RJ – Com brilho no olhar, a atual Campeã Unidos do Viradouro lança sinopse do enredo para o próximo carnaval

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A Unidos do Viradouro divulgou a sinopse do enredo “Não há tristeza que posso suportar tanta alegria“, uma releitura do carnaval de 1919, conhecido como o carnaval pós gripe espanhola e sendo o maior de todos os tempos. Os carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon fazem uma alusão ao atual momento que o mundo passa em relação a pandemia da Covid-19.

´DEPOIS DA ENERGIA ELÉTRICA, DA ENERGIA ATÔMICA,
SÓ UMA TERCEIRA ENERGIA CHAMADA ALEGRIA
PODERIA REALIZAR GRANDES EVENTOS. “
(A GENIALIDADE PROFÉTICA DE JOÃO JORGE TRINTA).

CORAÇÕES À ESPERA:
– QUE SERÁ DO CARNAVAL?
  QUESTIONAM OS SAMBISTAS NA FESTA DA PENHA, NO OITO DE DEZEMBRO DE 1918, SÉC. XX.

 DAVID BUTTER, JORNALISTA E PESQUISADOR DO CARNAVAL, DESCREVE:

“À ÉPOCA, A FESTA DA PENHA ERA UM TERRENO DE TESTE PARA CANÇÕES, ONDE SE ESBARRAVAM FIGURAS DAS SOCIEDADES, DOS RANCHOS, DOS BLOCOS E DA INCIPIENTE MÚSICA POPULAR BRASILEIRA. PARA LÁ, MUDAVA-SE POR ALGUNS DIAS, A PEQUENA ÁFRICA, COM AS TIAS BAIANAS E SUAS BARRACAS.

  O MATINAL O PAIZ, EM 03 DE MARÇO DE 1919, DESCREVE:

“O CARNAVAL NÃO MORREU. VINGOU-SE GLORIOSAMENTE DAS RESTRIÇÕES QUE O PASSADO LHE IMPÔS NA GUERRA E PRESTOU UM ÓTIMO SERVIÇO DE FAZER ESCURECER A VISITA MACABRA DA ´ESPANHOLA`.“

EXTINTA A DOR DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL. ASFIXIADA A GRIPE ESPANHOLA.
FINDO O ANO DE 1918.

SINOPSE

1919.

´´ E O MUNDO NÃO SE ACABOU. 
(O CARNAVAL DE 1919 FOI UMA DAS INSPIRAÇÕES PARA O COMPOSITOR ASSIS VALENTE – MÚSICA ETERNIZADA NA VOZ INESQUECÍVEL DE CARMEM MIRANDA).

OS CRONISTAS DOS PRINCIPAIS JORNAIS DA CIDADE ASSINAM COMO PIERROT AS NOTÍCIAS MATINAIS QUE PRENUNCIAM A CHEGADA DO CARNAVAL. NO JORNAL O MALHO, A CHARGE DO CARTUNISTA HÉLIOS SEELINGER REVELA EM NANQUIM TRAÇOS DE SAUDOSOS FOLIÕES ESQUECIDOS DO IMAGINÁRIO POPULAR. MOMO DEIXA DE SER TRATADO COMO REI, É ELEVADO AOS CÉUS PARA SER GLORIFICADO COMO DEUS, NO DIA 1º DE MARÇO DE 1919.

CONFINO A TRISTEZA, ME DESPEÇO DAS TREVAS. ROMPO O ISOLAMENTO DE UMA INFINDA SOLIDÃO. CALÇADAS TESTEMUNHAM PASSOS CONTIDOS, JANELAS SE ENTREABREM. INEBRIO-ME COM OS ARES DO MARCA-MEU-CORAÇÃO. A CASA DAS FAZENDAS PRETAS RETIRA OS FARDOS DE UM LUTO ELEGANTE, QUE VESTIU A DOR DOS ÚLTIMOS TEMPOS – EM SEU LUGAR O LUME DOS BROCADOS, DAS RENDAS E CETINS. ENTRELAÇO O OLHAR NAS FITAS MÉTRICAS DA BOUTIQUE LE FRANCE, RECEBENDO OS PRIMEIROS FOLIÕES. CÉU DESENHADO POR VARAIS DE VENTAROLAS DA CASA BUIS, NA RUA DO OUVIDOR. A NOVA DAMA DO CABARÉ SE FAZ PRESENTE NAS ESQUINAS DA AVENIDA MEM DE SÁ, SEGUINDO O LEGADO DA CAFETINA ALICE CAVALO DE PAU, DIZIMADA PELA GRIPE. SOU UM PIERROT EM RECESSO DAS REDAÇÕES DE JORNAIS. FAÇO PARTE DA NATA DA SOCIEDADE QUE SE PREPARA PARA O ÚLTIMO BAILE PRÉ-CARNAVALESCO DO CLUBE DOS DEMOCRÁTICOS. EVOCO A VINGANÇA DA VIDA!

´´…ASSIM É QUE É, VIVA A FOLIA!
VIVA MOMO, VIVA A TROÇA!
NÃO HÁ TRISTEZA QUE POSSA SUPORTAR TANTA ALEGRIA. 
(CANÇÃO DE BAILE DO PRÉ-CARNAVAL DOS DEMOCRÁTICOS, AUTOR DESCONHECIDO, 1919).

O CARIOCA INSTAURA A DESFORRA DA PESTE NA PRIMEIRA MANHÃ DE UM CARNAVAL. ENSAIO UM CANTO A CONTEMPLAR A CONCENTRAÇÃO DOS PRÉSTITOS DAS GRANDES SOCIEDADES: A BARCA DA VITÓRIA, DO CLUBE DOS DEMOCRÁTICOS; A HESPANHOLA, DO TENENTES DO DIABO E O ICÔNICO CHÁ DA MEIA-NOITE, DOS FENIANOS. PARTO NO BONDE DA VINGANÇA PARA A PRAÇA DA REPÚBLICA, CONDUZIDO PELO POPULAR JAMANTA – DESVAIRADO FOLIÃO A RETOMAR A NOSSA DELIRANTE FANTASIA DE VIVER, LEVADA POR ESPÍRITOS REVOLTOSOS. ESBARRO NAS COCOTAS EMPLUMADAS E ME EMBRIAGO NUM ARDENTE XAROPE DE CALIBRINA. DESFAÇO A MELANCOLIA DE UMA FACE MAL-AJAMBRADA, QUE REVELA O SORRISO ENVOLTO À ALEGRIA DO BLOCO CARÕES MASCARADOS.

NAS ONDAS DA AVENIDA BEIRA-MAR, DOU COR À ANGÚSTIA EM FOLHAS DE PAPEL CREPOM. CONTEMPLO CORSOS ENGARRAFADOS DE FLERTES E MELINDROSAS. AUTOS QUE FIGURAM DEUSAS ÁVIDAS, DESPERTANDO O OLHAR SENSUAL DO JOVEM NELSON RODRIGUES. BANDAS MARCIAIS FANFARRAM POR CORETOS E BOULEVARDS AO DENOTAREM O TRAÇO ART DECÒ DE J.CARLOS. NUMA DAS ESQUINAS DA RIO BRANCO, DE UM BAR, EXCLAMA UM FOLIÃO: – CHEGOU O CAVEIRINHA! MESTRE QUE DRIBLOU A MORTE A DESFRALDAR SEU PAVILHÃO, NO PRIMEIRO DESFILE DO CORDÃO DA BOLA PRETA. PEÇO EXÍLIO A MILHARES DE CORAÇÕES AGLOMERADOS NO BLOCO DO EU SOZINHO – CORTEJO QUE RENDEU AO FOLIÃO JÚLIO SILVA, 53 MEMORÁVEIS CARNAVAIS. NAS MATINÊS, O MOLEQUE MESTIÇO COM CHAPÉU DE JORNAL TICO-TICO, EM QUE RETRATO O RIO EM PALAVRAS E DESENHOS. O BEIJO NA SERPENTINA DECLARA UM AMOR QUE SE DESDOBRA NAS BATALHAS DE FLORES DA AVENIDA CENTRAL.

RESIDE EM MIM A ETERNA FANTASIA DE UM PALCO REANIMADO. PERNALTAS VIBRAM CORNETAS, QUE PRENUNCIAM OS BILHETES DOS GRANDES BAILES DE CLUBES E THEATROS. ESCADARIAS CONFEREM UM REFINADO BAILADO, SACADAS PREENCHEM VIVÊNCIAS QUE REVELAM A FÚRIA DE UMA METRÓPOLE EM FESTA. ORQUESTRAS ANIMAM VALSAS, DANDO UM BAILE EM QUALQUER TRISTEZA. BOMBONS ADOÇAM SENTIMENTOS. NA LUZ DA RIBALTA, O EQUILÍBRIO DOS ARTISTAS DO CIRCO AMERICAN-FRANCE. FIGURAS MACABRAS DE UM SALÃO (DIABINHOS, MORCEGOS, BRUXAS) CURVAM-SE À SOMBRA DE APLAUSOS AOS HERÓIS DA CRUZ VERMELHA. DESCORTINO LEMBRANÇAS HEROICAS DE VESTES BORDADAS POR SAGRADAS MÃOS DO CALDEIRÃO DA PRAÇA ONZE.

O CARNAVAL É DO CORPO E O SAMBA É DE ALMA PRETA. NA PEQUENA ÁFRICA, REVERENCIO AS TIAS CURANDEIRAS QUE EXTIRPARAM O MAL DA GRIPE DE CENTENAS DE BAIANOS E MESTIÇOS. BORBOLETAS NEGRAS CLAMAM A TRANSFORMAÇÃO PARA UMA SOCIEDADE IGUALITÁRIA. GUERREIROS PALADINOS EMPUNHAM LANÇAS TRIBAIS PELA LEGITIMIDADE DO SAMBA – QUE SE FAZ O PRINCIPAL GÊNERO MUSICAL DO CARNAVAL. O FOLCLÓRICO GRUPO CAXANGÁ, DE JOÃO PERNAMBUCO, GERMINA A CRIAÇÃO DOS OITO BATUTAS. ENTRARAM DONGA, CHINA E PIXINGUINHA – A PRIMEIRA LINHAGEM DE SAMBISTAS. O LENÇO NEGRO CAÍDO DOS SOBRADOS DÁ LUGAR AO COLORIDO DE ESTANDARTES DOS RANCHOS. EVOCO O SENHOR DA CURA! CUBRA-NOS COM SUAS PALHAS! QUE TEU XAXARÁ AFASTE DE VEZ TODAS AS MAZELAS QUE VIEREM TOCAR OS SAMBISTAS.

O ÚNICO CONTÁGIO POSSÍVEL? A ALEGRIA.

´´A ALEGRIA ESTAVA ENTRE NÓS,
ERA DENTRO DE NÓS QUE ESTAVA A ALEGRIA.
A PROFUNDA E SILENCIOSA ALEGRIA. “
(´´SONHOS DE UMA TERÇA-FEIRA GORDA“, DE MANUEL BANDEIRA).

 AR LIBERTÁRIO NA MANHÃ DE UM ÚLTIMO DIA DE CARNAVAL. UM RIO EM TRANSE, DE ALMAS CANTANTES, EM UMA CATARSE DE ALEGRIA.  ´´DESMASCARO“ UM RIO QUE O PRÓPRIO RIO NÃO CONHECIA – ESPERANÇA PARA OS DIAS ATUAIS. VOLTO AOS DIAS CALOROSOS, DOS ABRAÇOS AFETUOSOS COMO TODO CARIOCA PREZA. CORPOS QUE SE TRANSPASSAM, MÃOS QUE SE UNEM NOS REENCONTROS FAMILIARES– FOLIÃO-ORIGINAL A EXORCIZAR TODA SAUDADE. FIGURAM TRIBOS ÉBRIAS, CORAÇÕES PERAMBULANTES EM ESTADO DE GRAÇA. EUFORIA QUE NÃO DERRUBOU A SABEDORIA DOS FOLIÕES MAIS ANTIGOS A PROCURAR, NA QUARTA DE CINZAS, OS SEUS. PULSA NO EPICENTRO DA CAPITAL, O DESTEMIDOS DO CONSELHEIRO, QUE CLAMA REVANCHE A SE OUVIR DO OUTRO LADO DA BAÍA DE GUANABARA.

APORTAM NA ENSEADA OS REVANCHISTAS DA CIDADE SORRISO, LANÇADOS DOS CORREDORES DA BARCA XIX, NICTHEROY-RIO. ALGUNS ENSAIAM UM FUNAMBULESCO BANHO DE MAR. OUTROS DESEMBARCAM SONHOS DE UMA APOTEÓTICA TRAVESSIA DE BALÃO. SOB UM SOL ESTRIDENTE, ESVAÍAM-SE CANTORIA ADENTRO, EMBALADOS PELAS COMPOSIÇÕES DO POETA BARRETENSE ZÉ DE MATOS. O RIO DE JANEIRO, MEMORÁVEL, DESPERTA COM A EMOÇÃO QUE FORMARIA, MAIS TARDE, O CHÃO DA UNIDOS DO VIRADOURO.

ADORMEÇO EM MEIO AOS ÚLTIMOS FOLIÕES RESIGNADOS: ERAM TRAPEIROS QUE CARREGAVAM PALMOS DE CONFETES E SERPENTINAS DE UMA TROÇA SEM FIM. QUARENTA TONELADAS DE UMA FOLIA QUE TEVE PAPEL HISTÓRICO. RETOMAR A VIDA PELA ALEGRIA NO MAIOR CARNAVAL DE TODOS OS SÉCULOS.

´´NA QUARTA-FEIRA DE CINZAS,
O RIO DESPERTOU CONVICTO
DE QUE VIVERA
O MAIOR CARNAVAL DE SUA HISTÓRIA. “
(´´ METRÓPOLE À BEIRA-MAR, O RIO MODERNO DOS ANOS 20“, DE RUY CASTRO).

ESTOU ME GUARDANDO PARA QUANDO O CARNAVAL CHEGAR.
(AUTORIA ENREDO, TEXTO) MARCUS FERREIRA E TARCÍSIO ZANON – CARNAVALESCOS

SINOPSE-VIRADOURO-NAO-HA-TRISTEZA-QUE-POSSA-SUPORTAR-TANTA-ALEGRIA.pdf

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