RJ – Retrospectiva do segundo decênio do sambódromo carioca – Estação Primeira de Mangueira

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Foto: Reprodução/Mangueira

Fechado o primeiro ciclo de dez anos da nova Marquês de Sapucaí, a Estação Primeira de Mangueira já possuía dezesseis campeonatos desfilando no grupo principal das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Para 1994 o carnavalesco Ilvamar Magalhães desenvolveu para a verde e rosa o enredo “Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu”, um enredo com foco nas figuras de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa.

Já na fase do pré carnaval o samba enredo de autoria dos compositores David Corrêa, Carlos Senna, Fernando de Lima e Paulinho de Carvalho mostrou-se extremamente popular, sendo um dos mais executados nas rádios daquela época.

Desfilando logo pós a Unidos do Viradouro, a Estação Primeira de Mangueira com certeza realizou uma apresentação bastante calorosa, aliás ninguém esperava menos do que isso frente ao tema da escola, homenageando os Doces Bárbaros, mas a realidade é que avaliando-se o conjunto desse desfile, várias coisas não funcionaram como deveriam, refletindo isso nas notas recebidas pela agremiação.

Além de Bethânia, saiba quem já foi homenageado pela Mangueira no carnaval - Jornal O Globo
Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 1994 – Fonte: https://oglobo.globo.com/rio/carnaval/2016/alem-de-bethania-saiba-quem-ja-foi-homenageado-pela-mangueira-no-carnaval-18653320

Nesse carnaval o carro de som da Mangueira, além do inesquecível Jamelão, contou com a participação de Sobrinho, Rixxa, Eraldo Caê e David Corrêa, esse último um dos compositores do samba.

A apresentação da escola apresentou claras falhas do ponto de vista plástico, com fantasias e alegorias que na época foram consideradas simples, tendo a quebra de uma alegoria atrapalhado bastante a evolução da escola, que anunciou contar com cerca de 5000 integrantes.

Foi também bastante problemático o fato da escola ainda ter tido alegorias que esbarraram na torre de TV, o que muito atrapalhou a passagem das alas de forma tranquila pela pista da passarela.

Por fim a Estação Primeira de Mangueira ficou apenas com a décima primeira colocação com esse desfile.

Para 1995 a Mangueira anunciou o enredo “A esmeralda do atlântico”, tema no  qual o carnavalesco Ilvamar Magalhães queria destacar as belezas do arquipélago de Fernando de Noronha.

As belezas de Fernando de Noronha e muitas das lendas do lugar ajudaram a escola a realizar um desfile superior ao do ano anterior, principalmente na parte plástica do desfile.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 1995 – Fonte: http://blogdoraymondh.blogspot.com/2011/04/o-click-da-emocao-relembrando-o.html

O carro abre alas já era de uma beleza bastante elogiada, com o surdo, símbolo característico da escola ladeado por golfinhos, animais bastante presentes em Fernando de Noronha e que muitos turistas atraem.

Coube ao mestre Jamelão fazer uma interpretação de luxo ao samba da agremiação, que já na época do pré carnaval não era muito bem avaliado.

De novo na torre da TV uma alegoria da escola ficou por minutos parada até que pudesse passar sob a mesma, já que foi preciso baixar o ponto mais alto do carro para que a travessia da alegoria pudesse acontecer. Esses minutos da agremiação parada, fizeram com que no final houvesse a necessidade dos desfilantes apertarem o passo, porém a escola não estourou o tempo máximo de desfile.

Com esse desfile a escola melhorou bastante sua classificação, levando em conta a colocação obtida no ano anterior, ficando desta vez com o sexto lugar.

Para o carnaval de 1996 assumiu como carnavalesco da verde e rosa Oswaldo Jardim que apresentou o enredo “Os tambores da Mangueira na terra da encantaria”, enredo com foco nas lendas e histórias do Maranhão, terra natal da mangueirense Alcione.

Coube a Mangueira encerrar os desfiles de 1996, tendo a agremiação apresentado um conjunto plástico avaliado como bastante criativo e com ótimo acabamento.

Em termos de alegorias, três merecem destaque, dentre o conjunto alegórico apresentado pela verde e rosa, “Brincando de ser índio”, “Corsários do Velho Mundo” e “Ana Jansen”.

Já no início do desfile, no carro abre alas, os baluartes da escola emocionaram muito o público presente na Sapucaí, tendo sido inigualável a interpretação do samba por Jamelão, que nesse ano alcançou mais um Estandarte de Ouro no quesito de intérprete.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 1996 – Fonte: https://twitter.com/Carnavalize/status/1301943132876087298/photo/1

A bateria da escola, como já era habitual deu um show de cadência e firmeza, tendo a Mangueira encerrado esse desfile já com o sol alto do Rio de Janeiro.

Com esse desfile a escola acabou com a quarta colocação, logo atrás da campeã Mocidade Independente de Padre Miguel, Imperatriz Leopoldinense e Beija Flor de Nilópolis.

Ainda nesse carnaval de 1996 a Mangueira recebeu o Estandarte de Ouro no quesito personalidade para a cantora e compositora mangueirense Leci Brandão.

Permanecendo na escola para o carnaval de 1997, o carnavalesco Oswaldo Jardim escolheu par esse desfile desenvolver o enredo “O Olimpo é verde e rosa”, enredo esse sobre a história dos jogos olímpicos, uma vez que a cidade do Rio de Janeiro era cotada para sediar as Olimpíadas de 2004.

Para esse desfile o carnavalesco optou por dividir o enredo em duas partes: inicialmente a agremiação falou sobre as olimpíadas na antiguidade clássica e posteriormente veio a representação dos jogos já em sua fase moderna.

O rendimento do samba escolhido para esse desfile muito se deu graças a excelente interpretação de Jamelão e a cadência sempre precisa da bateria da verde e rosa carioca.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 1997 – Fonte: http://www.apoteose.com/siteantigo/fotos_97/mangueira.htm

Já desde o início do desfile a Mangueiro mostrou que vinha forte, de novo apostando na fórmula de trazer os seus baluartes no carro abre alas, além do símbolo da escola, o surdo ladeado por ramos de ouro.

Uma das principais características de Oswaldo Jardim ,as esculturas feitas de espuma, estiveram presentes em vários pontos do desfile mangueirense.

Na avaliação da crítica da época, a primeira parte da escola, com as olimpíadas na era clássica, foi melhor retratada do que em sua fase moderna dos jogos. Além disso a evolução apresentou alguns problemas, até mesmo pelo grande número de integrantes da agremiação.

Destaque também para o uso das cores da escola durante todo o desfile de uma forma harmoniosa nas fantasias das alas.

Mas aquele ano era da Unidos do Viradouro, pelo belo trabalho do gênio Joãosinho Trinta apresentado na Sapucaí, ficando a Mangueira com a terceira posição, fato este que não acontecia desde o vice campeonato de 1988.

Nesse ano a Mangueira foi duplamente vencedora no Estandarte de Ouro nos quesitos passista feminino e personalidade, para Carlos Cachaça.

Mesmo com essa ótima colocação Oswaldo Jardim deixou a Mangueira para o carnaval de 1998, indo para a Unidos da Tijuca, tendo o cargo de carnavalesco passado para Alexandre Louzada, que planejou e executou o enredo “Chico Buarque da Mangueira”.

Para a construção desse desfile, polêmica já houve na escolha do samba que embalaria a nação verde e rosa, uma vez que os vencedores Carlinhos das Camisas, Nelson Csipai, Nelson Dalla Rosa e Herivaldo Martins Vilas Boas eram todos paulistas e a obra de Leci Brandão, sendo cortada na fase de eliminatórias, desagradou a tradicional compositora mangueirense.

 

A Mangueira mostrava que viria forte e ainda na fase do esquenta da escola o homenageado acompanhado do pianista Luiz Carlos Vinhas, no carro de som interpretou “Vai passar nessa avenida um samba popular…”, sendo seguido da interpretação de “Exaltação à Mangueira” pelos integrantes do carro de som da verde e rosa.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 1998 – Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/chico-buarque-na-arte-politica-futebol-veja-imagens-da-vida-do-compositor-23682960

O show verde e rosa já iniciava pela apresentação da comissão de frente, que passou nesse desfile a ter o comando do dançarino Carlinhos de Jesus, numa alusão a obra a Ópera do Malandro, que arrebatou muitos aplausos durante sua passagem pela Sapucaí.

No carro abre alas da verde e rosa amigos de Chico, estando outros logo a frente no chão da Sapucaí, não estando o homenageado nessa primeira alegoria da escola, como muitos esperavam, tendo encerrado o desfile da escola junto de figuras tradicionais da agremiação.

O enredo desenvolvido por Louzada passou pelos sucessos do homenageado tendo também dado destaque à época da ditadura miliar, enfocando o lado político de Chico, tudo isso contado com a participação de cerca de 4500 integrantes.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 1998 – Fonte: http://raizesdaculturapb.blogspot.com/2013/02/chico-buarque-da-mangueira-1998.html

Para encerrar esse desfile a escola trouxe em uma ala um mosaico com o rosto de Chico Buarque, clara referência à composição “Retrato em Branco e Preto”, tendo a verde e rosa chegado a Praça da Apoteose sob os gritos de “É campeã…”.

Pelo júri do Estandarte de Ouro a Mangueira com este desfile foi premiada nos quesitos melhor escola, comissão de frente e interprete.

Finalizada a apuração das notas recebidas pela escola empate no primeiro lugar entre Estação Primeira de Mangueira e Beija Flor de Nilópolis, ambas com 270 pontos, meio ponto a frente da Imperatriz Leopoldinense.

Para 1999 Alexandre Louzada permaneceu como carnavalesco da Mangueira e para esse carnaval apresentou o enredo “O século do samba”, enredo com o qual o carnavalesco queria  prestar uma homenagem ao samba, gênero musical mais popular do nosso país e também destacar seus grandes intérpretes.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 1999 – Fonte: https://setor1.band.uol.com.br/ha-20-anos-mangueira-trazia-do-ceu-14-bambas-e-causava-choro-coletivo-na-sapucai/

De novo a comissão de frente da escola veio sob o comando de Carlinhos de Jesus, tendo proporcionado a quem estava na Sapucaí um daqueles momentos inesquecíveis, já que os grandes nomes do samba foram como que ressuscitados em plena Sapucaí, levando muitos que assistiram essa comissão às lágrimas.

O grupo trouxe de volta as figuras de Cartola, Candeia, Clementina de Jesus, Mestre Fuleiro, Clara Nunes, Noel Rosa, Pixinguinha, Donga, Sinhô, Nelson Cavaquinho, Ismael Silva, Natal, Tia Ciata e Carmen Miranda, que primorosamente caracterizados, conseguiram deixar muitos extasiados e extremamente emocionados com o reaparecimento dessas grandes figuras do samba brasileiro. Nada mais justo do que a escola ser a vencedora do Estandarte de Ouro no quesito melhor comissão de frente.

Mas a emoção não ficou somente na comissão de frente, já que no carro abre alas da verde rosa vieram outras grandes personalidades vivas do samba do Brasil, grupo formado por Zé Kéti, a imperiana Dona Ivone Lara, o portelense Zeca Pagodinho, Moreira da Silva e Martinho da Vila.

Evolução foi um quesito onde a verde e rosa teve problemas, pelo expressivo número de componentes que passaram pela Sapucaí e também talvez pela forma mais lenda como a comissão de frente passou pela Sapucaí, que fez com que fosse necessária uma “corridinha” no final para não estourar o tempo máximo de desfile, disposto em regulamento.

Foi possível observar alguns problemas de acabamento nas alegorias apresentadas além do fato das fantasias apresentadas não terem sido capazes de traduzir exatamente aquilo que o enredo abordava, sendo consideradas “genéricas” pela crítica da época.

 

O samba enredo do trio de compositores Adalberto, Jerônimo e Jocelino fez bonito na Sapucaí em mais uma interpretação magistral de Jamelão, que contou com a participação de Alexandre Pires já na gravação oficial desse samba.

Mas no final a Mangueira ficou apenas com a sétima colocação, situação esta que a deixou fora do desfile das campeãs.

A verde e rosa ainda ganhou o Estandarte de Ouro nos itens passista feminino e personalidade, para Elmo José dos Santos.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 2000 – Foto de Widger Frota

Em seu terceiro desfile pela Mangueira, para o carnaval do ano 2000, Alexandre Louzada apresentou o enredo “Dom Obá II – rei dos esfarrapados, príncipe do povo”, com Dom Obá, príncipe da nação Iorubá, como fio condutor para contar a luta dos negros pela liberdade no Brasil.

O samba enredo de autoria dos compositores Bizuca, Gilson Bernini, Marcelo D’Aguiã e Valter Venenoso era considerado o melhor da safra daquele carnaval carioca, tanto que isso foi confirmado com a premiação no Estandarte de Ouro.

 

Foi um desfile que credenciou a Mangueira a estar no topo da classificação, visto a excelência com que apresentou-se em diversos quesitos como enredo, comissão de frente, samba-enredo, bateria e conjunto visual.

A comissão de frente de novo deu um verdadeiro show sob o comando de Carlinhos de Jesus, ora como nobres, ora como esfarrapados, chegando ao ápice de representar o nascimento de D. Obá., que veio da África escravizado para o Brasil e com o passar do tempo tornou-se um dos heróis da guerra do Paraguai.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 2000 – Fonte: https://liesa.globo.com/2019/por/05-fotos/fotos2000/2000_Fotos_Mangueira/2000_Fotos_Mangueira_principal.html

O carro de som da escola tinha além de Jamelão, a participação dos cantores Luizito, Eraldo Caê e Clóvis Pê, tendo o samba enredo sido muito bem executado numa simbiose perfeita com a bateria da verde e rosa, na época comandada por Mestre Russo.

Grande preocupação da escola e de seu carnavalesco foi com o conjunto plástico da escola, já que haviam tido problemas nos carnavais anteriores com as notas obtidas nos quesitos alegorias e adereços e fantasias. Essa preocupação refletiu-se no desfile da agremiação, tendo as cores utilizadas sido bastante harmônicas e o acabamento das peças bastante elogiado.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 2000 – Fonte: https://liesa.globo.com/2019/por/05-fotos/fotos2000/2000_Fotos_Mangueira/2000_Fotos_Mangueira_principal.html

Mas o gigantismo das alegorias acabou trazendo problemas para a escola, já que duas acabaram quebrando em plena pista, ocasionando vários problemas na evolução da verde e rosa, fazendo com que para não estourar o tempo a escola tivesse que apurar o passo em seus momentos finais, ocorrendo inclusive “buracos” entre e no interior das alas da agremiação.

De novo repetiu-se a sétima colocação do carnaval anterior, deixando mais uma vez a escola fora do desfile do sábado das campeãs, num carnaval onde a Imperatriz Leopoldinense sagrou-se como a grande vitoriosa.

Para o carnaval de 2001 Louzada foi substituído pelo carnavalesco Max Lopes, que retornou a escola onde esteve até o carnaval de 1984, quando deu à escola  o título de supercampeã, de forma inédita até hoje.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 2001 – Fonte: https://twitter.com/TamminenJuha/status/1223597150807957504/photo/1

O enredo escolhido foi “A seiva da vida”, sobre a importância dos fenícios para o nosso país.

A escola entrou na pista disposta a fazer uma homenagem também a Dona Neuma, que havia falecido alguns meses antes do carnaval.

De novo a comissão de frente comandada por Carlinhos de Jesus, dessa vez representando mercadores e odaliscas fez uma bela abertura para o desfile, tendo como ponto alto de sua apresentação o surgimento de Dona Zica, prestando uma homenagem à Dona Neuma com o oferecimento de flores.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 2001 – Fonte: https://danielwalassy.files.wordpress.com/2021/02/mangueira-2001.jpg

O samba enredo da escola foi mais uma vez muito bem defendido por Jamelão, que por problemas de saúde foi uma incógnita até pouco antes do desfile, se desfilaria ou não, mas com o apoio dos também cantores Luizito e Clóvis Pê foi possível mais um desfile de sucesso, contando com a bateria de Mestre Russo.

A ala de baianas da escola veio tão perfeita que foi premiada com o Estandarte de Ouro nesse quesito de julgamento, assim como no quesito de passista feminino.

O conjunto alegórico foi de muita beleza e refinamento, com alegorias gigantescas e até mesmo acopladas, como era o carro abre alas, tudo muito bem concebido e acabado. Destaque para o uso das cores da escola durante este desfile, com várias tonalidades do verde e do rosa, além de muito dourado em fantasias e alegorias.

De novo o quesito evolução veio a atrapalhar a verde e rosa que iniciou num passo mais lento e no final precisou dar aquela “corridinha” para não passar do tempo máximo estabelecido no regulamento.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 2001 – Fonte: http://www.pedromigao.com.br/ourodetolo/wp-content/uploads/2014/02/mangueira2001b.jpg

A alegoria que encerrou esse desfile trazia uma grande escultura de Dona Neuma, como forma de homenagem da escola a esta grande figura da verde e rosa, que como já foi dito, faleceu meses antes do carnaval daquele ano.

Mas o fato é que com este desfile a Mangueira obteve a terceira colocação, atrás apenas da Imperatriz Leopoldinense e da Beija Flor de Nilópolis, fazendo então com que a escola retornasse ao sábado das campeãs.

Para o desfile da Mangueira no carnaval de 2002 Max Lopes desenvolveu o enredo “Brazil com ‘Z’ é pra cabra da peste, Brasil com ‘S’ é nação do Nordeste”, enredo este sobre a região nordeste do nosso país. Segundo a crítica a Mangueira contava ainda com o melhor samba daquele carnaval, samba esse de autoria da dupla de compositores Amendoim e Lequinho.

 

De novo a comissão de frente veio sob a batuta de Carlinhos de Jesus, que integrava o grupo na representação da figura do cangaceiro Lampião. De dentro de grandes malas que eram carregadas por integrantes da comissão de frente saíam integrantes que representavam bonecas.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 2002 – Fonte: https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/mangueira-em-90-cliques-22627127

Os cangaceiros da paz foram destaque no carro abre alas da escola, que de novo apresentou um desfile cheio de garra, vibração, numa representação do nordeste brasileiro cheio de muita arte, artesanato, festas e folclore, tudo muito bem representado e com ótimo acabamento.

Dentro do belo conjunto alegórico, destaque para aquele trazendo o arraial junino, que foi aquele que mais empolgou o público, já que a verde e rosa conseguiu reproduzir uma autêntica festa junina, tão característica dos estados do nordeste no mês de junho.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 2002 – Fonte: https://extra.globo.com/noticias/carnaval/mangueira-salgueiro-sao-as-escolas-que-mais-levaram-trofeus-no-estandarte-de-ouro-18592948.html

Claudiene reinou a frente dos ritmistas de Mestre Russo, havendo também uma princesa compondo esse grupo, todos originários do morro da Mangueira.

Uma falta sentida nesse desfile mangueirense foi Dona Zica, que havia passado mal dias antes do desfile e em função disso estava internada, não podendo passar pela Sapucaí com sua verde e rosa nesse carnaval.

A última alegoria da escola fechou com chave de ouro esse desfile, com Serginho do Pandeiro, figura tradicional da verde e rosa em seus desfiles junto de integrantes da velha guarda e baluartes da escola.

Ao serem divulgados os resultados do júri do Estandarte de Ouro, do jornal O Globo, coube à verde e rosa vencer nos itens melhor escola, melhor samba enredo e revelação.

Por esse desfile e com um décimo de diferença, Mangueira ganhou mais um carnaval, deixando o segundo lugar para a Beija Flor de Nilópolis, tendo sido este campeonato mangueirense o último com a presença do inesquecível Jamelão.

Embalada com todo esse sucesso alcançado no carnaval de 2002, para o carnaval carioca de 2003 a Mangueia trouxe o enredo “Os Dez Mandamentos! O samba da paz canta a saga da liberdade”, do carnavalesco Max Lopes.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 2003 – Fonte: https://liesa.globo.com/2018/por/05-fotos/fotos2003/mangueira/Mangueira_principal.html

Depois de cantar o nordeste, para o carnaval de 2003 a Mangueira quis apresentar um enredo abordando a história de Moisés e com referência a libertação dos hebreus do Egito.

De novo outro desfile com alegorias grandiosas e um samba muito bem avaliado já  desde a fase do pré carnaval.

Dessa vez a escola sentia a falta de Dona Zica, que no ano anterior não esteve com a escola na Sapucaí, por ter estado internada, mas desta vez o falecimento da mangueirense antes do carnaval de 2003, deixou a escola bastante ressentida.

Continuava a comissão de frente verde e rosa coreografada por Carlinhos de Jesus, com destaque para a parte da apresentação do grupo onde Moisés apresentava a tábua com os dez mandamentos e depois flutuava em plena Sapucaí.

A seguir da comissão de frente um carro abre alas gigantesco, anunciado como tendo oitenta e sete metros de comprimento, que em sua parte anterior continha bigas e cavalos e as figuras de soldados egípcios e na parte posterior trazia a representação do império faraônico, com uma enorme esfinge predominantemente dourada.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 2003 – Fonte: https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/mangueira-em-90-cliques-22627127

Outro ponto alto desse desfile mangueirense foi a encenação da travessia do Mar Vermelho por Moisés e seus seguidores, momento digno de muitos aplausos de todos que estavam na Marquês de Sapucaí.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 2003 – Fonte: http://www.pedromigao.com.br/ourodetolo/wp-content/uploads/2014/02/mangueira2003.jpg

Outra situação que merece destaque, sendo um capítulo a parte nesse desfile, foram as fantasias apresentadas pela agremiação de Cartola e tantos outros, perfeitas desde a sua concepção, até sua finalização, sendo totalmente capazes de contar o enredo proposto pela verde e rosa do início ao fim do desfile.

Depois de um  grande desfile, a Mangueira chegou a Praça da Apoteose sob os gritos de “BICAMPEÃ… “, com uma evolução perfeita, mesmo que com um contingente de cerca de quatro mil e quinhentos desfilantes anunciados pela escola.

Nesse carnaval o campeonato coube a Deusa da Passarela, que inverteu o resultado do carnaval anterior, ficando desta vez a frente da Mangueira por exato um ponto.

Na premiação do Estandarte de Ouro, de novo coube a Mangueira vencer na categoria de passista feminino.

“Parabéns para a Beija-Flor. Ano passado ganhamos nós, eles ficaram em segundo. Deixem eles comemorarem, estamos felizes também. A Mangueira tem a consciência do dever cumprido, a satisfação de ter sido a favorita do público, da imprensa, de todos, e vai comemorar o vice-campeonato e se preparar para recuperar o título em 2004”, manifestou-se o presidente mangueirense Álvaro Caetano.

O ano de 2003 na história mangueirense foi marcado pela perda de três figuras que muito contribuíram para a história de sucesso da verde e rosa, Dona Zica, viúva de Cartola, um dos fundadores da agremiação, o passista Ademir Gargalhada, por muitos anos par da cantora Rosemary ao atravessar a Sapucaí com a escola e o carnavalesco Oswaldo Jardim, que nos carnavais de 1996 e 1997 foi decisivo para o sucesso do movimento “Muda, Mangueira” ocorrido nos anos noventa.

Assim encerrou a verde e rosa o segundo decênio da nova passarela da Marquês de Sapucaí, sempre com muita tradição em seus desfiles aliado a toques de modernidade, mas sem nunca deixar para trás sua história, sua cadência própria e principalmente suas cores características.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

 

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