RJ – A Majestade do Samba Completa 97 Anos de Fundação

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A Majestade do Samba chegou aos seus 97 anos de fundação neste dia onze de abril, mas em função do atual cenário pelo qual estamos passando, as comemorações serão oportunamente, quando o isolamento social for relaxado no Rio de Janeiro.

Todos os anos a grande expectativa de todo o portelense é saber como virá a águia, símbolo da agremiação, que tem as cores azul e branco, cores estas dadas à escola por Antonio Caetano, tendo como referência o manto de Nossa Senhora da Conceição, santa padroeira da escola juntamente com São Sebastião.

Os torcedores da Portela não esquecem as águias dos carnavais de 1995 e de 2015, como aqueles momentos mais destacados na apresentação da águia da escola.

A Portela detém o título de maior campeã do carnaval carioca, uma vez que alcançou a vitória máxima em 22 carnavais, tendo isto acontecido pela última vez nos desfiles de 2017, título este compartilhado com a Mocidade Independente de Padre Miguel. Dentro desta galeria de 22 campeonatos, a Portela alcançou um heptacampeonato e um tetracampeonato.

A Portela conjuntamente com a “Deixa Falar” e a Estação Primeira de Mangueira foram as fundadoras do internacionalmente conhecido carnaval da cidade do Rio de Janeiro.

Em seus primórdios a Portela foi fundada como um bloco carnavalesco, na época denominado de Conjunto Oswaldo Cruz. Durante sua história este bloco teve seu nome alterado por duas vezes; primeiramente passou a chamar-se “Quem Nos Faz É O Capricho” e por fim “Vai Como Pode”, até receber a denominação definitiva de Portela na data de 01/05/1935.

Nos contam os relatos históricos de que na data de 11 de abril 1923, reunidos numa casa, onde também funcionava o Bar do Nozinho, na Estrada do Portela, número 412, Paulo da Portela, Antônio Rufino e Antônio Caetano fundaram o Conjunto Carnavalesco Osvaldo Cruz, que mais tarde, como escola de samba, receberia o nome de Portela. Paulo da Portela foi escolhido o primeiro presidente.

O nome Portela quando recebido pela agremiação fazia referência à Estrada da Portela, onde na época ficava a sede da escola.

Hoje Portela, Estação Primeira de Mangueira e Beija Flor de Nilópolis formam o trio de agremiações carnavalescas cariocas com maior número de títulos alcançados.

Muitas inovações foram introduzidas nos desfiles de carnaval vindas da Portela, como apresentação de alegorias (1935), o primeiro samba enredo (1939), colocação de fantasias relacionadas ao enredo apresentado e apresentação de uma comissão de frente.

Mas nem sempre as coisas na Portela foram calmas, chegando ao ponto de que em 1941, Paulo da Portela, fundador da escola se afastasse da mesma. Nos anos 70 novos afastamentos aconteceram, época em que Candeia deixou a agremiação definitivamente. Por fim, nos anos 80, nova dissidência aconteceu e desta vez o grupo que se retirou acabou fundando a Tradição.

A quadra da agremiação fica no bairro carioca de Madureira e sua bateria, denominada de “Tabajara do Samba” é uma das mais respeitadas no meio carnavalesco.

A escola destaca-se tanto na vida cultural do Rio de Janeiro, que no ano de 2011 recebeu a Ordem do Mérito Cultural.

No tocante à bandeira da agremiação, atualmente apresentada pelo primeiro casal Lucinha Nobre e Marlon Lammar, primeiramente foi desenhada por Heitor dos Prazeres em 1929, sendo que a bandeira definitiva foi concebida por Antônio Caetano, um dos fundadores da escola, somente no ano de 1931.

Desde o ano de 2016 a presidência da Portela é ocupada por Luis Carlos Magalhães que sucedeu a Marcos Falcon, tão logo este último foi assassinado.

Monarco, figura tradicional da Portela, ocupa o posto de Presidente de Honra desde 2013.

Grandes personalidades sempre participaram dos desfiles da agremiação, como uma marca registrada da escola, dentre os quais podemos destacar as figuras de tia Surica, Paulinho da Viola, Clara Nunes, Marisa Monte, Vilma Nascimento, Jeronymo da Portela, Nilce Fran, Valci Pelé, Maria Rita, Diogo Nogueira dentre outros.

Um capítulo à parte, dentro da história da Portela foi a figura de Maria das Dôres Alves Rodrigues, popularmente conhecida como Dona Dodô, porta bandeira do primeiro título conquistado pela escola, tendo participado de 18 campeonatos alcançados pela Portela e que por fim foi a líder da ala das Damas da agremiação.

 

Em depoimento prestado em 2009 ao Centro Cultural Cartola, ao ser perguntada se sentia amor pela Portela, Don Dodô respondeu: “Nem é amor, porque amor às vezes acaba. É tudo”. Naquele mesmo ano, foi reverenciada, com outras personalidades do samba, no documentário “Velhas guardas”, de Joatan Berbel. (Fonte: https://oglobo.globo.com/rio/porta-bandeira-do-primeiro-titulo-conquistado-pela-portela-dodo-morre-aos-95-anos-14983662)

Contemporaneamente grandes profissionais atuaram como carnavalescos na Portela, com destaque para Renato e Márcia Lage, Rosa Magalhães, Paulo Barros, Alexandre Louzada, Paulo Menezes, Jorge Caribé, Cahê Rodrigues, Jorge Freitas, Ilvamar Magalhães, Amarildo de Mello, José Félix, Sílvio Cunha, Viriato Ferreira, Edmundo Braga, Paulino Espírito Santo, dentre muitos outros.

Nilo Sérgio ocupa o posto de mestre de bateria da escola desde o ano de 2006, posto este que já foi do lendário Mestre Marçal.

Já em seu primeiro desfile, no carnaval de 1932, a Portela alcançou um vice campeonato com o enredo “Carnaval Moderno”, tendo Antonio Caetano sido o carnavalesco da agremiação.

O primeiro campeonato da escola foi no carnaval de 1935 com “O Samba Dominando o Mundo”, tendo se repetido a vitória em 1939, de 1941 à 1947, 1951, 1953, de 1957 a 1960, 1962, 1964, 1966, 1970, 1980, 1984 (campeã de domingo) e 2017.

Em toda esta história da Portela no carnaval carioca, destaca-se o desfile de 1970 com o enredo “Lendas e Mistérios da Amazônia” dos carnavalescos Clóvis Bornay e Arnaldo Pederneiras, que foi reeditado no ano de 2004. Em 1970 campeã e em 2004 alcançou apenas um sétimo lugar.

 

No carnaval de 1980, “Hoje Tem Marmelada” do carnavalesco Viriato Ferreira, trouxe mais um título para a agremiação, sendo mais um dos desfiles inesquecíveis para o torcedor portelense.

 

 

Na inauguração do sambódromo carioca, no carnaval de 1984, a Portela trouxe o enredo “Contos de Areia”, tendo com este desfile a escola alcançado o campeonato no domingo, primeiro dia de desfiles naquele carnaval, tendo ficado com o segundo lugar no supercampeonato daquele carnaval.

 

 

 

No carnaval de 2015 uma das imagens que ficaram fixadas no mente e no coração do portelense é a da águia redentora, planejada pelo carnavalesco Alexandre Louzada para o enredo “”ImagináRIO, 450 janeiros de uma cidade surreal”.

 

O carnavalesco Paulo Barros levou a Portela à vitória no carnaval de 2017, quando pôs na Sapucaí o enredo “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar?”, estando desde este ano a escola lutando para voltar ao topo do pódio.

 

Nesse último carnaval de 2020 a Portela trouxe para seus quadros o casal de carnavalescos Renato e Márcia Lage, que foram os responsáveis pelo enredo “Guajupiá, Terra sem males”, tendo este desfile rendido à escola um sétimo lugar.

 

Com relação à premiação do Estandarte de Ouro, do Jornal O Globo, a Portela nesses muitos carnavais destacou-se com as premiações alcançadas nos segmentos de samba enredo, passista masculino e feminino e revelação.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

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