RJ – “Nem melhor, nem pior”, apenas uma impressionante hegemonia Salgueirense nos Desfiles da Campeãs do Rio de Janeiro

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Foto Divulgaçao

Quem conhece a história do Acadêmicos do Salgueiro sabe que a agremiação da Zona Norte do Rio de Janeiro possui uma história de pioneirismo e ousadia, o que confirma a alcunha de “Nem melhor, nem piorapenas uma escola diferente“. Porém não podemos esquecer que a mesma também é dona de um histórico de disputas politicas que de alguma forma afetaram seus carnavais nas décadas de 80 e 90, trazendo como consequência péssimos resultados.

Salgueiro Vice Campeã em 2008

Em meados dos anos 2000 após uma infundada busca pelo bis de 1993, e vindo de resultados indignos de uma até então detentora de oito títulos, a vermelho e branco trouxe os carnavalesco Renato e Marcia Lage da Mocidade Independente para se consolidar como uma agremiação de bons resultados, se tornando uma recordista em Desfile das Campeãs a partir 2008.

O inicio deste namoro não foi tão promissor – Lage, que anteriormente assinou o carnaval de 1987 do Salgueiro, não teve vida fácil nos primeiros anos de retorno a escola.

Nos primeiros anos de nova parceria com a escola, a família Lage assinou os carnavais de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. Consequentemente terminando nas 7.º, 6.º , 5.º, 11.º (Este o pior resultado da história do Salgueiro) e 7.º colocações.

2006, a pior colocação da história do Salgueiro

Passado o vexame de 2006 e a frustação com o belo carnaval de 2007, todos pensavam que a maré de altos e baixos não teria fim. Mas o Salgueiro fincou seus pés nos Desfiles do sábado das campeãs a partir de 2008, quando foi vice campeã com o enredo O Rio de Janeiro continua sendo…” Dali em diante a agremiação mostrou regularidade nos quesitos e nunca mais deixou de fazer dois desfiles por ano.

2009, o campeonato após 16 anos

Em 2009 Renato Lage assinou sozinho o enredo “Tambor”, garantindo o nono titulo para a galeria da vermelho e branco. Ironicamente sua esposa Marcia é rebaixada junto com o Império Serrano. O casal retorna a parceria em 2010, quando conseguem um quinto lugar, assim garantindo mais uma vez os desfiles das campeãs naquele ano.

“A divina comédia do carnaval”, ultimo trabalho dos Lage no Salgueiro. Em 2017 a escola ficou em terceiro lugar

O casal Lage ficou na agremiação até 2017, sempre retornando com a escola entre as campeãs. Após saída, passaram por Grande Rio e hoje comandam o carnaval plástico da Portela, estão por três carnavais sem conseguir voltar com seus trabalhos entre as seis melhores.

Em 2018, Alex de Souza substitui o casal Lage

Alex de Souza, que antes só tinha retornado no sábado por três oportunidades, estava desde 2014 sem obter o feito. O carnavalesco surfou na onda da escola, que não admite fazer um só desfile por ano, e manteve a marca nos últimos três carnavais.

Comissão de frente do Salgueiro se apresenta na Sapucaí

O feito reflete que a vermelho e branca possui regularidade e ficar fora dos Desfiles das campeãs não passa pela cabeça do apaixonado componente Salgueirense. Os números mostram que a escola trabalha seus quesitos. No entanto apenas um campeonato pode confirmar o tão comentado estigma “de que perde para ela mesma“. Nestes anos, os detalhes tiraram alguns títulos quase certos. Pior pensar que em alguns casos, um único quesito tirou o primeiro lugar da escola, se repetindo em anos posteriores com o mesmo “Calcanhar de Aquiles”.

Em 2020, o Salgueiro não passou de um quinto lugar mas voltou entre as campeãs – Fotos: Wigder Frota

Nos últimos treze carnavais, o Acadêmicos do Salgueiro obteve um campeonato, quatro vice campeonatos, dois terceiros lugares, um quarto lugar e cinco quinta colocação entre as grandes Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Nestes mesmo período, a Beija Flor de Nilópolis faturou quatro títulos, a Unidos da Tijuca três e a Estação Primeira de Mangueira levou dois canecos de campeã para casa.

Fotos: Wigder Frota

Fica a impressão de que a escola incorporou a tal alcunha citada no inicio do texto. Por anos não é a melhor, nem se cogita a possibilidade de ser a pior. Parece que isso basta para ser a diferente. Não sei o que significa a “sensação do quase” na cabeça do torcedor. Ou até mesmo se existe contentamento com a situação.

Na visão do autor (com raízes salgueirenses), falta um novo titulo ou até mesmo uma sequencia deles. Falta algo, falta pouco… Mas falta.

Este texto é autoral e, necessariamente, não reflete a opinião do veículo carnaval N1.

2 COMENTÁRIOS

  1. Seu texto está errado: a Beija-Flor ficou 20 anos seguidos vindo no desfile das campeãs. De 1993 a 2013 a escola frequentou o sábado das campeãs. Ainda falta 7 anos para o Salgueiro igualar.

    • Marcelo, o texto diz “a partir de 2008” ninguém além do Salgueiro segue no desfile das campeãs. Infelizmente, a Beija-Flor interrompeu sequência. O Salgueiro não bateu seu recorde, o texto não fala isso. Mas, desde 2008, o Salgueiro é a unica a permanecer!

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