Quarta de cinzas em 17 de Fevereiro já consagrou grandes desfiles como “Kizomba”, Imperatriz de 99 e o “Segredo” da Tijuca

0
931

O calendário deste ano colocou a Quarta feira de cinzas no dia 17 de Fevereiro. Infelizmente 2021 ficará marcado como aquele carnaval que não teve o famoso “Nota Dez” de Jorge Perlingeiro, em sua trigésima leitura, ecoando na apuração dos desfiles das escolas de samba. Mas o dia 17 já consagrou, em outros anos, grandes desfiles marcados como antológicos na história do carnaval carioca.

Foto Ricardo Leoni

Há exatos trinta e três anos, a Unidos de Vila Isabel sairia consagrada da apuração do carnaval de 1988 com aquele que é considerado um dos melhores desfiles da história, “Kizomba a Festa da Raça“. O enredo, idealizado por Martinho da Vila, na época casado com a Presidente da Escola, a lendária Ruça, homenageava o ano do centenário da Abolição da Escravatura. A escola de Martinho chegou na apuração, realizada no ginásio do Maracanãzinho, com os prêmios de Melhor Escola e Melhor Samba-Enredo do Estandarte de Ouro de 88. Mesmo favorita do publico e da crítica, perdeu pontos em Alegorias e Adereços. Os pontos perdidos não foram suficientes para tirar o campeonato da azul e branca que totalizou 224 pontos, um a frente da Estação Primeira de Mangueira. A Imperatriz Leopoldinense perdeu nove pontos por ultrapassar o tempo limite de desfile em 12 minutos e seria rebaixada, fato que não aconteceu após mais uma das famosas viradas de mesa na história do carnaval carioca.

Antológico e único, “Kizomba” ficaria marcado como aquele desfile que passou apenas uma vez. O Desfile das Campeãs, marcado para o tradicional sábado seguinte, não pode ser realizado pois fortes chuvas castigaram o Rio de Janeiro, resultando na morte de pessoas só na capital do estado.

Onze anos depois, em 1999, seria a vez da Imperatriz Leopoldinense sair campeã da apuração, iniciando o tri campeonato que a tornaria a escola a ser batida no início dos anos 2000. A Rainha de Ramos havia fechado os desfiles das grandes escolas do Rio de janeiro em 1999 com o enredo de Rosa Magalhaes, “Brasil mostra a sua cara em… Theatrum Rerum Naturalium Brasiliae”, retratando a missão que pintores holandeses fizeram durante o governo de Maurício de Nassau em Pernambuco no século XVII. Após um hiato de três anos, em 99, a Imperatriz conquistava novamente o titulo totalizando 269.5 pontos, e deixando a Beija Flor de Nilópolis com o vice, apenas meio ponto atrás. Na apuração realizada na praça da Apoteose, a agremiação de Ramos recebeu somente uma nota diferente de 10. O julgador Maurício Salgueiro deu um 9.5 para as alegorias de Rosa Magalhaes. Este campeonato foi marcado por protestos de torcedores das outras agremiações, insatisfeitos com o resultado. Após vaias no desfile das campeãs daquele ano, Luizinho Drummond, patrono da Imperatriz e então presidente da LIESA, desabafou: “Não é o povo que julga e, sim, os jurados”. A Comissão Julgadora de 1999, que era formada por três jurados por quesito, sorteados de um grupo de cinco, rebaixou São Clemente e Império Serrano para o grupo de acesso.

17 de Fevereiro de 2010 foi o dia da apuração dos desfiles das escolas de samba daquele ano. Após desfile arrebatador, a Unidos da Tijuca era o assunto mais comentado em todos os jornais e criticas especializadas. De volta à escola do Borel, após quatro anos de ausência, o carnavalesco Paulo Barros criou aquele que é considerado o seu melhor trabalho, o enredo “É segredo“. O tema viajava por mistérios da humanidade com surpresas a cada setor que entrava na avenida.

A comissão de frente, onde os componentes trocavam de figurino seis vezes com truques de mágica, foi matéria do Fantástico da Rede Globo. Super favorita e com o Estandarte de Ouro de melhor escola e melhor comissão de frente, na apuração a Unidos da Tijuca perdeu pontos em Bateria e Casal de Metre sala e porta bandeira, este descartado. Com 299,9, a Tijuca deixou a vice Grande Rio bem atrás com 299,4, seguida Beija Flor com 299,2. Com um desfile pífio sobre o México, a Unidos de Viradouro acabou rebaixada após 20 anos no Grupo Especial. Este seria o primeiro dos três campeonatos a seguir, tanto do carnavalesco quanto da Unidos da Tijuca.

Baseado nas utopias que pautaram o carnaval de 2021, fica uma curiosodade. E se estes três desfiles estivessem disputando nesta Quarta Feira de Cinzas? Quem sairia campeão?

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui