RJ – Retrospectiva do segundo decênio do sambódromo carioca – Unidos de Vila Isabel

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Três vezes campeã do carnaval carioca, desfilando no grupo principal das escolas de samba, a Unidos de Vila Isabel para o desfile de 1994, anunciou o enredo “Muito prazer! Isabel de Bragança e Drummond Rosa da Silva, mas pode me chamar de Vila”, do carnavalesco Oswaldo Jardim, que já vinha na agremiação desde o ano anterior.

Desde a fase do pré carnaval o samba de autoria dos compositores André Diniz, Evandro Bocão e Vilane Silva “Bombril” era considerado o melhor da safra daquele ano.

 

Nesse desfile de 1994 a Vila Isabel escolheu narrar a história do bairro de Noel como enredo.

Coube a Unidos de Vila Isabel ser a sexta escola a pisar na Sapucaí no domingo de carnaval, com um desfile cheio de inspiração idealizado por Oswaldo Jardim, com muita criatividade especialmente nos quesitos plásticos apresentados pela agremiação, com valorização das cores da escola.

Ciro Barcellos coreografou a comissão de frente da escola e Hermínia Paiva era o grande destaque de luxo do carro abre alas desse desfile.

Falhas no som da Marquês de Sapucaí puderam ser observadas durante a passagem da Vila, mas o canto com garra dos componentes foi potente para manter o ritmo da escola.

Característica do carnavalesco, muitas esculturas de espuma embelezaram as alegorias da escola, assim como outros elementos alegóricos carregados por integrantes da Vila. Alegorias com toques de originalidade também puderam ser observadas nesse desfile.

Dentre as personalidades que destacaram-se nesse desfile, estava Rogéria. Carlinhos Brilhante e Marcinha formavam o primeiro  casal de mestre sala e porta bandeira da agremiação de Martinho da Vila, sendo que esse casal veio a frente da bateria.

Para a imprensa carnavalesca da época foi surpresa a nona colocação obtida por este desfile da Vila Isabel, num ano onde a grande campeã foi a Imperatriz Leopoldinense.

Para 1995 o enredo escolhido pela escola foi “Cara e coroa, as duas faces da moeda”, do carnavalesco Max Lopes, que foi  contratado para o lugar de Oswaldo Jardim.

Dessa vez o objetivo da escola com esse enredo era contar a história da moeda.

A Unidos de Vila Isabel veio logo a seguir da Estácio de Sá, com um trabalho do carnavalesco Max  Lopes bastante inspirado do ponto de vista plástico.

O carro de som da escola esteve sob o comando dos interpretes Gera e Jorge Tropical, que contaram com o auxílio de luxo do grupo As Gatas.

Problemas na evolução da escola claro que pesaram no julgamento da agremiação, que entrou na Sapucaí lentamente e no final teve que acelerar para sair da passarela dentro do tempo máximo de desfile, fato este que não passou desapercebido do corpo de jurados.

Dessa forma mais uma vez a Vila ficou com a nona colocação, assim como foi no ano anterior.

Para o desfile de 1996 Max Lopes permaneceu como carnavalesco da escola e para esse carnaval desenvolveu o enredo “A heróica cavalgada de um povo”, com foco no estado do Rio Grande do Sul, sua história, costumes e tradições.

Para esse desfile foi sentida a falta de um samba marcante para embalar o desfile da Vila, o que pode ser muito bem observado pela falta dos integrantes em cantar o samba com garra, o que era característica da escola nos anos em que teve grandes sambas.

Tudo aquilo característico do sul do Brasil foi colocado nesse desfile da Vila, sendo que logo após os casais da comissão de frente, coreografada por Caio Nunes, vinha a gaúcha Onira Pereira, tradicional porta estandarte do carnaval de Porto Alegre.

Pode ser observada uma escola muito bem vestida, com fantasias muito bem acabadas, assim como as alegorias  bem idealizadas, mas sem grande impacto, com destaque para a ala de baianas da escola, que veio logo no início do desfile.

Mestre Mug comandava os ritmistas da Vila, a miss gaúcha Ieda Maria Vargas embelezava uma das alegorias da escola e Dercy Gonçalves também se fez presente nesse desfile da escola do bairro de Noel.

O desfile foi encerrado com referencia a disputa entre Internacional e Grêmio, tradicional dupla de times de futebol rivais do sul.

Foi um desfile capaz de melhorar a colocação da escola, com relação aos dois carnavais anteriores, já que dessa vez ficou com a sétima colocação.

Para o carnaval carioca de 1997, Jorge Freitas assumiu como carnavalesco da Vila, tendo desenvolvido o enredo “Não deixe o samba morrer”, com samba enredo do compositor  J.C. Couto, muito bem avaliado desde o pré carnaval.

Com esse enredo a Vila tinha por objetivo falar dos antigos carnavais e ao mesmo tempo fazer uma crítica bem humorada dos rumos que a festa estava tomando, onde o poderio econômico era por demais valorizado, ao invés do verdadeiro sambista.

O desfile aconteceu boa parte já com o céu claro no Rio de Janeiro, com destaque para o gigantismo das alegorias da escola, ao encerrar o carnaval daquele ano. Esse horário de desfile possibilitou a escola um desfile com cores fortes, que o sol do amanhecer realçou.

A falta de verba ficou clara num desfile correto, mas sem grandes luxos apresentados pela agremiação, com destaque para a qualidade do samba, que possibilitou aos integrantes desfilarem livremente.

Bira e Tuca formavam o primeiro casal de mestre sala e porta bandeira, com fantasias nas cores da agremiação de Noel.

Ao ser finalizada a apuração, de novo a Vila voltou a nona colocação, tendo alcançado 173,5 pontos dados pelos julgadores.

Para o carnaval de 1998, o carnavalesco Jorge Freitas trouxe para a Vila Isabel o enredo “Lágrimas, suor e conquistas no mundo em transformação”, falando sobre as guerras que teriam transformado nosso mundo.

Na avaliação da imprensa carnavalesca, em anos a Vila não realizava um carnaval tão fraco, tendo tido problema com alegorias que quebraram e em quase nada impactaram nesse desfile. Na última alegoria da escola, os efeitos especiais não surtiram os efeitos prometidos, sem que o telão nele instalado funcionasse.

Mas o certo é que foi um desfile onde a escola presentou luxo em fantasias e alegorias, carros estes que no geral mostraram grandiosidade e muitos componentes sob as alegorias.

Mestre Mug sempre no comando da bateria, que por problemas na evolução, acabou não parando no segundo box da Sapucaí.

Viviane Araújo acompanhada do passista Kiko Alves embelezou esse desfile da Vila Isabel.

Por fim a escola ficou com a décima segunda colocação,  num carnaval vencido pela Estação Primeira de Mangueira e Beija Flor de Nilópolis, que acabaram empatadas.

Para seu desfile de 1999, o carnaval da Vila foi desenvolvido por Jorge Freitas, que recebeu o reforço de  João Luis de Moura. Juntos os carnavalescos desenvolveram o enredo “João Pessoa, onde o sol brilha mais cedo”, com samba enredo dos compositores Evandro Bocão, Serginho “20” e Tito.

 

Acadêmicos do Salgueiro e Vila Isabel homenagearam cidades nordestinas, mas o fato é que para a Vila faltou verba para fazer um desfile mais rico e grandioso.

A cantora Elba Ramalho brilhou a frente dos ritmistas da Vila nesse carnaval, desfile este que também, contou com personalidades e artistas com origens naquele estado brasileiro.

O fato é que no fim coube a Vila apenas a décima primeira colocação, num ano em que a supremacia foi da Imperatriz Leopoldinense.

Para o carnaval do ano 2000, a Vila Isabel trouxe de volta  o carnavalesco Oswaldo Jardim, que desenvolveu o enredo “Academia indígena de letras – Eu sou índio, eu também sou imortal”, uma justa homenagens aos nosso índios.

