RJ – Imperatriz Leopoldinense 2005 – Hans Christian Andersen e Monteiro Lobato na Sapucaí

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… Além de trazer pra perto
Das crianças brasileiras
Os incríveis personagens
Desse escritor tão esperto,
Ainda fez algo mais belo:
Abriu também as porteiras
Pra eles da sua casa, o Sítio do Pica-pau Amarelo.
Quem duvidar, vá lá ver,
Pegue o livro e volte a ler.

Vai encontrar a Emília,
Faladeira e muito prosa,
O Pedrinho e a Narizinho,
Tia Nastácia, Dona Benta,
O Visconde de Sabugosa
E, ao lado, bem pertinho,
O povo dos contos de fadas,
Que chegou e gostou tanto
Que a Vovó ‘té comprou casa’
Pra hospedar com conforto
Aquela gente encantada…

(trecho da sinopse da Imperatriz Leopoldinense para o carnaval carioca de 2005)

O 18 de abril marca o nascimento, no interior de São Paulo, do grande escritor Monteiro Lobato, autor de obras inesquecíveis que encantaram nossa infância, especialmente o mágico “Sítio do Pica Pau Amarelo”, que por várias oportunidades serviu como enredo para diversas agremiações carnavalescas, em vários cantos do nosso país.

Neste texto vamos destacar uma das oportunidades em que isto aconteceu no carnaval carioca, já que no ano de 2005 a Imperatriz Leopoldinense, através do enredo “Uma delirante confusão fabulística” da carnavalesca Rosa Magalhães, trouxe para a Sapucaí o mundo dos contos de fada de Hans Christian Andersen e de Monteiro Lobato.

A agremiação, comandada naquele ano pelo Presidente Wagner Araújo, foi a quinta agremiação a entrar na pista de desfiles já na segunda noite de desfiles, com o horário de desfile atrasado mais de uma hora, com relação à programação oficial, já que a Portela, que havia desfilado antes, teve problemas bastante sérios que comprometeram seu desfile.

Nesse carnaval o objetivo da Imperatriz era fazer uma homenagem aos 200 anos de nascimento do autor dinamarquês de histórias e contos infantis Hans Christian Andersen e ao escritor brasileiro Monteiro Lobato.

O roteiro do desfile divulgado na época informava que a escola desfilaria na Sapucaí com 39 alas, o que no final indicava aproximadamente 3000 componentes e oito alegorias, para ilustrar e contar o enredo proposto na avenida.

O último campeonato da escola havia sido no carnaval de 2001, dessa forma a agremiação vinha com vontade de voltar ao topo do pódio.

Coincidências da vida dos dois escritores foram uma das formas da carnavalesca desenvolver o enredo proposto visualmente, já que os dois iniciaram suas carreiras no mundo da literatura escrevendo para o público adulto, mas foi com os livros voltados para a literatura infantil que acabaram de fato ficando imortalizados.

Além disso aqui em nosso país foi a editora de Monteiro Lobato quem fazia as traduções das obras de Andersen para distribuição e comercialização por aqui.

A abertura do desfile da escola foi dedicada ao escritor dinamarquês, começando pela comissão de frente “Príncipes em Transformação” do coreógrafo Fábio de Mello, profissional que estava na escola desde o ano de 1992 e responsável por grandes momentos da Imperatriz Leopoldinense neste quesito por diversos carnavais, com vários prêmios conquistados.

Os personagens dessa comissão de frente eram parte grandes cisnes brancos, parte figuras coroadas, príncipes muito presentes nos contos do dinamarquês Andersen.

O carro abre alas daquele desfile trouxe a figura de Andersen, primeiro escritor que se dedicou quase que inteiramente a literatura infantil, nascido em 02 de abril de 1805, como destaque, representado por uma grande escultura representativa do escritor, tudo bem no estilo barroco que caracteriza o trabalho da carnavalesca Rosa Magalhães. Essa alegoria era acoplada e a segunda parte da alegoria fazia menção à “Pequena Sereia”, um dos mais famosos personagens do escritor.

O primeiro setor do desfile era predominantemente branco com pinceladas de cores muito suaves, com referência à neve e à Dinamarca onde o sol aparece de uma forma muito tímida.

A ala de baianas da Imperatriz sempre é um destaque nos desfiles da escola, pelos muitos prêmios recebidos referentes ao excelente desempenho da ala, que neste desfile veio como “Rainhas da Neve”.

O samba da escola, de autoria dos compositores Josimar, Evaldo Ruy, Jorge Artur, Jorginho e PC, misturava contos infantis e citava personagens como Emília, de Monteiro Lobato, e o Patinho Feio, do dinamarquês Hans Christian Andersen.

A segunda alegoria fazia referência ao conto da “Rainha da Neve”, com predominância também do branco, na representação da neve e a partir desta alegoria o desfile da escola começou a ganhar cores nas diversas alas e alegorias apresentadas na sequência.

Ponto alto no desfile ficou para o cuidado da escola com as fantasias criadas pela carnavalesca, já que eram de extremo bom gosto, além do acabamento esmerado destas e das alegorias apresentadas neste desfile.

O segundo setor foi dedicado à China, com referência ao conto “O Rouxinol do Imperador”, encerrando com uma alegoria com muitos símbolos fazendo referência aquele país do oriente, como porcelanas chinesas, alegoria predominantemente nas cores azul, branco, dourado e prata. Enormes esculturas representavam nas laterais desse carro a morte. Destaque para a qualidade da pintura de arte empregada nesta alegoria.

 

No próximo setor, destaque para o conto “A Roupa do Rei”, vindo neste setor a frente da bateria da escola, o primeiro casal de porta bandeira e mestre sala, Chiquinho e Maria Helena, mãe e filho, que por muito anos apresentaram o pavilhão da agremiação da zona de Ramos e que até os desfiles atuais são figuras de destaque nas apresentações da escola. Neste desfile eles fecham 23 anos de desfile pela Imperatriz.

Luiza Brunet reinava a frente dos ritmistas da escola já há 11 anos, todos sob a batuta de Mestre Beto, que já contabilizava 33 anos na Imperatriz. Mestre Jorjão veio nesse desfile auxiliando no controle da bateria da escola.

Na entrada da bateria no recuo um “buraco” formou-se, fazendo com que a escola tivesse que correr um pouco, trazendo prejuízos para os quesitos evolução e harmonia.

A alegoria que fechou este setor era predominantemente nas cores rosa, dourado, amarelo e vermelho, com destaque para o nadador Fernando Scherer como “O Rei Nu”.

Novo setor vinha com referência ao conto do “Soldadinho de Chumbo”, já que Andersen foi o primeiro escritor à dar vida aos brinquedos em seus contos.

A alegoria seguinte trazia os brinquedos como destaque, carro multicolorido, com componentes coreografados. O carro trazia a representação de um quarto de brinquedos.

O setor seguinte a esta alegoria dos brinquedos, trazia a fábula do “Patinho Feio”, personagem este que em episódios do Sítio do Pica Pau Amarelo chegou à visitar os personagens os personagens de Monteiro Lobato, assim como Peter Pan.

Nesse setor havia a representação de muitos animais como patos, cisnes, gatos e galinhas, sendo encerrado este setor com a alegoria do “Patinho Feio”, na qual era representada a parte feliz deste conto, com cores alegres e vibrantes.

O último setor desse desfile trouxe finalmente os personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo, obra máxima de Monteiro Lobato, como o Marquês de Rabicó, Emília, o Visconde de Sabugosa, Tia Anastácia, Dona Benta, Pedrinho, Narizinho, dentre outros.

A ala das baianinhas da Imperatriz nesse desfile encarnou a figura de Tia Anastácia para representar. A ala infantil trouxe as figuras de Narizinho e Pedrinho.

Nesse último setor do desfile veio o segundo casal de mestre sala e porta bandeira da escola

Por fim a última alegoria da escola fazia uma homenagem aos personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo e ao escritor Monteiro Lobato, um carro multicolorido, com belas esculturas e fantasias de luxo, estando no topo do carro Raí Menezes com a fantasia ”O Cisne Aterrissa no Sítio do Pica Pau”.

A escola chegou a encerrar seu desfile com gritos de “É campeã!”.

Encerrado esse desfile e passada a apuração das notas dadas pelos julgadores a Imperatriz, a escola ficou com o quarto lugar, com 398 pontos obtidos no total.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

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