RJ – Retrospectiva do segundo decênio do sambódromo carioca – Império Serrano

0
414

 

Nove vezes campeã do carnaval carioca, o tradicional Império Serrano para seu desfile de 1994 escolheu presentar o enredo “Uma Festa Brasileira”, enredo esse praticamente igual ao da Imperatriz Leopoldinense, dos carnavalescos Cid Camilo e Sanclair Boiron.

Esse foi um desfile bastante problemático para a escola da Serrinha, já que aconteceu a quebra de três alegorias, situação essa que acabou prejudicando a agremiação em vários quesitos de julgamento.

Destaque para a beleza da coroa imperiana apresentada no carro abre alas da agremiação, símbolo máximo da escola, numa profusão de dourado, verde e prata.

O trio de compositores Beto Pernada, Lula e Zito foi responsável pelo bom samba apresentado pela agremiação verde e branco, samba esse que foi muito bem cantado pelos interpretes Roger da Fazenda e Carlinhos da Paz.

Conforme a escola foi evoluindo pode ser observado que as cores oficiais da agremiação, somadas ao dourado, estavam muito presentes nesse desfile imperiano.

A terceira alegoria da caravela também foi bastante aplaudida pela sua concepção e realização.

Império Serrano – Desfile de 1994 – Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=eFquQySXFm0

Edicléia veio a frente da bateria como rainha dos ritmistas imperianos, todos vestidos com figurino que lembrava os espanhóis e os indígenas brasileiros, numa fusão de estilos.

As baianas da escola eram tradicionais em seu figurino branco, com o tabuleiro de quitutes no chapéu da roupa.

Foi um final de desfile melancólico, pelo problema da escola com as alegorias que acabaram não passando pela Sapucaí, tendo ao final a agremiação alcançado apenas a  décima sexta colocação, uma vez que iniciou a apuração perdendo cinco pontos pelo problema com a quebra de alegorias.

A sorte da escola é que nesse ano não houve rebaixamento de nenhuma agremiação para o grupo de acesso na época.

Para o carnaval de 1995 a carnavalesca Lilian Rabelo assumiu o carnaval do Império Serrano, tendo desenvolvido o enredo “O Tempo não Pára”, enredo esse trazendo a temática sobre a batalha do ser humano contra o tempo, cabendo a escola fechar os desfiles da primeira noite.

O céu do Rio de Janeiro já estava claro quando o Império Serrano entrou na passarela da Sapucaí.

Foi outro desfile imperiano que sofreu muito com a carência de recursos financeiros para colocar esse enredo na passarela, situação esta nítida nas alegorias e fantasias apresentadas, no comparativo com outras agremiações cariocas.

O samba enredo de auditoria dos compositores Jorge Lucas, Luis Carlos do Cavaco e Maurição, muito bem avaliado na fase do pré carnaval daquele ano, na passarela não rendeu aquilo esperado, mesmo que a bateria imperiana tenha feito a sua parte com maestria, assim como o intérprete Roger da Fazenda.

Núbia Oliver na companhia do passista Kiko Alves embelezou o desfile imperiano, assim como a modelo Vanessa de Oliveira que veio obre uma alegoria apresentada, desfile no qual Rita Freitas e Claudinho apresentaram o primeiro pavilhão imperiano.

Kissia nesse desfile ocupou o posto de madrinha da bateria que notabilizou-se pelo toque certeiro de seus agogôs.

Durante a transmissão desse desfile pela extinta Rede Manchete o figurino da ala de baianas foi duramente criticado pelo carnavalesco Fernando Pamplona que estava na condição de comentarista, pela falta de tradição da roupa apresentada.

Com esse desfile o Império Serrano classificou-se com a décima quinta colocação, diante de tudo aquilo apresentado, melhorando sua colocação com relação ao carnaval anterior.

Para 1996 o Império Serrano trouxe para a Sapucaí o enredo “Verás que Um Filho Teu não Foge à Luta”, enredo esse que foi desenvolvido pelos carnavalescos Ernesto Nascimento e Actir Gonçalves, enredo esse em homenagem ao sociólogo Betinho e seu trabalho para erradicar a fome.

Destaque absoluto para o samba enredo imperiano apresentado nesse carnaval, de autoria dos compositores Aluizio Machado, Arlindo Cruz, Beto Pernada, Índio do Império e Lula.

 

A escola julgou que o problema da fome precisava ser exposto e a figura de Betinho simbolizava muito bem a batalha contra a fome que assolava e ainda assola milhares de lares brasileiros, além da luta pela democracia.

Império Serrano – Desfile de 1996 – Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/67/IMP%C3%89RIO_SERRANO_1996_-_BETINHO.jpg

Os problemas de dinheiro para pôr esse desfile na Sapucaí persistiam, mas dessa vez a temática do enredo e o desenvolvimento deste fizeram com que o Império Serrano obtivesse melhor resultado, comparativamente aos últimos  desfiles da agremiação.

Dessa vez a sensação é de que alegorias e fantasias tiveram uma melhor concepção e realização, comparativamente a carnavais anteriores apresentados pela agremiação verde e branco.

Jorginho do Império comandou o carro de som da escola, na sustentação de um samba enredo que passou muito bem pela passarela, numa escola que desfilou com muita garra ao defender suas cores e exaltar a figura do grande homenageado, que passou pela Sapucaí no último carro apresentado pela escola, emocionando a muitos que assistiram a este desfile.

Tudo conjugou-se tão bem que a escola obteve a sexta colocação geral, num carnaval vencido pela Mocidade Independente de Padre Miguel.

Para o carnaval de 1997 o Império Serrano deixou de comemorar na Sapucaí os cinquenta anos da escola para apresentar um enredo cujo personagem principal era a figura de Beto Carrero.

Império Serrano – Desfile de 1997 – Fonte: https://twitter.com/ORioAntigo/status/1258584374007803906/photo/1

Parece que a possibilidade de realizar um desfile com patrocínio fez o Império Serrano escolher homenagear o mundo de Beto Carrero, mas a realidade é que esse desfile não chegou nem perto dos bons momentos da agremiação na Sapucaí.

O desenvolvimento do enredo “O Mundo dos Sonhos de Beto Carrero” ficou a cargo do carnavalesco Jerônimo Guimarães contratado pela escola.

O fato é que esse enredo não conquistou a plateia presente na Sapucaí, tendo sido quase nula a interação entre o público e a escola, não tendo nem o samba enredo apresentado nesse desfile força para empolgar a comunidade da Serrinha.

A agremiação percorreu as atrações do parque construído pelo homenageado no estado de Santa Catarina, sendo que Beto Carrero esteve sobre a última alegoria apresentada pela escola, que durante sua passagem pela Sapucaí teve problemas nos quesitos evolução e harmonia.

O estilo country do homenageado já vinha desde a comissão de frente apresentada, mesmo que a primeira parte do desfile tenha sido realizada em alusão ao cinquentenário da agremiação, para logo após iniciar a falar sobre o homenageado e sua trajetória.

Já no início da apuração o Império Serrano perdeu quatro pontos por não respeitar itens do regulamento do desfile, tendo ao final ficado apenas com a décima quinta colocação, o que a rebaixou para o grupo de acesso no carnaval carioca de 1998.

Para o carnaval de 1998 o Império Serrano contratou o carnavalesco João Luis de Moura que desenvolveu o enredo “Sou o Ouro Negro da Mãe África”.

Foi uma bela apresentação realizada pela escola da Serrinha, dessa vez desfilando na segunda divisão do carnaval do Rio, no intuito de alcançar colocação que lhe possibilitasse retornar ao grupo principal de escolas de samba.

Finalizada a apuração o Império Serrano alcançou o campeonato com esse desfile tendo obtido nota máxima em todos os quesitos de julgamento.

O samba-enredo desse desfile era de autoria dos compositores Deo Alexandre, Gonzagão, Gonzaguinha, Otávio Samba, Paulinho Gafieira e Marcão da Serrinha, sendo que Carlinhos da Paz foi o intérprete oficial da agremiação nesse desfile.

No retorno da escola ao grupo principal, para o carnaval de 1999 a agremiação contratou o carnavalesco Mário Borriello que apresentou o enredo “Uma Rua Chamada Brasil”, enredo com o qual a intenção da escola era contar a história dos brasileiros que tentavam ganhar a vida na cidade de Nova York.

Em seu retorno ao grupo de elite das escolas de samba cariocas, o Império Serrano não conseguiu de novo colocar na Sapucaí um desfile competitivo, onde aparecia claramente a falta de recursos financeiros para pôr o carnaval da escola na avenida.

Logo no abre alas da escola uma figura do super homem em verde e amarelo segurava a coroa símbolo da escola, como se estivesse prestes a voar.

Além do fato do samba enredo não ter sido capaz de empolgar a escola nesse desfile, a agremiação teve sérios problemas de evolução e harmonia.

Locais genuinamente americanos como Chinatown, Brodway, Central Park e outros passaram pela Sapucaí com esse desfile da escola da Serrinha, não se deixando de falar de Carmen Miranda que muito sucesso fez pelas terras americanas.

Esse desfile foi encerrado pela ala de baianas do Império Serrano, com um belo figurino nas cores verde e amarelo.

Coincidentemente as duas escolas que haviam sido promovidas no ano anterior, acabaram de novo sendo rebaixadas ao grupo de acesso novamente para o carnaval do ano 2000, Império Serrano e São Clemente, que alcançaram a décima terceira e a décima quarta colocação respectivamente.

De volta ao grupo de acesso no carnaval carioca do ano 2000, o Império Serrano dessa vez apresentou o enredo “Os Canhões de Guararapes” do carnavalesco Sylvio Cunha.

Para esse desfile o samba enredo da escola era de autoria dos compositores Marco Cabeça Branca, Paulinho Manahu e Zé Ferreira, samba esse que sustentou muito bem o desfile da agremiação verde e branco.

 

Foi um desfile bem ao estilo do Império Serrano, falando sobre uma parte da nossa história nacional, com foco no nordeste e no período  em que Maurício de Nassau esteve por aquelas terras.

De novo a agremiação da Serrinha conquistou o campeonato da segunda divisão do carnaval carioca com notas dez em todos os quesitos, somando no final um total de duzentos pontos, o que assegurou seu retorno ao grupo principal no carnaval de 2001.

Para seu desfile no carnaval de 2001 o Império serrano permaneceu com o carnavalesco Sylvio Cunha, tendo agregado ainda as figuras de Ernesto Nascimento e Actir Gonçalves para o desenvolvimento do enredo “O Rio Corre pro Mar”, versando sobre a figura dos estivadores e o porto da cidade do Rio de Janeiro.

Império Serrano – Desfile de 2001 – Fonte: https://www.galeriadosamba.com.br/espaco-aberto/topico/2001-passa-a-regua-e-da-pro-santo-que-agotime-chegou/254714/

O samba enredo de autoria de Arlindo Cruz, Maurição, Elmo Caetano e Carlos Senna era considerado dos melhores da safra daquele carnaval e serviu bem para empolgar a plateia e a escola em sua passagem pela Sapucaí, abrindo a segunda noite de desfiles.

Claudinho e Janaína defenderam o quesito de mestre sala e porta bandeira, desfilando com uma fantasia predominantemente preta, com alguns itens nas cores verde e prata.

Nesse desfile destacaram-se a bateria imperiana e o samba enredo da escola, tendo o samba sido cantado por Carlinho da Paz que acabou premiado com o Estandarte de Ouro no quesito.

Houveram problemas na evolução da agremiação, já que foi necessário que acelerassem o passo para não estourar o tempo máximo de desfile com a perda de preciosos pontos.

