Os jogos olímpicos como referência para o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro

0
576

 

Há um dia do término dos jogos olímpicos de Tóquio, jogos estes que acabaram sendo postergados por um ano em função do cenário pandêmico mundial pelo qual estamos passando, as olimpíadas já renderam belas imagens e momentos inesquecíveis para aqueles que assistem aos desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí, que para sempre ficarão na memória dos amantes do carnaval brasileiro.

Aqui vamos fazer referência a dois momentos vividos no carnaval carioca, onde os jogos olímpicos foram retratados em grandes desfiles realizados por agremiações cariocas e que encantaram a plateia da Marquês de Sapucaí, que por ocasião das Olimpíadas do Rio, serviu até mesmo como palco para as disputas de modalidades esportivas, tendo o palco do carnaval da Cidade Maravilhosa, por instantes se transformado em arena esportiva.

Mangueira em 90 cliques | Acervo
Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 1997 – Fonte: https://acervo.oglobo.globo.com/incoming/mangueira-em-90-cliques-22627127

Para seu carnaval de 1997 a Estação Primeira de Mangueira passou pela Sapucaí com o enredo “O Olimpo é verde e rosa” do talentoso carnavalesco Oswaldo Jardim, enredo esse sobre a história dos jogos olímpicos, já que a cidade do Rio de Janeiro havia se candidatado a ser a sede do evento em 2004, candidatura essa que acabou não dando frutos, já que logo depois do carnaval houve o anúncio de que a cidade de Atenas sediaria aquela edição dos jogos.

A verde e rosa carioca tem fortes laços com o desenvolvimento do esporte, especialmente com algumas modalidades que são disputadas nas olimpíadas, já que foi a pioneira em estabelecer e fortalecer o projeto de manter uma Vila Olímpica, isso desde os anos oitenta.

Com esse desfile de 1997 a Mangueira conquistou medalha de bronze na disputa geral com as demais escolas de samba, realizando um desfile cujo enredo foi dividido em duas partes. Inicialmente a escola trouxe as olimpíadas conforme aconteciam na antiguidade clássica, deixando para num segundo momento mostrar os jogos assim como acontecem em nossos dias.

 

“…Mangueira o santuário da esperança

O olimpo é verde e rosa

É o esporte na cultura da criança

De braços abertos sou o Rio de Janeiro

Dois mil e quatro É o sonho brasileiro…”

(Trecho do samba da Estação Primeira de Mangueira – Carnaval de 1997 – Autores: Chiquinho Campo Grande, Jorge Magalhães e Leque)

O samba enredo da escola serviu bem para narrar aquilo que a Mangueira queria mostrar em seu desfile e principalmente passar a mensagem positiva sobre a importância do esporte, mas por muitos não é considerado como um grande destaque na imensa discografia da verde e rosa aos longo dos seus muitos carnavais.

Estação Primeira de Mangueira – Desfile de 1997 – Fonte: http://www.apoteose.com/siteantigo/fotos_97/mangueira.htm

Característica do carnavalesco Oswaldo Jardim, as alegorias da escola vieram com muitas esculturas feitas em espuma, se podendo destacar também que as cores da escola estiveram bastante presentes nesse desfile, acrescidas do dourado e do prateado predominantemente.

Destaque para a interpretação de Jamelão, como comandante do carro de som da agremiação e a bateria da escola, na época comandada por Mestre Alcir Explosão, responsáveis pela empolgação dos integrantes da escola e do público presente na Sapucaí.

Mostrando todo o respeito às suas grandes figuras, no carro abre alas da escola vinham os baluartes da agremiação, num cenário predominantemente grego, com colunas e a representação de um cavalo alado, não tendo sido esquecido o surdo e os ramos, símbolos da escola.

 

Segundo a crítica da época, a segunda parte do enredo, que trouxe as olimpíadas modernas, teria sido inferior ao primeiro, em termos plásticos e de acabamento das alegorias, tendo havido inclusive problemas com a iluminação de alegoria.