Oswaldo Jardim havia sido campeão com a  Unidos da Tijuca no carnaval anterior, no grupo de acesso, também levando a temática indígena para a Sapucaí.

Esse foi um carnaval bastante difícil para a escola do bairro de Noel, que naquele ano atravessava uma crise financeira e política bastante grave, o que lógico se refletiu na passagem da escola pela Sapucaí.

Nos quesitos plásticos a escola foi bastante prejudicada, mesmo contando com o talento de Oswaldo Jardim para o desenvolvimento do desfile.

A última alegoria da escola acabou tendo problemas para atravessar a Sapucaí, o que prejudicou o julgamento da agremiação azul e branco.

Jorge Tropical foi a voz oficial da escola nesse desfile, que juntamente com a bateria de Mestre Mug deram ótimo andamento ao samba, avaliado como de grande qualidade desde a fase do pré carnaval. A atriz Danielle Winits reinou a frente dos ritmistas da escola.

A comissão de frente da escola apresentou-se com ocas como elemento cenográfico do grupo, coreografada por Renata Monier.

Mais uma vez destaque para os muitos desfilantes sobre as alegorias da escola, o que dava bastante movimento as alegorias apresentadas pela agremiação, com muitas esculturas em esponja, característica do trabalho do carnavalesco.

Com esse desfile a Vila alcançou apenas a décima terceira colocação, o que a rebaixou para desfilar no grupo de acesso no carnaval de 2001, tendo a escola ficado apenas a frente da Unidos do Porto da Pedra.

Para o carnaval de 2001, desfilando no grupo de acesso carioca, a Vila trouxe o enredo “Estado maravilhoso cheio de encantos mil”, desfile esse desenvolvido por uma comissão de carnaval formada por Ricardo Pavão, Rachid, Márcia Braga, Martinho da Vila e Jorge Caribé.

O samba de autoria do compositores Claudinho, Miguel Bedê, Jejê do Caminho e Haroldo Filho funcionou bem nesse desfile, fazendo com que os integrantes da escola passassem pela Sapucaí com garra e empolgação.

Desfilando no grupo de acesso, falando do Rio de Janeiro, a Vila apresentou um desfile bastante colorido e empolgado, mas que não foi o suficiente para a escola ser promovida ao grupo principal, já que ficou com a quarta colocação.

Para 2002, foi contratado João Luis de Moura para ser o carnavalesco da escola, tendo desenvolvido o enredo “O glorioso Nilton Santos… Sua bola, sua vida, nossa Vila…”.

Foi um desfile bastante satisfatório em termos de grupo de acesso, tendo a Vila demonstrado garra de seu componentes, fantasias luxuosas, alegorias bem concebidas e realizadas.

O samba dos compositores Leno Dias, Leonel, Serginho 20, Si e Ivan da Wanda funcionou bem na Sapucaí.

Na apuração das notas, coube a Vila Isabel a segunda colocação, classificação essa contestada pela escola desde a divulgação das notas, pois um erro na apuração deu o título de campeã à Acadêmicos de Santa Cruz, que sagrou-se vitoriosa um décimo a frente da Vila.

Para seu carnaval de 2003, a Vila apresentou o enredo “Oscar Niemeyer, o arquiteto no recanto da princesa”, do carnavalesco Jorge Freitas, com samba enredo de autoria de Jorge Tropical.

Na crítica da época, outro desfile luxuoso apresentado pela Vila, mas com uma leitura um pouco difícil, para que se entendesse o enredo proposto pela escola do bairro de Noel.

O enredo teria sido uma indicação de Martinho da Vila para esse desfile da agremiação no acesso carioca, que teve Adriana Bombom como a rainha de bateria da escola.

 

Por fim coube a Vila a terceira colocação, classificação essa que deixou a escola no grupo de acesso por mais um ano, nesse carnaval onde eram comemorados os vinte anos da nova passarela da Marquês de Sapucaí.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

 

 

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