RJ – Retrospectiva do segundo decênio do sambódromo carioca – Unidos da Tijuca

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Quatro vezes campeã do carnaval carioca, desfilando no grupo principal das agremiações carnavalescas do Rio, a Unidos da Tijuca para o carnaval de 1994 contratou o carnavalesco Sylvio Cunha, que desenvolveu o enredo “Só Rio… É verão”, onde a intenção da agremiação do Borel era focar no verão carioca e tudo aquilo característico desta estação do ano na Cidade Maravilhosa.

Carlinhos de Pilares, em um único carnaval pela Unidos da Tijuca,  comandou o carro de som da escola nesse desfile, interpretando o samba enredo de autoria dos compositores Beto do Pandeiro, Gilmar Silva, Grego e Vicente das Neves.

Na avaliação da imprensa especializada da época esse foi um desfile revestido de leveza realizado pela Unidos da Tijuca, com fantasias e alegorias corretas, mas sem nada de extraordinário, de acordo com a proposta de enredo apresentado pela escola e com a presença de muitas cores.

Cerca de 4500 integrantes defenderam as cores da Unidos da Tijuca nesse carnaval, onde a comissão de frente da escola foi comandada por Carlinhos de Jesus, num desfile com muitas referências a lugares e situações tipicamente cariocas, no verão que enche a alma desse povo de muito sol, praia e mar.

Uma décima quarta colocação foi a posição lançada pela escola depois de abertos os envelopes com as notas dadas a escola pelo corpo de jurados.

Para o carnaval de 1995 o carnavalesco Oswaldo Jardim, retornando à escola, desenvolveu o enredo “Os nove bravos do Guarany”, numa homenagem da escola ao músico e maestro Carlos Gomes, sendo a segunda agremiação a pisar na pista da Sapucaí, trazendo a ópera para seu desfile.

Unidos da Tijuca – Desfile de 1995 – Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9f/Desfile_da_Escola_de_Samba_Unidos_da_Tijuca_-_Samb%C3%B3dromo_da_Marqu%C3%AAs_de_Sapuca%C3%AD%2C_1995_%282%29.jpg

Para esse desfile o carro de som da Tijuca veio sob o comando de Paulinho Mocidade, com a novidade do samba enredo, de autoria dos compositores Dário Lima e Juan Espanhol ser acompanhado pelos acordes de violinos.

Os quesitos harmonia e evolução foram bastante prejudicados com a quebra de uma alegoria em plena Sapucaí, que ficou parada por um tempo, fazendo com que os integrantes da escola que estavam logo atrás desse carro, tivessem que passar ao lado do mesmo comprometendo o julgamento da escola.

Carlinhos de Jesus, que naquele ano foi enredo no carnaval carioca num outro grupo, retornou a pista da Sapucaí novamente como coreógrafo da comissão de frente tijucana, que vinha representando as figuras do índio e do caboclo, muitas vezes presentes nas obras do homenageado.

Dessa vez houve uma melhora na colocação da escola, que conquistou com este desfile a décima segunda colocação, num carnaval onde a Imperatriz Leopoldinense foi a grande campeã.

Para seu desfile de 1996 a Tijuca levou para a passarela o enredo “Ganga – Zumbi, expressão de uma raça”, sob o comando do carnavalesco Lucas Pinto, dessa vez a escolha escolheu um enredo histórico sobre a vida de Zumbi dos Palmares, já que completava 300 anos de sua morte.

Paulinho Mocidade continuou no comando do carro de som da escola, desta vez na interpretação do samba enredo de autoria de Beto do Pandeiro.

Esse foi um desfile bastante problemático para a agremiação tijucana, que logo teve que lidar com um incêndio no carro abre alas da escola, o qual foi controlado.

Além disso houveram alegorias que quebraram, a evolução da escola apresentou problemas e para passar no tempo máximo de desfile, foi preciso que as últimas alas da escola apertassem o passo, para que a escola não perdesse preciosos pontos em seu julgamento.

Assim a escola voltou a obter apenas a décima quarta colocação com esse desfile no carnaval carioca de 1996.

Com esse desfile a escola foi premiada com o Estandarte de Ouro no quesito de passista feminino.

Para seu desfile de 1997 a Unidos da Tijuca manteve Lucas Pinto como carnavalesco tendo desenvolvido o enredo “Viagem pitoresca pelos cinco continentes num jardim”, em cujo desfile o objetivo da escola era falar sobre o Jardim Botânico carioca, fundado por Dom João VI.

Mais um desfile multicolorido apresentado pela escola do Borel passou pela Sapucaí, tratando com leveza o tema proposto falando sobre o Jardim Botânico do Rio, com foco em retratar as muitas espécies de árvores, plantas e flores existentes no local, muitas provenientes de outras partes do mundo.

Com esse desfile Fernando Horta passou pela Sapucaí na posição de presidente da escola do Borel, tendo Juju Maravilha e Paulo Roberto desfilado como primeiro casal de porta bandeira e mestre sala da agremiação azul e ouro.

Integrantes da comissão de frente representavam os nobres da família real portuguesa, com destaque para o enorme pavão, símbolo da escola, que vinha como abre alas  desse desfile.

Faltou empolgação à escola, coisa que o samba enredo não foi capaz de trazer para esse desfile da agremiação, tendo faltado também brilho a apresentação tijucana, segundo a crítica da época.

Por fim a escola conquistou a décima primeira colocação, nem ano onde a Unidos do Viradouro venceu pela primeira vez o carnaval do Rio.

Para o carnaval carioca de 1998, houve o retorno de Oswaldo Jardim a Unidos da Tijuca, onde desenvolveu o enredo “De Gama a Vasco, A epopéia da Tijuca”, com a intenção de homenagear o centenário do time de futebol carioca Vasco da Gama.

Já desde a fase do pré carnaval, o samba  de autoria dos compositores Adalto Magalha, Serginho do Porto, Márcio Paiva e Adilson Gavião foi muito executado, criando ainda mais expectativa para o desfile tijucano.

 

Marca registrada do carnavalesco Oswaldo Jardim, nas alegorias da escola muitas esculturas feitas de espuma, tendo também a agremiação se destacado pelas fantasias que apresentou.

A narração do enredo iniciou pelo navegador Vasco da Gama, para depois mergulhar na história do clube de futebol com o mesmo nome prestes a fechar seus cem anos de fundação.

Jogadores do Vasco da Gama que em 1997 haviam sido campeões brasileiros passaram nas alegorias da escola, assim como outros personagens que marcaram a história do clube carioca.

Sem maiores incidentes a Tijuca deixou a passarela depois de um desfile mediano, deixando uma boa impressão na plateia que assistiu ao desfile, mas a realidade é que terminada a apuração a escola ficou na  décima terceira colocação, o que a rebaixou para desfilar no grupo de acesso no carnaval seguinte, situação esta considerada como injusta por boa parte da imprensa carnavalesca da época.

Para o carnaval de 1999, desfilando no grupo de acesso A da época, Oswaldo Jardim apresentou para a Unidos da Tijuca o enredo “O Dono da Terra”, com foco nos usos, costumes e lendas dos índios brasileiros, os verdadeiros donos dessa nossa terra.

Unidos da Tijuca – Desfile de 1999 – Fonte: https://twitter.com/Carnavalize/status/1302395567633575940/photo/1

O samba de autoria dos compositores Vicente das Neves, Carlinhos Melodia, Haroldo Pereira, Rono Maia e Alexandre Alegria proporcionou um desfile arrebatador pela Unidos da Tijuca nesse carnaval, sendo até hoje lembrado por muitos como o melhor samba enredo daquele ano.

 

Era clara a intenção dos integrantes da escola em desfilarem com garra e determinação, clara demonstração do seu descontentamento com o rebaixamento da escola no carnaval anterior.

Destaque para o trabalho brilhante desenvolvido nos quesitos plásticos pelo carnavalesco Oswaldo Jardim, desfile este que acabou sendo comparado a desfiles realizados pelas escolas de samba que desfilaram no grupo especial.

No final a escola foi declarada a grande campeã daquele ano, com direito de voltar a desfilar no grupo especial no carnaval seguinte, ficando oito pontos na frente da segunda colocada, no caso a Unidos do Porto da Pedra.

A excelência do samba enredo desse desfile deu a Unidos da Tijuca  o Estandarte de Ouro como melhor samba enredo do grupo de acesso naquele ano.

Para o carnaval carioca do ano 2000 a Unidos da Tijuca contratou como carnavalesco da escola Chico Spinoza, responsável pelo desenvolvimento do enredo “Terra dos Papagaios… Navegar foi Preciso!!!”, com a intenção de retratar a expedição portuguesa que por fim apresentou para o restante do mundo da época nossas  terras brasileiras.

Unidos da Tijuca – Desfile de 2000 – Fonte: http://maite-proenca.blogspot.com/2011/03/carnaval-2000-defendendo-unidos-da.html

Depois do verdadeiro show de desfile apresentado no ano anterior, nesse carnaval carioca de 2000, a Unidos da tijuca fez uma bonita apresentação no carnaval onde se comemoravam os 500 anos do Brasil.

A polêmica desse desfile se deu por conta da proibição da apresentação de imagens  de santos numa alegoria da escola, situação esta que teve e até a intervenção da polícia civil já que a Igreja Católica mostrou-se insatisfeita com isso.

Nos quesitos plásticos a escola mostrou-se muito bem em termos de alegorias e fantasias que notabilizaram-se por ideias inovadoras e ótimo acabamento, com muitas cores, com predominância do azul, verde e amarelo.

David do Pandeiro esteve no comando do carro de som da escola, na interpretação de um samba bastante positivo para o desfile da agremiação tijucana.

A saída da escola da Sapucaí foi com a certeza de ter feito um belo desfile que no mínimo asseguraria à agremiação sua permanência no grupo de elite carioca.

Pelo julgamento do Estandarte de Ouro a Tijuca foi premiada no quesito de melhor mestre sala.

A quinta colocação foi a posição alcançada pela escola com este desfile, assegurando sua presença no desfile das campeãs.

Com a permanência de Chico Spinoza na escola para o carnaval de 2001, foi a vez da apresentação do enredo “A Tijuca apresenta Nelson Rodrigues pelo buraco da fechadura”, homenagem da escola ao escritor, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues.

Unidos da Tijuca – Desfile de 2001 – Fonte: LIESA – Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Alessandra Pirotelli/Camarote Brasil)

Nesse desfile era esperado da Unidos da Tijuca pelo menos o mesmo nível do desfile apresentado no carnaval anterior, mas nessa parte as expectativas de muitos acabaram sendo frustradas.

Soluções interessantes foram apresentadas em alegorias e fantasias, mas não de uma maneira uniforme, o que fez desse desfile, um desfile irregular do ponto de vista plástico.

Três alegorias apresentaram problemas mecânicos o que atrapalhou muito sua passagem pela pista da Sapucaí, havendo um atraso muito grande na entrada da última alegoria na passarela, o que acarretou sérios problemas de evolução no desfile tijucano.

Wantuir, um dos autores do samba, estreou como interprete da escola, mas  o fato é que o samba de autoria dos compositores  Vicente das Neves, Gilmar L. Silva, Douglas, Toninho Gentil e do próprio Wantuir não rendeu aquilo que era esperado para a empolgação da plateia e dos integrantes da agremiação amarelo e azul.

A inesquecível Fábia Borges reinou absoluta a frente dos ritmistas da Unidos da Tijuca nesse carnaval.

Por fim Unidos da Tijuca e Portela terminaram com o mesmo número de pontos, cabendo a escola do Borel a nona colocação, deixando a Portela para trás, nos quesitos de desempate.

Para o carnaval de 2002 aconteceu na Tijuca a chegada do carnavalesco Milton Cunha, que para esse primeiro ano na escola desenvolveu o enredo “O sol brilha eternamente sobre o mundo de língua portuguesa”, com uma proposta da agremiação realizar uma viagem pelos países ligados pela língua portuguesa.

Unidos da Tijuca – Desfile de 2002 – Fonte: http://www.pedromigao.com.br/ourodetolo/wp-content/uploads/2014/02/tijuca2002.jpg

Destaque  para o grupo da comissão de frente da escola, que coreografada por Marcelo Misailidis, em determinado ponto da apresentação, com uma página da obra Os Lusíadas, de Luiz de Camões, formava um típico barquinho por onde a escola viajaria por diversos países que adotam a língua portuguesa como idioma.

Destaque para os quesitos visuais da escola, com alegorias apresentando ótimas soluções e fantasias bastante coloridas, bem concebidas e realizadas, formando um conjunto interessante para esse desfile tijucano.

Destaque também para o canto dos integrantes da escola, que mostraram garra e força ao interpretar o samba enredo de autoria dos compositores Haroldo Pereira, Valtinho Júnior e Wantuir.

Problemas na evolução da escola puderam ser identificados durante sua passagem pela Sapucaí, tanto que foi ultrapassado o limite máximo de tempo para o desfile, segundo regulamento, prejudicando a escola durante a apuração das notas recebidas do corpo de jurados.

Para o júri do Estandarte de Ouro a Tijuca foi a vencedora nos quesitos comissão de frente, ala de baianas e enredo.

Coube por fim a Unidos da Tijuca com esse desfile uma décima colocação, num carnaval onde a Estação Primeira de Mangueira venceu pela diferença de um décimo a Beija Flor de Nilópolis.

Para o desfile da Unidos da Tijuca no carnaval de 2003, com a permanência do carnavalesco Milton Cunha, coube a escola apresentar o enredo “Agudás, os que levaram a África no coração, e trouxeram para o coração da África, o Brasil”, com a contratação do interprete Nêgo para comandar o carro de som tijucano.

Unidos da Tijuca – Desfile de 2003 – Fonte: LIESA – Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Alessandra Pirotelli/Camarote Brasil)

Para esse desfile, quando eram comemorados os vinte anos do sambódromo carioca, a Unidos da Tijuca apresentou um dos melhores enredos daquele ano e segundo a crítica possuía também o grande samba daquele carnaval, obra dos compositores Haroldo Pereira, Valtinho Junior e Wantuir, os mesmos compositores do ano anterior.

Dessa vez a proposta do enredo era falar sobre os escravizados brasileiros que retornaram para a África e levaram para lá um pouco da nossa cultura.

Vários problemas acabaram acontecendo nessa apresentação da Unidos da Tijuca, a começar pela comissão de frente que entrou na passarela com seus figurinos incompletos e também problemas com alegorias bem no início do desfile, que acabou deixando formar um “buraco” na evolução da agremiação do Borel, situações estas que renderiam a perda de valiosos pontos.

A exuberante Fábia Borges reinava absoluta a frente da bateria tijucana.

Outro quesito prejudicado foi harmonia, uma vez que o samba excelente da escola, no desfile não rendeu tudo aquilo esperado, tendo a bateria apresentado um ritmo muito acelerado para os padrões da obra a ser interpretada.

Não bastassem todos os problemas enfrentados pela escola para pisar na Sapucaí, ainda houve a queda da atriz Neusa Borges de um carro da agremiação, o que lhe rendeu um série de fraturas e a necessidade inclusive de procedimento cirúrgico.

Unidos da Tijuca – Desfile de 2003 – Fonte: http://bp2.blogger.com/_DQ_kQ3dymI8/SHbf05rPjyI/AAAAAAAAALE/kjmUMt7Q49A/s1600-h/lucinha+2003.jpg

Foram também destaque desse desfile o casal de porta bandeira e mestre sala Lucinha Nobre e Rogerinho, na defesa e apresentação do pavilhão tijucano, casal que garantiu os quarenta pontos.

A escola do Borel acabou sendo premiada pelo Estandarte de Ouro nos quesitos samba enredo, enredo e porta bandeira, para Lucinha Nobre.

Com todos os problemas  desse desfile, a Unidos da Tijuca acabou na nona colocação, ficando portanto fora da noite das campeãs, situação essa que se repetia desde o carnaval de 2001.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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