira e Ney Ayan, tendo a escola entrado na Sapucaí quando ainda era dia.

A quebra de duas alegorias prejudicou bastante o desfile da escola, fazendo com que fosse necessário que alas deixassem seu lugar e avançassem, deixando as alegorias com problemas para trás, o que prejudicou muito o julgamento da Santa Cruz.

Sobrinho foi o primeiro intérprete da escola, mas a qualidade do samba deixou muito a desejar. Élcio PV e Dóris eram o primeiro casal de mestre sala e porta bandeira da escola nesse desfile, com o acerto de que o pagamento do cachê somente se efetivaria se o casal garantisse a nota dez no quesito que defendiam.

Todos estes fatores fizeram com que a escola conquistasse apenas a  décima quinta e última colocação, resultado este que levou a agremiação de volta ao grupo de acesso em 1993.

No ano em que foram comemorados os  dez anos da nova passarela da Marquês de Sapucaí, desfilando no grupo de acesso, a Santa Cruz apresentou o enredo “Quo vadis? Meu negro de ouro” do carnavalesco Lucas Pinto.

A agremiação , para esse desfile foi financiada pelo Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) e pelo fundo de pensão da estatal, o Petros, para defender o monopólio estatal do petróleo com um bom samba. 

A agremiação conquistou a quarta colocação, posição esta que fez com que a escola permanecesse no acesso para o ano seguinte.

Desfilando no grupo principal no carnaval de 1990 a escola ganhou o Estandarte de Ouro no quesito mestre sala e no desfile de 1991 repetiu esta premiação, mas desta vez como melhor samba enredo desfilando na segunda divisão carioca, samba de autoria dos compositores Tião da Roça, Doda, Luiz Sérgio, Mocinho, Giovanni e Carlos Henry.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

 

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