RJ – Fantasias de ala do Acadêmicos do Salgueiro para 2022 são publicizadas pela escola

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Para seu quarto carnaval a frente do Acadêmicos do Salgueiro, o carnavalesco Alex de Souza está desenvolvendo o enredo “Resistência”.

Ala 05 –  Dom Obá II D’África

A noção de que os escravizados vinham de uma sociedade organizada e estruturada, com líderes fortes, inteligentes e soberanos, sempre foi fundamental para o resgate do orgulho e da dignidade da população negra. Na Pequena África, no Rio de Janeiro a figura de Dom Obá, descendente direto do Obá do Império de Oyó, representava essa liderança, que marca a defesa da territorialidade do povo preto. A resistência vem, também, de uma linhagem de reinos antigos e poderosos.

 

Ala 15 – Capoeira

A capoeira foi introduzida e desenvolvida no Brasil pelo povo Banto. Fortemente combatida até meados do século XX, essa técnica corporal de defesa e ataque, que simula movimentos de dança, tem importância fundamental no direito de defesa contra o abuso corporal e na história da resistência preta no Rio de Janeiro.

Ala 18 – Os Imortais Literários

Fundada por Machado de Assis, homem preto e um dos maiores escritores da língua portuguesa, a Academia Brasileira de Letras raramente abrigou escritores afrodescendentes em seus quadros. O preconceituoso território acadêmico sempre procurou desvalorizar o conhecimento vindo da África. E para quem conseguia mostrar talento, restava o “embranquecimento” pela história. De Lima Barreto a Conceição Evaristo, vários foram os “nãos”. Mas a resistência atua por frestas e esses grandes nomes se tornaram imortais pelo seu talento, amplificado pela rejeição.

Ala 21 – O Choro na Festa da Penha

A Festa da Penha já era a maior e mais popular manifestação religiosa no Rio de Janeiro, mas ganhou ainda mais visibilidade a partir do período da Abolição. Era ali que os negros recém libertos se encontravam em festas com muito samba e, principalmente, Choro. No pátio da igreja, a música negra – talvez a face de maior potência da cultura Afro-brasileira – encontrou um palco para se espalhar por toda a cidade do Rio de Janeiro.

Ala 25 – Cacique de Ramos

Transgredindo os conceitos da folia, os “blocos de embalo”, com fantasias uniformes e sambas compostos para seus desfiles, mantiveram vivo o carnaval de rua do Rio de Janeiro em uma época que a festa se concentrava em bailes e desfiles das Escolas de Samba. Dentre esses blocos, o Cacique de Ramos, resistência da cultura preta em nossa cidade, tem um lugar especial, não só por sua potência, mas também por ter gerado o grupo Fundo de Quintal, um dos maiores responsáveis pela popularidade do samba em nosso país.

Ala 28 – AfroReggae

A história da resistência da população negra no Rio de Janeiro é permanente e novas formas de luta vão surgindo. O Grupo Cultural AfroReggae nasceu com a missão de promoção de justiça social e valorização da cultura afro-brasileira. Seja em trabalhos sociais, em desenvolvimento de potencial ou em manifestações artísticas, o grupo se espelha no Pan-africanismo para fazer a diferença para os jovens moradores de comunidades do Rio de Janeiro.

O samba enredo para 2022 do Salgueiro é de autoria dos compositores Demá Chagas, Pedrinho da Flor, Leonardo Gallo, Zeca do Cavaco, Joana Rocha, Renato Galante e Gladiador.

 

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

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