O grande contingente de desfilantes naquele carnaval, também trouxe à verde e rosa problemas que puderam ser observados na evolução da escola, mas foi destaque nessa apresentação a harmonia da agremiação.

As grandes figuras da escolas estavam na passarela para defender a agremiação como Alcione, Rosemery, Dona Neuma, Dona Zica, Delegado, Mocinha e muitos outros.

Por fim, desde o ano de 1988 que a Mangueira não tinha uma colocação tão boa, podendo dessa forma festejar o terceiro lugar conquistado nesse carnaval sob a presidência de Elmo José dos Santos.

Posteriormente, no carnaval carioca de 2016 foi a vez da União da Ilha do Governador apresentar o enredo “Olímpico por natureza. Todo mundo se encontra no Rio!”, desfile este desenvolvido pelos carnavalescos Paulo Menezes e Jack Vasconcelos, desfile este realizado no mesmo ano em que o Rio de Janeiro seria a cidade sede das próximas olimpíadas.

União da Ilha do Governador – Desfile de 2016 – Fonte: https://globoplay.globo.com/v/4796488/

Coube a escola insulana ser a segunda agremiação a passar pela Sapucaí, avaliada pela crítica da época como tendo apresentado um desfile com altas e baixos, sendo que a principal crítica da época versava sobre o fato da escola merecer um  samba de maior qualidade para embalar esse desfile, já que a agremiação em sua discografia conta com sambas antológicos.

O samba enredo desse desfile era de autoria dos compositores Marquinhos do Banjo, Cap. Barreto, Miguel, Roger Linhares, Paulo Guimarães, Dr. Robson, Jamiro faria e gugu das Cadongas.

 

Esse desfile irregular acabou premiando a escola apenas com a décima primeira colocação, repetindo a classificação da escola no carnaval carioca de 2010.

O componentes da Ilha passaram pela Sapucaí com garra na defesa de sua escola, sendo que o interprete da escola, Ito Melodia, foi um dos principais responsáveis por isso, pela forma correta com que comandou o grupo de cantores da agremiação, situação esta que lhe valeu a premiação do Estandarte de Ouro, prêmio este que já tinha conquistado em outras duas oportunidades.

União da Ilha do Governador – Desfile de 2016 – Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/cultura/noticia/2016-02/escolas-do-gupo-especial-no-rio-homenageam-olimpiadas-futebol-e-homem-do

A comissão de frente da escola, sob o comando do coreógrafo Patrick Carvalho, foi um bom cartão de visita daquilo que viria a seguir, grupo formado por cadeirantes e trapezistas que apresentavam-se acompanhados de um elemento alegórico que trazia a representação de  Olímpia, onde segundo a tradição teriam iniciado os jogos olímpicos.

Nesse início de desfile destaque absoluto para o belo e imponente abre alas da escola, que simbolizava a chegada dos deuses olímpicos a Cidade Maravilhosa.

União da Ilha do Governador – Desfile de 2016 – Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/cc/Desfile_Uni%C3%A3o_da_Ilha_2016_%28dsc5130%29.jpg

Problemas de iluminação em alegorias puderam ser observados na passagem da escola, além do fato de algumas alegorias não serem tão grandiosas, o que demonstrava algumas dificuldades enfrentadas pela agremiação para custear a realização desse desfile em termos financeiros.

O espírito do carioca foi muito bem representado e passado com muito bom humor, além das belezas naturais presentes nos quatro cantos da cidade. O conjunto de fantasias multicoloridas também foi bastante importante para que o desfile fosse uma verdadeira explosão de cores e luz.

Destaque também para a bateria insulana, comandada por Mestre Ciça, que muito bem sustentou o canto e dança dos componentes da escola, num resgate das batidas características da agremiação branca, vermelha e azul.

Característica da União da Ilha ao longo de sua trajetória, este foi mais um desfile cheio de muita alegria e garra apresentada pela escola.

Esse foi mais um desfile que muito bem representou a Cidade Maravilhosa, sua natureza exuberante, sua vocação para a prática de diversos esportes e seu povo cheio de muito bom humor e a vocação para o bem receber.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui