RJ – Em nota exclusiva para o CN1, Leandro Vieira esclarece polêmica sobre rifar posto de Destaque Central do Abre Alas da Mangueira

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Foto reprodução

Leandro Vieira conversou de forma exclusiva com o repórter do Carnaval N1, Henrique Sathler, sobre a rifa virtual que sorteia a cobiçada posição de Destaque Central no Abre Alas da Estacão Primeira de Mangueira. O carnavalesco explicou a necessidade financeira da escola verde e rosa e como funciona o segmento que terá uma vaga a custo de R$ 300,00 (valor da rifa virtual).

De um modo geral o alto preço dos artigos de luxo utilizados nos figurinos de Destaque limitam o acesso ao posto. Uma condição financeira mediana, por si só estabelece uma espécie de padrão. Além da causa ter a nobreza de angariar fundos para o pagamento de profissionais fragilizados pelas incertezas da realização do carnaval, vejo a possibilidade de gente sem recursos financeiros poder brilhar”, explicou Leandro.

Abre Alas Mangueira 2017 – Foto Wigder Frota

Sempre preocupado com o papel social das agremiações no que tange a desigualdade, Leandro esclarece que o sorteio pode dar oportunidades a determinadas classes que jamais pensariam em ocupar determinada posição. Segundo Leandro a rifa poderia popularizar o segmento Destaque e dar oportunidade para um perfil variado e sem distinção.

Existem destaques negros? Sim, existem. São muitos? Não, são bem poucos. Na Mangueira mesmo, em alegoria, bancando a sua roupa, não há nenhum. Creio que isso também seja um padrão e esse padrão está intimamente associado às condições de desigualdade que marcam a estrutura social brasileira“, pontuou.

Leandro é bicampeão do carnaval carioca – Foto Divulgação

Conforme publicação em sua rede social na tarde deste Domingo (09), o artista reforça  sua torcida por quebras de padrões nos perfis impostos na ocupação de determinados lugares dentro de um Desfile de Escola de Samba.

Outro padrão que de alguma forma é imposto seria o estético. Esse, por certo, é um dos mais ferozes. De um modo geral o padrão de beleza tornou-se normativo – não me refiro com exclusividade ao carnaval – e isso reforça inclusive preconceitos como a gordofobia. Musas e musos em posição de destaque em alegorias de alguma forma perpetuam e reproduzem padrões estéticos pré-estabelecidos. Como eu disse, vou celebrar qualquer ganhador ou ganhadora. Para muitos, espalhados pelo Brasil e pelo mundo, isso é um sonho. Sonhos, são sonhos para qualquer tipo de pessoa. Mas perceber que há nessa modalidade de acesso ao posto alguma espécie de democratização me anima”, finaliza o carnavalesco.

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