RJ – Retrospectiva do segundo decênio do sambódromo carioca – Estácio de Sá

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Campeã do carnaval carioca de 1992 de forma inédita, a Estácio de Sá para o carnaval de 1994 desenvolveu o enredo “S.A.A.R.A…. A Estácio chegou no iê iê iê de alalaô”, sob a orientação do carnavalesco Alexandre Louzada, com foco na região de comércio popular que existe no centro da cidade do Rio de Janeiro.

Esse foi um desfile que segundo a crítica passou bem longe dos melhores momentos da Estácio de Sá na passarela da Marquês de Sapucaí, ao longo de sua história.

O samba enredo de autoria dos compositores Edmilson, Fininho, Marinho e Pereira de fato não rendeu na avenida para um desfile empolgado e cheio de garra, mesmo com a interpretação magistral de Dominguinhos do Estácio.

Problemas na evolução da escola foram facilmente identificados, já que a agremiação teve problemas com alegorias durante sua passagem pela Sapucaí, necessitando ao final do desfile que uma correria de alas evitasse que a escola passasse do tempo máximo de desfile previsto em regulamento.

As alegorias apresentadas não eram grandiosas nem causaram maiores impactados nesse desfile da agremiação.

A atriz Camila Pitanga nesse carnaval esteve a frente dos ritmistas estacianos, ocupando o posto de madrinha da bateria, esbanjando muita alegria e samba no pé.

A figura dos mercadores foi representada já na comissão de frente da escola, que contou também com a participação da coreógrafa do grupo na apresentação.

O tapete cromático apresentado pela escola também recebeu elogios pela harmonia apresentada, com fantasias de fácil leitura em cores bem marcantes, com muito vermelho, dourado e laranja.

Na época por várias questões, foi publicizado que o carnaval da agremiação foi preparado, especialmente no tocante as alegorias, com muito pouco tempo de antecedência dos festejos de Momo.

Estácio de Sá – Desfile de 1994 – Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com/gente-boa/post/com-carnaval-mais-enxuto-numero-de-camisas-de-diretoria-e-reduzido.html

Claudinho e Selminha Sorriso formavam o primeiro casal de mestre sala e porta bandeira da Estácio, ambos vestidos com fantasias nas cores da agremiação, branco e vermelho.

Esse desfile, depois de encerrada a apuração das notas do corpo de jurados, deu a escola apenas a décima terceira colocação com 274 pontos, mesmo número de pontos obtido pela Acadêmicos do Grande Rio, que ficou uma posição acima.

Para 1995 Mário Borriello assumiu como carnavalesco da agremiação, tendo desenvolvido o enredo “Uma vez Flamengo…”, como forma de comemorar o centenário do clube, considerado como aquele que possui a maior torcida em nosso país.

Esse foi um desfile bastante aguardado pela enorme popularidade, tendo a agremiação de forma geral passado bem pela Sapucaí, mas sem chances de alcançar a primeira colocação naquele ano. O contingente da escola divulgado na época era de 5000 desfilantes, o que fez com que a escola precisasse evoluir numa velocidade maior do que normalmente acontecia, para poder desfilar dentro do tempo máximo.

Estácio de Sá – Desfile de 1995 – Fonte: https://ge.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/paixao-que-arde-sem-parar-ha-25-anos-o-flamengo-virava-carnaval-em-homenagem-da-estacio-de-sa.ghtml

Bastante irregular segundo a crítica carnavalesca da época o conjunto de fantasias e alegorias estacianas para esse carnaval.

O samba enredo dos compositores Adilson Torres, Caruso, David Correa e Déo serviu muito bem para animar a escola e a plateia na Sapucaí.

Já na comissão de frente da agremiação, composta por jogadores de futebol com uniforme nas cores oficiais do Flamengo agradou muito a plateia presente, ainda mais com uma coreografia muito bem realizada.

Desde as origens do Flamengo como clube de regatas e suas principais figuras e conquistas passaram pela Sapucaí com a Estácio, sem deixarem de fazer referência ao urubu, animal símbolo do clube.

Muitos craques de futebol que marcaram a historia do Flamengo, estavam presentes nesse desfile, cheio de muita emoção.

De novo Claudinho e Selminha Sorriso estavam a frente da bateria estaciana, conduzindo e apresentando o primeiro pavilhão da agremiação, sendo que mestre Ciça era o comandante dos ritmistas, nesse desfile representando a charanga rubro negra.

Estácio de Sá – Desfile de 1995 – Fonte: https://www.ocuriosodofutebol.com.br/2016/02/o-futebol-na-avenida-estacio-de-sa-e-o.html

Destaque para a beleza dos destaques de luxo que abrilhantaram as alegorias da escola nesse desfile.

O fato é que a Estácio de Sá encerrou esse desfile sob aplausos, até pelo enredo extremamente popular.

Muitas escolas de samba ao escolherem falar sobre clubes de futebol não alcançaram muito sucesso, mas a força do Flamengo e o carisma da Estácio de Sá levou a escola a conquistar com esse desfile a sétima colocação, num carnaval onde a Imperatriz Leopoldinense foi a grande vitoriosa.

Para seu desfile de 1996 a Estácio de Sá contratou Sylvio Cunha para carnavalesco da agremiação e foi dele a responsabilidade de desenvolver o enredo “De um novo mundo eu sou e uma nova cidade será”, enredo este que abordava a modernização do Rio de Janeiro e a construção do Teleporto bem no local onde ficava a quadra da agremiação na Cidade Nova.

Para esse desfile Dominguinhos do Estácio não esteve a frente do carro de som estaciano, sendo substituído por David do Pandeiro, que junto com a bateria de Mestre Ciça fizeram boa sustentação desse desfile.

Mas a realidade é que o conjunto de alegorias pecou em sua concepção e realização, com acabamento muito mal feito além do enredo ser um pouco confuso pelo desenvolvimento adotado pela agremiação.

Houveram problemas com a comissão de frente especialmente depois de vencida a primeira metade da pista de desfile e como já é tradicional o leão, símbolo da escola, estava no carro abre alas apresentado.

Marco Aurélio e Babi formavam o primeiro casal de mestre sala e porta bandeira da escola nesse desfile, enquanto Luciana Sargentelli e Érica Rosa vinham reinando a frente dos ritmistas estacianos.

Das inesquecíveis musas do carnaval carioca de todos os tempos, Edna Velho vinha sobre a última alegoria da escola, recebendo muitos aplausos.

Com esse desfile a Estácio de Sá ficou apenas com a décima colocação nesse carnaval de 1996.

Para 1997 a Estácio de Sá de novo trocou de carnavalesco, tendo contratado o mago das cores, Max Lopes que desenvolveu o enredo Através da fumaça, o mágico cheiro do carnaval”, narrando com esse enredo a história do perfume.

Estácio de Sá – Desfile de 1997 – Fonte: https://extra.globo.com/noticias/carnaval/carnaval-historico/sem-quadra-mergulhada-em-dividas-estacio-foi-rebaixada-depois-de-13-anos-no-grupo-especial-15167422.html

Era de conhecimento público as grandes dificuldades que a escola passou para pôr esse desfile na Sapucaí, já que estava sem quadra e com muito poucos recursos para realizar um bom desfile comparativamente a outras agremiações.

O Presidente Acyr Pereia Alves fez um discurso emocionado antes do grito de guerra da escola que daria inicio ao desfile, relembrando as dificuldades enfrentadas pela agremiação para pôr esse desfile na Sapucaí.

A bateria de Mestre Ciça pode ser considerada ter sido o ponto alto desse desfile, tendo Ciça deixado a escola logo depois desse carnaval.

Estácio de Sá – Desfile de 1997 – Fonte: http://www.apoteose.com/siteantigo/fotos_97/estaciodesa.htm

O leão, símbolo da escola, veio representado já na comissão de frente estaciana, sendo que logo após vinha a tradicional porta estandarte do carnaval gaúcho, Onira Pereira, que participou de vários desfiles realizados pelo carnavalesco Max Lopes.

Nesse desfile Marco Aurélio e Gleice Simpatia formavam o primeiro casal de mestre sala e porta bandeira da Estácio, ambos muito bem vestidos.

Dentre o conjunto alegórico apresentado, destaque para a alegoria que trazia o Egito, com destaque para o banho de Cleópatra.

Já na apuração das notas a escola começou com quatro pontos pedidos em função de punições recebidas, tendo ficado apenas com a décima terceira colocação, o que a rebaixou para desfilar na segunda divisão do carnaval do  Rio no ano seguinte.

Entre os anos de 1998 e 2004 a Estácio de Sá desfilou no grupo A da época, sempre com o sonho de voltar a desfilar no grupo de elite do carnaval carioca, mas sem conseguir obter classificação que a promovesse ao grupo de cima da tabela.

Em 1998 a Estácio de Sá apresentou o enredo “Cem anos de cultura – Academia Brasileira de Letras”, desenvolvido pelo carnavalesco Sylvio Cunha, tendo a escola desfilado já com o dia claro.

Com esse desfile conquistou a oitava colocação naquele carnaval.

No carnaval de 1999 foi a vez do carnavalesco Fernando Alvarez desenvolver na Estácio de Sá o enredo “No passo do compasso… A Estácio no sapatinho!”, outro desfile da escola de novo sob a luz do sol do Rio de Janeiro.

Com esse desfile a escola melhorou a sua colocação, conquistando a terceira colocação, mas ainda não era dessa vez que voltaria ao grupo principal das escolas de samba do Rio.

A dupla de carnavalescos Jorge Cunha e Paulo Trabachinni assumiu a Estácio de Sá no carnaval do ano 2000 e foram os responsáveis pelo desenvolvimento do enredo “Envergo mas não quebro”.

O samba enredo desse desfile trouxe de volta escola Dominguinhos do Estácio, como compositor dessa obra, juntamente com Carlinhos Tizil, Gílio, J. Araújo, Ricardo e Russo.

Com esse desfile a escola alcançou apenas a oitava colocação.

No carnaval carioca de 2001 a Estácio de Sá apresentou o enredo “E aí, tem patrocínio? Temos, José!” do carnavalesco Jorge Cunha, tendo ficado depois de apuradas as notas apenas com a sétima colocação no grupo A da época.

Nos carnavais de 2002 e 2003 o carnavalesco da Estácio de Sá foi o polonês Roberto Szaniecki.

Para a folia carioca de 2002 o enredo apresentado pela Estácio de Sá foi “Nos braços do povo, na passarela do samba… Cinquenta anos de O Dia”.

Com esse desfile de novo a agremiação vermelho e branco do morro do Estácio alcançou apenas a oitava colocação.

Para o carnaval carioca de 2003 o carnavalesco desenvolveu o enredo “Um banho da natureza – Cachoeiras de Macacu”.

Mas não foi com esse desfile que a Estácio de Sá conseguiu voltar ao grupo de elite das escolas de samba do carnaval do Rio, já que ficou no quinto lugar apenas, mesmo que tenha apresentado um conjunto alegórico bastante elogiado na época.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

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