RJ – Produtores disputam direitos sobre a Corte Gay do Carnaval Carioca

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Corte de 2020 - Mel Freitas, Barbara Sheldon, Igor Almeida e Jessycaa Portela

Ainda não se sabe quando será o próximo carnaval na cidade maravilhosa, mas já temos o primeiro buxixo de 2021 nos bastidores da folia carioca.

A tradicional Corte Gay/RJ, onde seu primeiro concurso foi em 2011 no Boteco do Zé, sofre disputa autoral por parte da Musa do carnaval e Microempresária Barbara Sheldon e o DJ Wagner Silva. O evento para eleger a corte, já teve jurados famosos no carnaval carioca e finais nas quadras mais baladas do Rio de Janeiro.

Corte Gay do Carioca 2020 – Foto Reprodução

Segundo Barbara, que foi a primeira rainha da história da Corte, Wagner Silva se apropriou da marca e resolveu lançar o concurso para 2021, que já estava decidido que não existiria devido a indefinição em relação aos eventos carnavalescos para o próximo ano. Barbara defende a ideia de manter os nomes eleitos no ultimo carnaval.

A Musa Bárbara Sheldon – Foto Reprodução

Ele não começou junto comigo, apenas me ajudava nas minhas ideias. A logo é uma marca patenteada por Leninha Bordado, um presente dado pelo Diego Gervazoni. Ele (Wagner) está querendo tomar o concurso de mim. Isso nunca vai acontecer, pois a única pessoa que conseguiu público e tornar este concurso realidade, se chama Chiquinho do Babado da Folia, que foi o primeiro idealizador do meu projeto. A corte foi uma idéia que eu tive quando virei rainha de bateria da União do Parque Curicica. Outras trans, outros gays e lésbicas também merecem ter a oportunidade de conquistar o que eu conquistei. No meio do carnaval, demorou muito para conseguir fazer meu nome e  obter respeito. Não vou deixar qualquer pessoa tentar sujar a imagem do meu evento”, explica Barbara.

Corte Gay 2020 com a carnavalesca Maria Augusta na Lavagem da Sapucaí

Sobre a não realização do concurso para 2021, Barbara Sheldon mostra preocupação com o momento e a indefinição em relação a próxima data para “Folia Momesca” no Rio de janeiro. A musa quer manter os mesmos nomes do ultimo concurso e assim evitar fazer um evento para eleger novos membros, sem saber se vai ter carnaval no próximo ano. Em relação a disputa com Wagner, a produtora defende que existem problemas pessoais em jogo. Ela acusa o DJ, inclusive de apropriação financeira e das redes sociais oficiais da marca.

Reprodução Facebook

Não vou fazer concurso pois estamos em meio a uma pandemia. Vamos apenas fazer um evento em Madureira, no qual vou renomear a Corte. Inclusive, estou entregando minha faixa para dar oportunidade a outra menina no meu lugar. Seria burrice da minha parte montar concurso, já que nem Corte oficial da Riotur vai ter. Ele que se intitula DJ, mas não é DJ, está me atacando porque parou de falar comigo. Já teve época que o mesmo se apropriou de alguns patrocinadores. Isso na época que estava como candidata a Deputada Federal, e não podia assumir o concurso. Ele roubou dinheiro de pessoas que ajudava no evento. A única coisa que ele tem é a senha da Pagina Oficial na rede social. O Rei Igor continua, a Jéssica continua como rainha e estou dando oportunidade para uma Trans, que é a Natasha, passista do Império Serrano. Ano que vem será nossa volta com tudo”, finaliza.

DJ Wagner Santos defende que a marca Corte Gay RJ é dele

Procurado pela equipe do CN1, Wagner Santos deu sua versão dos fatos. O DJ defende que ele é o criador do evento e que vai manter o concurso anunciado nas redes oficiais da marca.

Barbara e Wagner se mostravam próximos, como mostra foto de 2017

Eu e Bárbara erámos amigos de infância e tivemos uma desavença pessoal. Sem recurso algum, em dois mil e dez, reuni uma galera, entre elas a Bárbara, para participar do concurso. Foi tudo um em comum acordo, mas quem idealizou o concurso fui eu. Sabe o que acontece? Ela é uma figura do carnaval. As pessoas conhecem ela por conta do carnaval e isso é mérito dela. Não questiono, estou falando em questão do concurso da Corte Gay. A primeira discordância foi a questão de manter a corte com mesmas pessoas. Podemos perder perder a credibilidade. Fica complicado pois a Barbara só pensa nela, quer o foco pra ela. Fica expondo tudo nas redes sociais, mas eu não quis me expor com ela. Tenho minha consciência tranquila, pois se fosse um mau caráter, não conviveria ao lado dela todos estes anos. A pessoa se auto intitulou a dona do evento porque já participou, já foi princesa, já foi rainha. Isso porque eu a coloquei como rainha no evento que não era conhecido, agora que virou, ela quer se apropriar“, se defende Wagner.

Wagner Santos com Corte 2020 na Sapucaí

Resolvi continuar com o concurso pois sou DJ, trabalho com eventos. Projetos do meio gay estão voltando com força total. Sei da pandemia, que pode não ter carnaval, mas as escolas vão manter os ensaios nas quadras, ensaios de rua. A ideia de fazer a Corte é para manter o padrão. Só que ela anda alegando que a corte é dela. Não tem nada dela, não é registrado, ela não patenteou nada. Se ela quiser brigar, pode fazer o que ela quiser. Tenho todos os registros dos concursos, que apresentei desde o primeiro. Eu quem pedi o patrocínio do Chiquinho do Babado da Folia. Vou continuar por quê nem tão cedo a pandemia vai embora, não tem nenhuma vacina. Mas os eventos voltaram, como por exemplo, já teve feijoada da Portela e foi um show de organização“, explica o DJ.

Barbara e Wagner se mostram próximos como mostra foto de 2017

Não falei nada da pessoa dela. Ela sim, anda falando bastante de mim. A Barbara tem a péssima mania de denegrir a imagem das pessoas. Tudo o que ela falou contra mim, todas as coisas que ela anda falando da minha pessoa, já entrei com um advogado. Abri uma ação contra ela, tomando medidas cabíveis da forma com que possa me defender. A Corte é um projeto meu. Não estou preocupado com o que ela fala, porque as pessoas podem falar o que quiser. Só que ela vai ter que sustentar o que anda falando”, finaliza Wagner.

Os atuais soberanos, Jessycaa Portela, Rainha do Carnaval e Igor Almeida o Rei Momo, também se manifestaram. Os dois se consideram reeleitos e respeitam a decisão de Barbara Sheldon.

Jessycaa Portela, Rainha do Carnaval – Foto Divulgação

Sobre isso tudo que está acontecendo, acho totalmente um absurdo da parte do Wagner. Posso falar pelo ano que estou como rainha e os anos que venho acompanhando. Nunca vi o Wagner presente na corte ou executando alguma ideia que tenha vindo dele. Pelo contrario, sempre o vi obedecendo ordens. Iniciativa dele nunca teve. Este ultimo ano, não vi o Wagner em nenhum outro evento, somente na minha coroação. Depois disso, a corte esteve em diversos lugares e o Wagner não acompanhou. É um projeto da Bárbara e ela  não pensa em concurso, pensa em vidas. Está chato, um monte de gente perguntando que história é esta, pois o Wagner anda postando um monte de coisa”, explica Jessycaa Portela, Rainha Gay do Carnaval 2020.

Igor Almeida, atual Rei Momo da Corte Gay Carioca – Reprodução

É um projeto com muitos anos de luta. Um projeto criado para buscar espaço dentro do meio do carnaval, e ter reconhecimento através das pessoas do movimento LGBTQI+. Sabemos que a Bárbara é a fundadora e a mesma teve o Wagner do seu lado durante estes anos como assessor. Infelizmente os dois tiveram alguma particularidade, que eu não sei dizer qual, e se separaram. O Wagner decidiu montar uma corte, e a Bárbara mantém um projeto. É muito fácil pegar um projeto que já existe e iniciar outro pegando bagagem. Acho indigno caminhar ao lado de alguém e depois tentar tomar ideias desta pessoa. Hoje enxergo uma situação de constrangimento, tanto para a Corte atual, quanto para quem anda se candidatando. As pessoas possuem sonhos e acreditam na credibilidade, na verdade que a corte transmitiu durante todos estes anos. Me entristece vê uma pessoa que lutou do nosso lado, querendo denegrir a imagem da Corte. Proibi o Wagner de usar qualquer imagem minha, senão eu mesmo o processaria. Ele não tem nenhum contrato para o uso da minha imagem. Infelizmente não concordo com a postura dele, apesar de gostar e ser amigo“, finaliza Igor Almeida que é artista e ativista em favor do movimento LGBTQI+.

Jeronimo da Portela recepcionando a Corte Oficial da Riotur e a Corte Gay em evento na quadra da Portela no Pré Carnaval de 2020 – Reprodução

Prestes a completar dez anos de existência, diferente da Corte Oficial da Riotur, a Corte Gay luta para ser reconhecida pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. Eventos, credenciais e premiações são conquistados com ajuda de amigos, apoio e simpatizantes da causa.

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