RJ – Escolas de Samba reabrem quadras e vendedores ambulantes comemoram

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Após Prefeitura do Rio anunciar que a partir do dia 01/10 as quadras de Escolas de Samba voltam a ter autorização para funcionar, varias agremiações tornaram a focar em programações presenciais, seguindo o protocolo de segurança sanitária. A Portela faz sua tradicional feijoada hoje (07), Unidos da Tijuca reabre amanha com evento de pagode e o Acadêmicos do Salgueiro realiza feijoada no próximo dia 20.

O decreto municipal alerta para que nesta volta, as escolas atentem para prevenções como uso de álcool, máscaras e distanciamento social. Além disso a Vigilância Sanitária vai realizar uma série de capacitações com os profissionais das escolas. Quem comemora a volta das atividades nos “templos sagrados do samba” são os famosos “barraqueiros”, profissionais que sobrevivem da venda de bebidas e petiscos nas portas das famosas quadras cariocas.

Antônio Olímpio e seus clientes famosos, como o cantor Xandy de Pilares – Reprodução Facebook

Antônio Carlos Olímpio, 54 anos, possui mais de duas décadas trabalhando com “barraca ambulante” na Rua Silva Teles, onde se situa a quadra do Acadêmicos do Salgueiro. O comerciante, que vende bebidas e lanches, emprega três pessoas, entre elas a filha Graziele. Na ultima temporada de ensaios, Antônio teve lucro médio de R$ 600,00 por semana (tirando reposição de material e pagamento de colaboradores).

Antônio conta com a ajuda de sua filha Graziele, nas madrugadas de trabalho em ensaios do Salgueiro – Reprodução Facebook

“Faço daquilo ali literalmente o meu ganha pão e gosto muito do que faço. O Impacto psicológico e financeiro por conta dessa doença foram os que mais marcaram nessa minha minha longa trajetória de acadêmicos do Salgueiro. Hoje, as coisas estão próximas de voltar ao normal e com isso a demanda de vendas tendem a retornar. Minhas expectativas são as melhores possíveis. Pretendo voltar mais forte do que nunca!” explica Antônio.

No ultimo carnaval, a Riotur levantou o número de 2.1 milhões de turistas na cidade, gerando impacto de R$ 4 Bilhões na economia. Para o próximo ano, existe indefinição quanto a realização dos Desfiles. Isso preocupa quem trabalha no entorno da Sapucaí durante o período carnavalesco. Antônio, que até o momento precisou contar com ajuda de amigos e família para manter as finanças, também leva seu pequeno negócio para o entorno do local onde ocorrem os desfiles das Escolas de Samba.

Antônio Olímpio possui 22 anos de trabalho na rua Silva Telles e 17 carnavais no entorno do Sambódromo

Na Sapucaí, são dezessete carnavais seguidos. Já passei por diversas coisas, mas essa pandemia veio pra me mostrar que não somos nada do que pensamos nessa vida. Pude ver com quem realmente posso contar e também o quanto eu tenho que ser grato por tudo, e principalmente a Deus. Independente de qualquer coisa Deus me dá saúde pra continuar nesta batalha tão difícil”, finaliza.

Tradicional “Cafofo da Baiana”, na Tijuca – Reprodução Facebook

Situação idêntica é a da comerciante Valquíria de Santana Silva, 59 anos. A baiana de Salvador é conhecida no meio do samba por seus famosos petiscos. Com mais de vinte anos trabalhando em portas de quadras, e também no Sambódromo, Valquíria emprega quatro pessoas durante o carnaval e se mostra preocupada quanto a possibilidade de cancelamento dos próximos Desfiles das Escolas de Samba no Rio de Janeiro.

Valquíria de Santana, a baiana famosa pelos petiscos e caldos

O fato de não ter carnaval vai ser muito ruim, porque dependemos disso. Ainda mais no  caso de nós autônomos. Carnaval é popular, é cultura desde que eu me entendo como gente. Independente de quem atua diretamente ou não, todo mundo quer trabalhar no carnaval. Já está ruim agora, não tendo desfiles, pior ainda. As contas chegam“, pontua Valquíria.

Em época de ensaios, Valquíria de Santana consegue lotação máxima em seu negócio – Foto Divulgação

Com o cenário de dúvidas e incertezas provocados pela pandemia do Covid-19, os desfiles das Escolas de Samba do Rio não acontecerão em fevereiro, conforme decisão tomada em Setembro. O tradicional cortejo das comunidades ainda não tem data para acontecer no próximo ano. Representantes dos blocos de carnaval, por sua vez, já decidiram pela suspensão de suas celebrações nas ruas do Rio em 2021.

Por Waldir Tavares e Henrique Sathler

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