O Império Serrano acabou ficando com a décima primeira colocação com esse desfile, num ano em que a Imperatriz Leopoldinense foi a grande vencedora.

Para o carnaval de 2002, do trio de carnavalescos do ano anterior, permaneceu na escola apenas Ernesto Nascimento, que dessa vez trabalhou na apresentação do enredo  Aclamação e Coroação do Imperador da Pedra do Reino: Ariano Suassuna”, uma homenagem ao escritor Ariano Suassuna.

Império Serrano – Desfile de 2002 – Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:O_escritor_Ariano_Suassuna_desfila_pelo_escola_de_samba_Imp%C3%A9rio_Serrano_no_carnaval_de_2002,_no_Sambodromo_da_Marqu%C3%AAs_de_Sapuca%C3%AD,_no_Rio_de_Janeiro..jpg

Carlinhos da Paz  continuava como primeira voz do carro de som imperiano, sendo que nesse desfile teve ao seu lado Quinzinho, ambos cantando o samba de autoria dos compositores Aluizio Machado, Maurição, Elmo Caetano, Carlos Senna e Lula.

 

Com esse desfile o Império Serrano retornou a fazer um desfile bastante elogiado pela crítica carnavalesca, começando pela apresentação de um bela comissão de frente abrindo o desfile da agremiação com a figura dos “brincantes”, personagens cômicos sempre presentes nos livros do homenageado.

Alegorias e fantasias foram muito bem concebidas e realizadas, com acabamento bastante notado e perfeito, sendo que a nudez foi muito controlada , já que era solicitação do escritor homenageado que as mulheres estivessem bem vestidas, pedido esse que a escola atendeu.

Ariano Suassuna acabou passando pela Sapucaí na última alegoria imperiana, sendo que sua presença no desfile até pouco antes de seu início era uma incógnita, sendo então coroado como Imperador da Pedra do Reino.

A bateria do Império Serrano tinha a sua frente dois mestres Macarrão e Átila e como já era tradição foi dos pontos altos do desfile da escola com sua cadência própria e o som dos agogôs.

Com esse desfile a escola conquistou a nona colocação, tendo somado um total de 384,7 pontos dos julgadores, tendo o campeonato sido conquistado pela Estação Primeira de Mangueira.

Para seu desfile no carnaval de 2003 o Império Serrano permaneceu om Ernesto Nascimento como carnavalesco, para dessa vez apresentar o enredo “E Onde Houver Trevas que se Faça a Luz”, enredo este no qual a escola falou sobre a energia e o poder da luz.

Foi ingrato para o Império Serrano desfilar após as ótimas apresentações da Acadêmicos do Grande Rio e da Unidos do Viradouro, que realizaram belíssimas apresentações em suas passagens pela Sapucaí.

Destaque para o samba de autoria dos compositores Aluísio Machado, Arlindo Cruz, Carlos Sena, Maurição e Elmo Caetano, obra que foi muito bem cantada pelos integrantes da escola, mas de fato não empolgou a plateia presente na Sapucaí. Vantuir foi o interprete oficial do Império Serrano nesse desfile.

Alegorias muito bem iluminadas, acabaram, mostrando problemas de concepção e realização das mesmas, com acabamento deficiente.

Império Serrano – Desfile de 2003 – Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/6/6b/Desfile_das_escolas_de_samba_do_Rio_de_Janeiro_de_2003.jpg

A luz do sol era representada pela ala de baianas da escola em seus figurinos muito brilhantes e de bom gosto.

Fabiana Andrade reinou a frente dos ritmistas imperianos nesse carnaval, num ano onde mais uma vez a bateria foi bastante elogiada na cadência empregada durante todo o desfile.

Por fim a escola alcançou apenas a décima segunda colocação com esse desfile, num carnaval onde foi rebaixada a Acadêmicos de Santa Cruz e a Beija Flor de Nilópolis foi a grande vencedora.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui