RJ – Retrospectiva do segundo decênio do sambódromo carioca – Acadêmicos do Grande Rio

0
420

 

Até hoje em dia a Acadêmicos do Grande Rio nunca foi campeã desfilando no grupo principal das escolas de samba do Rio de Janeiro, mesmo que já tenha colocado na passarela da Marquês de Sapucaí desfiles memoráveis, onde a comunidade de Caxias com muita garra e determinação passou muito bem pela pista de desfile carioca.

No carnaval de 1994, o carnavalesco Lucas Pinto, desenvolveu para a escola o enredo “Os santos que a África não viu”, com a firme intenção de contar a história da umbanda pela visão de Zé Pelintra.

Esse desfile notabilizou-se pela beleza das alegorias apresentadas pela escola e como característica da escola contou neste desfie com muitos artistas e personalidades.

A agremiação caxiense nesse carnaval alcançou a premiação do Estandarte de Ouro no quesito de melhor enredo e também melhor interprete para Nêgo.

Já desde a fase do pré carnaval a escola enfrentou problemas com a igreja, já que teria sido denunciada de que levaria para a Sapucaí imagens sacras, tendo tido inclusive seu barracão vistoriado na época para checagem dessa situação.

Destaque para o samba enredo dos compositores Mais Velho, Rocco Filho, Roxidiê, Helinho 107, Marquinhos e Pipoca, muito bem escolhido para embalar o desfile proposto pela escola, que na interpretação de Nêgo foi bastante valorizado, tendo o interprete inclusive sido o vencedor do Estandarte de Ouro.

Esse desfile deu a escola de Caxias a décima segunda colocação, num carnaval em que a Imperatriz Leopoldinense foi a grande campeã.

Para o carnaval de 1995, Lucas Pinto permaneceu como carnavalesco da escola, dessa vez desenvolvendo o enredo “História para ninar um povo patriota”, que vinha misturando contos infantis e o ciclo da borracha acontecido no território do Amazonas.

Com esse desfile a escola de Caxias ganhou o Estandarte de Ouro no quesito revelação.

Foi um desfile bastante confuso por conta do enredo proposto e da forma como foi desenvolvido e apresentado na Sapucaí, não tendo produzido um bom samba enredo que possibilitasse a escola passar pela passarela carioca de uma forma leve e positiva.

Destaque para a bateria da escola e o interprete Nêgo nesse desfile, mas que mesmo assim não conseguiram uma melhor colocação para a escola que não a décima sexta posição, quase levando a escola para o grupo de acesso no ano seguinte, tendo São Clemente e Unidos de Villa Rica sido as duas agremiações rebaixadas.

Para 1996 a agremiação caxiense trocou de carnavalesco, tendo o polonês Roberto Szaniecki assumido o posto para desenvolver o enredo “Na era dos Felipes o Brasil era espanhol”,  enredo este onde o objetivo da escola era falar sobre a época da colonização do nosso país na fase marcada pela influência espanhola em nossas terras.

As narrativas sobre este desfile nos chegam com registro de grandes dificuldades da escola para a elaboração de suas alegorias, já que conseguiu ter um barracão para produção desse desfile somente muito próximo do carnaval desse ano

Foi um desfile onde a agremiação teve problemas com alegorias, tanto que o carro abre alas da escola quebrou, atrapalhando bastante a evolução da agremiação.

A imprensa especializada na época destacou a qualidade das alegorias e das fantasias apresentadas pela escola.

A bateria caxiense fez uma grande passagem pela Sapucaí, tanto que ao final acabou sendo premiada com o Estandarte de Ouro naquele ano.

Finalizada a apuração das notas a escola melhorou sua colocação com relação aos anos anteriores, tendo ficado dessa vez com a décima primeira posição no carnaval daquele ano.

Para o carnaval de 1997, a Acadêmicos do Grande Rio contratou Alexandre Louzada como carnavalesco e ficou sob sua responsabilidade o enredo “Madeira-Mamoré, a volta dos que não foram, lá no Guaporé”, desfile no qual a agremiação caxiense teve, segundo a crítica carnavalesca, o melhor samba daquele ano, obra de autoria dos compositores Sabará, Muralha, Jarbas da Cuíca e Grajaú.

Na apresentação da escola na passarela da Sapucaí foi possível observar a beleza de alegorias e fantasias concebidas pelo carnavalesco Louzada, mas o fato é que o enredo, considerado um pouco pesado, não teve aquela recepção que era esperada do ponto de vista da plateia presente.

A evolução da escola também apresentou problemas até pelo grande número de desfilantes que quase extrapolaram o tempo máximo de desfile, segundo o regulamento da época.

Iniciada a apuração a escola perdeu um ponto em função da dispersão ter sido realizada em tempo superior aquele estipulado em regulamento, mas mesmo assim a escola alcançou com esse desfile a décima colocação, num carnaval vencido pela Unidos do Viradouro.

Para a folia carioca no ano de 1998, a Grande Rio contratou Max Lopes como carnavalesco, tendo este permanecido na escola por três carnavais. Para esse primeiro ano Max escolheu desenvolver o enredo “Prestes, o cavaleiro da esperança”, como referência ao centenário de Luiz Carlos Prestes.

Acadêmicos do Grande Rio – Desfile de 1998 – Fonte: Widger Frota

Já de início precisamos destacar a qualidade do samba enredo da escola para  esse carnaval, obra dos compositores João Carlos, Carlinhos Fiscal e Quaresma, samba esse que foi o grande diferencial para uma boa evolução da agremiação durante seu desfile.

 

Nesse desfile a bateria da escola passou a ser comandada por Mestre Odilon, tendo sido observado uma mudança na cadência até então presente nos desfiles da escola, além da execução de paradinhas também muito bem executadas e bastante corajosas.

Pôde ser observado um trabalho muito bem idealizado e realizado com relação as alegorias apresentadas nesse desfile pela agremiação caxiense, fruto da inspiração do carnavalesco e sua equipe de trabalho.

A crítica carnavalesca da época destacou o carro abre alas apresentado, com tanques de guerra e menção à coluna Prestes. Foi também observada uma linearidade nesse desfile da Grande Rio, que contou com muitas personalidades do meio artístico, aliás característica mantida pela escola até nossos dias.

Esse desfile foi considerado no seu todo, como a melhor apresentação da escola até então, o que deu a escola a oitava posição, melhor classificação em desfiles da escola no grupo principal das escolas de samba do Rio.

Para 1999 foi a vez da Grande Rio apresentar o enredo “Ei, ei, ei, Chateau é nosso rei!”, enredo este versando sobre a vida e obra de Assis Chateaubriand, personalidade de destaque no meio da comunicação brasileira.

Acadêmicos do Grande Rio – Desfile de 1999 – Fonte: http://memoriadagranderio.blogspot.com/2011/09/academicos-do-grande-rio-23-anos-de.html

Esse foi outro desfile bastante elogiado realizado pela escola de Caxias, com outro trabalho de destaque realizado pelo carnavalesco Max Lopes em termos plásticos, mesmo que a escola tenha passado por alguns percalços até encerrar o seu desfile.

O carro abre-alas, pouco antes de sua entrada na pista de desfile desacoplou, sendo necessário então trocar as correntes que faziam esse acoplamento, por cordas de sisal. Outra alegoria, por conta de fogos de artifício que possuía, teve um princípio de incêndio, que felizmente foi debelado a tempo de prejuízos maiores para a escola, durante sua avaliação pelo corpo de jurados.

A vida e obra do homenageado foram muito bem expostas pela escola nesse desfile, com requinte no tratamento das tradições e aspectos típicos do nordeste brasileiro.

O lado comunicador do homenageado também não ficou de fora desse desfile, com sua participação no processo consolidação em nosso país, de meios de comunicação como jornal, rádio e televisão.

O samba enredo, foi bastante útil para que a escola passasse com garra e determinação, tendo a agremiação contato de novo com uma bateria de sucesso na sustentação desse desfile.

Encerrado o julgamento desse carnaval, a Grande Rio teve nota dez no quesito alegorias e adereços, terminando por fim na  sexta colocação, com um total de 265 pontos, mesmo número de pontos do Acadêmicos do Salgueiro, que por desempate acabou ficando na frente da escola caxiense.

Com esse desfile de novo a bateria caxiense recebeu a premiação do Estandarte de Ouro, mesma premiação alcançada pelo interprete Nêgo.

Para o carnaval do ano 2000, último de Max Lopes na escola, onde estava desde 1998, foi apresentado o enredo “Carnaval à vista – não fomos catequizados, fizemos Carnaval” com foco nos indígenas brasileiros e os nossos colonizadores europeus.

Para esse desfile, de novo Max Lopes trouxe do Rio Grande do Sul, para desfilar no carnaval carioca a porta-estandarte Onira Pereira, que vinha logo depois do grupo da comissão de frente.

De novo os quesitos plásticos foram bastante bem apresentados pela escola, embora em comparação com os desfiles de 1998 e 1999, em termos de conjunto esse desfile deixou a desejar.

A concentração da escola foi bastante agitada com acidente envolvendo profissional da escola que acabou sofrendo um traumatismo craniano e com o fato do Juizado de Menores não liberar a que crianças desfilassem no carro abre-alas da escola em altura acima de três metros.

Em evolução a escola apresentou problemas com alegorias durante sua passagem pela Sapucaí, o que fez com que ao final do desfile fosse necessário apertar o passo para não estourar o tempo máximo segundo o regulamento da época.

O samba enredo desse carnaval, não foi capaz de empolgar o público presente na passarela carioca, o que refletiu-se nas notas obtidas pela agremiação tricolor.

Por fim coube a Grande Rio a nona colocação nesse carnaval onde se comemoravam os quinhentos anos do Brasil.

Para o carnaval caxiense de 2001, a Grande Rio contratou o gênio Joãosinho Trinta para atuar como carnavalesco da agremiação, tendo este para esse primeiro ano na escola apresentado o enredo “Gentileza “X” – O profeta do fogo”.

Acadêmicos do Grande Rio – Desfile de 2001 – Fonte: LIESA

Quinho comandou o carro de som da escola nesse desfile, sendo que uma das grandes sensações dessa apresentação da Grande Rio foi o homem voador que tinha ligação com os personagens interpretados pela comissão de frente caxiense.

Com esse desfile a agremiação tricolor de Caxias recebeu o Estandarte de Ouro para o quesito de melhor passista masculino, premiação essa que repetiu-se no carnaval seguinte de 2002.

Essa apresentação da Grande Rio aconteceu no amanhecer, tendo a escola sido preparada para enfrentar um desfile sob a luz do sol predominantemente, com cores fortes em alegorias e fantasias muito bem pensadas por J30.

A vida do Profeta Gentileza, personagem tipicamente carioca, que saía pelas ruas da cidade pregando a gentileza e mensagens de paz, foi muito bem contada pela escola.

Puderam ser observadas nesse desfile caxiense falhas de acabamento em algumas alegorias apresentadas pela agremiação, além de problemas de evolução e harmonia, situações estas que deixariam a escola fora da briga pelo título naquele carnaval.

Pôde ser bem observado, estar a escola bem vestida e empolgada com o enredo proposto para aquele desfile, sob a batuta de Joãosinho Trinta, que para esse desfile reeditou a presença de um carro pede passagem para iniciar o desfile da escola.

Como já era habitual, a escola veio com muitas personalidades do meio artístico e esportivo, reconhecidas nacionalmente como Valéria Valenssa, Miguel Falabella, Hortência Marcari, André Segatti, Mônica Carvalho, dentre outros.

De novo a escola teve problemas com o acoplamento de alegorias em pleno desfile na Sapucaí.

Assim, a escola voltou a conquistar a sexta colocação com esse desfile, num ano de vitória da Imperatriz Leopoldinense, seguida pela Beija Flor de Nilópolis, como vice campeã.

Para o carnaval carioca de 2002, a Grande Rio veio falando sobre o Maranhão, estado natal do carnavalesco Joãosinho Trinta, através da apresentação do enredo “Os papagaios amarelos nas terras encantadas do Maranhão”, com foco na história da colonização do Maranhão e a presença francesa no local.

Acadêmicos do Grande Rio – Desfile de 2002 – Fonte: https://i.pinimg.com/736x/36/7a/4d/367a4d80639dce3e61d765011bace79e.jpg

Esse desfile da Grande Rio remontava ao século XVII, quando os invasores franceses chegaram ao Maranhão, onde eram chamados de “papagaios amarelos”.

Destaque dessa vez para o conjunto de fantasias criado para vestir os componentes da agremiação, já que em termos de alegorias nenhuma grande novidade foi apresentada nesse ano.

Nesse desfile foi possível observar problemas na evolução e harmonia da escola, já que de novo o samba enredo da escola não empolgou tanto quanto deveria, o que veio em prejuízo no julgamento da escola.

Muito da cultura maranhense foi apresentado nesse desfile da agremiação de Caxias, com destaque para a manifestação folclórica do bumba meu boi, típico do Maranhão.

Dessa vez coube a Grande Rio a sétima colocação nesse carnaval, o qual foi ganho pela Estação Primeira de Mangueira.

Por fim, para o carnaval carioca de 2003, a Grande Rio apresentou o enredo “O nosso Brasil que vale”, mais um enredo sob a batuta de Joãosinho Trinta, um enredo sobre a atividade da mineração, com patrocínio da empresa Vale do Rio Doce.

Acadêmicos do Grande Rio – Desfile de 2003 – Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com/repinique/post/relembre-vale-foi-enredo-pelas-maos-de-joaosinho-trinta-em-desfile-milionario.html

Para esse desfile a tricolor de Caxias contratou Wander Pires para comandar o carro de som da agremiação.

Foi mais um desfile que impressionou desde a abertura da escola, pelo gigantismo do carro abre alas, pela energia da comissão de frente e pelo fato da escola vir muito bem vestida e com muita garra e brilho. Mas o certo é que a segunda parte do enredo, quando a escola vinha mostrando os minérios brasileiros, o desfile caiu um pouco de qualidade e ficando um pouco aquém com relação a primeira metade do desfile apresentado.

Mais uma vez a bateria da escola, sob o comando de Mestre Odilon foi perfeita na sua cadência, realizando paradinhas bastante ousadas e precisas, levantando o público das arquibancadas e recebendo muitos aplausos.

Problemas de evolução foram observados quando a escola precisou acelerar seu desfile para cumprir o tempo máximo de desfile, segundo o regulamente daquele ano, o que tirou décimos preciosos da escola.

A beleza das baianas caxienses também foi outro item muito elogiado, as mães do samba que vinham representando a “riqueza do ouro”.

Durante a apuração a Acadêmicos do Grande Rio perdeu décimos preciosos em diversos itens de julgamento, perdendo 0,8 no quesito conjunto, deixando ao final a escola com a terceira colocação, melhor colocação desde que a agremiação caxiense passou a desfilar no grupo principal das escolas de samba do Rio.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

 

 

 

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui