RJ – Retrospectiva do segundo decênio do sambódromo carioca – União da Ilha do Governador

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Para seu carnaval de 1994 a União da Ilha do Governador, através do enredo “Abrakadabra, o despertar dos Mágicos” do carnavalesco Chico Spinoza, trouxe para a Sapucaí o melhor desfile da escola desde o carnaval de 1989, abordando tudo aquilo que poderia ser considerado “mágico”.

União da Ilha do Governador – Desfile de 1994 – Fonte: https://twitter.com/TamminenJuha/status/1205226286236471297/photo/3

Destaque para o conjunto visual apresentado pela escola, com requinte e sofisticação, numa divisão de cores que muito agradou a plateia daquele ano e a crítica carnavalesca, apresentando o enredo proposto pela agremiação insulana com bastante clareza, outro ponto bastante importante.

No conjunto de alegorias apresentadas pela escola destaque para duas delas, “Era de Aquarius” e “Alquimia”, tendo nessa última  desfilado o escritor Paulo Coelho.

Esse desfile marcou o retorno de Quinho como intérprete da escola, numa interpretação majestosa do samba enredo de autoria dos compositores Franco e Almir da Ilha, contando com a bateria de Mestre Paulão numa sustentação praticamente perfeita.

União da Ilha do Governador – Desfile de 1994 – Fonte: https://twitter.com/TamminenJuha/status/1205226286236471297/photo/1

Comparativamente com outras agremiações a Ilha nos quesitos luxo e técnica não foi a melhor naquele carnaval, mas  o fato é que a agremiação foi a primeira, naquele carnaval, a receber gritos de “é campeã” quando já estava na área da praça da apoteose.

Esse desfile rendeu a escola insulana uma quarta colocação, num ano onde a vitoriosa foi a Imperatriz Leopoldinense.

Permanecendo a  frente da União da Ilha para o carnaval de 1995, o carnavalesco Chico Spinoza dessa vez desenvolveu o enredo “Todo dia é dia de Índio”, dessa vez defendendo a população indígena brasileira citando Oswald de Andrade e seu manifesto antropofágico.

Coube a agremiação ser a quarta a passar pela Sapucaí, nesse desfile tendo o retorno de Aroldo Melodia na interpretação de um samba de autoria dos compositores Franco e Almir da Ilha, um samba bem animado, coisa característica da escola, com ótima sustentação da bateria de Mestre Paulão.

Na elaboração de alegorias com materiais alternativos, o carnavalesco Chico Spinoza obteve bom resultado no geral.

Dil Costa foi figura de destaque no grupo da comissão de frente, tendo tido a responsabilidade de coreografar esse grupo de bandeirantes.

Paulo Roberto e Babi brilharam apresentando o pavilhão da escola como primeiro casal de porta bandeira e mestre sala e a gaúcha Deise Nunes ocupou o posto de rainha de bateria da escola, bateria esta que veio nas cores da agremiação.

União da Ilha do Governador – Desfile de 1995 – Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b0/Uni%C3%A3o_da_Ilha_do_Governador_1995_-_Wigder_Frota.jpg

Baianas multicoloridas passaram com muita leveza e alegria pela Sapucaí, sendo que a última alegoria apresentada trazia uma favela, na intenção de protestar pela situação de que quem de fato faz o carnaval, muitas vezes fica afastado da Marquês de Sapucaí.

Mas o certo é que o desfile foi inferior ao do carnaval anterior, terminando a agremiação apenas com a décima primeira colocação.

Para o desfile da agremiação insulana de 1996 Chico Spinoza desenvolveu o enredo “A Ilha faz uma viagem a pintada encantada”, carnaval no qual a intenção da escola era contar a história da galinha d’Angola.

Nesse carnaval a União da Ilha sucedeu o desfile do Acadêmicos do Salgueiro, que passou muito bem pela Sapucaí, começando pela beleza da comissão de frente com caravelas, trazendo a simbologia da navegação que auxiliou na época a que a galinha d’Angola fosse distribuída em várias partes do mundo daquela época.

Monique Evans brilhou no carro abre alas da escola numa representação da deusa Artemis.

Ito Melodia estreou nesse ano como primeiro intérprete da escola, com um samba de autoria dos compositores Alberto Varejão e Vicentinho, que ajudou a escola a passar pela Sapucaí empolgada e com boa evolução, até que houve um problema com uma alegoria ainda na concentração, que atrapalhou muito o julgamento da agremiação insulana em vários quesitos.

Frente a este problema, precisou a escola acelerar sua passagem para não estourar o tempo máximo de desfile, sendo que nem mesmo a bateria parou no segundo box por este motivo.

União da Ilha do Governador – Desfile de 1996 – Fonte: https://medium.com/desenredando/a-galinha-que-viajou-o-mundo-5cc2376c28c8

Foi mais um desfile multicolorido da escola da Ilha do Governador, com destaque para o acabamento e iluminação das alegorias, rendendo dessa vez apenas a décima segunda colocação para a escola, num desfile que foi considerado cheio de altos e baixos pela crítica carnavalesca da época.

Com esse desfile a escola foi premiada com o Estandarte de Ouro de melhor ala infantil.

Para o desfile de 1997, a escola trocou de carnavalesco, contratando Roberto Szaniecki para o posto, tendo este desenvolvido o enredo “Cidade Maravilhosa, o sonho de Pereira Passos”, sobre o projeto do Prefeito Pereira Passos de revitalizar a cidade do Rio de Janeiro.

Mas  o fato é que não foi um desfile tranquilo, tendo a agremiação entrado na Sapucaí com o anúncio de que o carnavalesco havia sido demitido mesmo antes de apresentar seu desfile para o público.

Nesse carnaval coube a Ilha passar logo após o desfile vitorioso da Unidos do Viradouro, iniciando sua apresentação com a representação da Belle Époque.

A proposta do carnavalesco para as alegorias criadas para esse desfile era de que representassem situações e fatos diversos na frente e no verso da alegoria, mas  o fato é que algumas alegorias careceram de melhor acabamento e finalização.

Na avaliação da imprensa da época o samba de autoria dos compositores Bujão, Carlinhos Fuzil e Wanderlei Novidade não empolgou a escola, como era tradição.

Nesse desfile Jerônimo e Andreia foram o primeiro casal de porta bandeira e mestre sala da escola apresentados na Sapucaí pela lendária Wilma Nascimento, considerada  o “cisne da passarela”.

As fantasias da escola talvez tenham pecado no seu peso, o que fez com que o insulano não tivesse evoluído como era costume da escola nesse carnaval, onde a agremiação terminou na décima segunda colocação, muito perto de ser rebaixada.

Para o carnaval carioca de 1998 a Ilha contratou Milton Cunha para o posto de carnavalesco da escola, tendo ele apresentado o enredo “Fatumbi – A ilha de todos os santos”, narrando a história do fotógrafo francês Pierre Verger, que aderiu  ao candomblé no Brasil. Esse enredo rendeu a escola  o Estandarte de Ouro no quesito, tendo a escola também vencido no quesito revelação.

União da Ilha do Governador – Desfile de 1998 – Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/23/Uni%C3%A3o_da_Ilha_do_Governador_1998_-_Wigder_Frota.jpg

Nesse carnaval a agremiação insulana ficou com a obrigação de encerrar o carnaval de 1998 com seu desfile, também com altos e baixos, que já nas alegorias houveram problemas, até mesmo durante o desfile da escola na Sapucaí.

O samba dos compositores Márcio André, Almir da ilha e Maurício 100 agradou muito a plateia e ajudou a escola a passar pela Sapucaí com muita alegria e boa evolução, tendo na interpretação de Rixxa e na bateria de Mestre Paulão o apoio necessário.

 

Muitas beldades abrilhantaram esse desfile da Ilha como Viviane Araújo, Núbia Oliver, Kiko Alves, Deise Nunes, Miguel Falabella, dentre outros.

Com relação os carnavais anteriores a Ilha com esse desfile melhorou de classificação, ficando nesse carnaval com a nona colocação, num ano de empate no primeiro lugar entre Estação Primeira de Mangueira e Beija Flor de Nilópolis que alcançaram 270 pontos no final da apuração.

Para o carnaval carioca de 1999 a União da Ilha preparou o enredo “Barbosa Lima, 101 anos do sobrinho do Brasil”, numa homenagem a este grande ícone da comunicação do nosso país.

Para esse carnaval Rixxa chegou a gravar o samba da escola, de autoria dos compositores Bicudo, Djlama Falcão, dito e Jota erre, mas  o fato é que por divergências, Rixxa não esteve com a Ilha na Marquês de Sapucaí, deixando essa função para a dupla Maurício 100 e Roger Linhares .

Deise Nunes, comemorava com esse desfile seus dez anos na escola a frente dos ritmistas de Mestre Paulão.

Na fase de preparação desse desfile a escola insulana deve ainda que lutar contra um incêndio e posterior a isso, uma enchente atingiu o barracão da escola, o que exigiu muita união para refazer aquilo atingido e colocar um bom desfile na passarela carioca.

Foi um desfile bastante colorido, aliás característica do trabalho de Milton Cunha, desfile este que não contou com a presença do homenageado, que pela idade avançada, preferiu assistir pela TV essa homenagem da União da Ilha.

De novo a escola trouxe uma multicolorida ala de baianas, tendo a irreverência do carnavalesco Milton Cunha sido mais uma vez observada com a comissão de frente da escola formada por drags grávidas, numa profusão de verde e amarelo.

Houveram problemas com a evolução da escola, mesmo que o samba tenha ajudado bastante nesse desfile insulano.

E ao final da apuração das notas dadas pelo corpo de jurados, a Ilha voltou a conseguir apenas a décima colocação, nesse carnaval vencido pela Imperatriz Leopoldinense, seguida pela Beija Flor de Nilópolis.

Para o carnaval do ano 2000, Milton Cunha foi substituído por Mário Borrielo, ele que conduziu o desenvolvimento do  enredo “Pra não dizer que não falei de flores”, falando sobre a ditadura militar, mas sob a ótica dos artistas que desafiaram esse período sombrio da nossa história brasileira.

União da Ilha do Governador – Desfile de 2000 – Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1e/Uni%C3%A3o_da_Ilha_do_Governador_2000_-_Wigder_Frota.jpg

Dessa vez uma das novidades era Mestre Bira no comando da bateria insulana, bateria esta que de novo repetiu com muita categoria os desfiles já realizados, com muita qualidade na cadência e nas paradinhas apresentadas, tendo Deise Nunes a frente dos ritmistas insulanos por mais um ano.

Elza Soares foi uma das personalidades que abrilhantou esse desfile da Ilha acompanhando o carnavalesco Mário Borriello.

Mas a realidade é que as alegorias apresentadas careceram de um maior impacto, com destaque para o carro abre alas e as esculturas dos macacos sábios, estando as cores da escola bem presentes nesse desfile.

Dessa vez o samba enredo era de autoria dos compositores Marquinhos do Banjo, Niva e Franco, samba que não explodiu na avenida, mas se  prestou bem para sustentar esse desfile da Ilha.

 

A oitava colocação foi a posição alcançada pela Ilha nesse carnaval, onde a Imperatriz Leopoldinense foi de novo a grande vitoriosa.

Para o carnaval de 2001 foi a vez de Wany Araújo assumir o cargo de carnavalesco insulano, tendo para esse carnaval desenvolvido o enredo “A União faz a força, com muita energia!”, enredo neste onde a escola falou sobre a energia

Wander Pires nesse carnaval comandou o carro de som da Ilha, tendo Deise Nunes deixado de desfilar a frente da bateria da escola, para dessa vez abrilhantar o carro abre alas desse ano. Em termos de comissão de frente, houveram problemas com as fantasias do grupo, tanto que partes das roupas caíram durante a passagem da escola na Sapucaí, necessitando sua recolocação para que a agremiação não fosse tão penalizada nesse quesito.

Na avaliação da crítica da época fantasias e alegorias careceram de uma melhor concepção, num tapete cromático que foi desarmônico no seu conjunto.

Dentro os vários tipos de energia trazidos pela escola, as baianas traziam a energia do carnaval para a pista da Sapucaí.

Mas o fato é que esse desfile bastante problemático deu a escola apenas a décima terceira colocação, o que a credenciou a ser rebaixada nesse carnaval, para  desfilar no ano seguinte na segunda divisão do carnaval carioca, depois de desfilar por vinte e sete anos no grupo principal da folia carioca.

Para a folia carioca de 2002, Mário Borriello retornou ao posto de carnavalesco da União da Ilha, com a função de levar de volta a escola para o grupo de elite das escolas de samba do Rio.

Para esse ano o enredo apresentado foi “Folias de Caxias – De João a João… É o carnaval da União!”, numa exaltação a cidade de Duque de Caxias, localizada na região metropolitana do Rio.

O sonho de voltar a elite do carnaval carioca, com esse desfile acabou tendo que ser adiado, já que houveram problemas durante a passagem da escola, que contou com poucos recursos para pôr esse desfile na Sapucaí, o que pôde ser muito bem avaliado com a passagem das baianas sem o chapéu da fantasia.

Ito Melodia comandou o carro de som da escola, acompanhado de seu pai Aroldo Melodia na passagem da agremiação insulana.

Valéria Valenssa abrilhantou esse desfile da União da Ilha, com o corpo coberto apenas por pinturas em tonalidades prateadas.

Pelos comentaristas desse desfile, faltou originalidade e criatividade na concepção das alegorias da escola, tendo os destaques salvo o visual desses carros.

Ao final da apuração, a Ilha conquistou apenas a terceira colocação, situação essa que a deixava no mesmo grupo para o carnaval seguinte.

Para o carnaval do ano de 2003 Paulo Menezes assumiu como carnavalesco da União da Ilha, tendo ele desenvolvido o enredo “Chega em seu cavalinho azul uma bruxinha boa. A Ilha trouxe do céu Maria Clara Machado”.

União da Ilha do Governador – Desfile de 2003 – Fonte: https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/a-uniao-da-ilha-na-avenida-22423268

Foi um desfile bem ao estilo da Ilha, com muita empolgação, colorido e muita garra de seus desfilantes, tendo a escola desfilado ao amanhecer, já com os primeiro raios de sol.

Deise Nunes nesse desfile voltou a ocupar sua posição a frente dos ritmistas da agremiação insulana.

A abertura desse desfile foi já com as cores da escola, com uma comissão de frente muito bem vestida e coreografada, até hoje muito lembrada pelos amantes do carnaval pelo impacto que causou.

União da Ilha do Governador – Desfile de 2003 – Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/88/Uni%C3%A3o_da_Ilha_2003_12.jpg

O samba enredo de autoria dos compositores Márcio André, Almir da Ilha, Miguel e Roxinho ajudou muito bem a escola a contar a vida e obra de Maria Clara Machado.

 

Muitos alunos e admiradores de Maria Clara Machado engrossaram as alegorias e alas da escola insulana.

De novo a alegria e empolgação do componente da escola se fez presente nesse desfile multicolorido, onde os personagens criados pela homenageada foram muito bem representados nessa passagem da escola pela Sapucaí, mas dessa vez o vice campeonato alcançado pela Ilha fez com o que o sonho de voltar ao grupo principal fosse mais uma vez adiado.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

 

 

 

 

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