Maria Lata D’agua, de Prostituta a uma lenda do Carnaval

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Ícone do carnaval carioca, Maria Mercedes Chaves Roy, 87 anos, desfilou por 45 anos na Sapucaí, pela Salgueiro, Portela, Estácio de Sá, Padre Miguel e Beija-Flor

Maria Mercedes Chaves Roy, foi uma das mulatas mais famosas do carnaval carioca, a nossa Maria Lata D’Água.

Nasceu numa família pobre em Diamantina (MG), onde aprendeu a levar latas de água na cabeça. A prática lhe abriria as portas do sucesso.

Ao se mudar para o Rio de Janeiro, conheceu a vida dos morros. O rosto bonito e o corpo de passista encantavam a todos. Através de um convite começou a fazer shows de samba.

Começou no carnaval carioca em 1949, desfilando pelo Acadêmicos do Salgueiro. A sua vida artística começou em circo e boates fazendo show com Marlene, Emilinha Borba e outros artistas.

Neste período, além de estrela do Carnaval, Maria foi prostituta na zona de meretrício do Rio de Janeiro.

A escola dava as roupas para o desfile, mas não pagava pela apresentação. Maria ganhava a vida fazendo shows e, às vezes, se prostituindo. “Sempre bebi muito para ter coragem“, disse em entrevista.

Foi quando a lata d’água reapareceu em sua vida. Todo Carnaval, o desfile da Portela tinha o mesmo ritual. Como num número de mágica, a passista Maria exibia ao público uma lata de metal com capacidade para 20 litros, vazia.

Um homem entrava na avenida com outras latas, estas cheias d’água, e enchia a de Maria, deixando apenas um espaço de quatro dedos.

Ao som dos tamborins da bateria, ela pegava a lata cheia d’água, colocava na cabeça, dava alguns passos para testar o equilíbrio e saía sambando, muitas vezes, descalça, avenida adentro.

O sucesso do número a levou para palcos cada vez mais importantes, no Brasil e na Europa e fez com que Maria Lata D’Água assinasse um contrato com a TV Globo para participar semanalmente do programa do Chacrinha

Em 1952, ganhou uma justa homenagem.
Os compositores Luís Antonio e J. Júnior compuseram a música “Lata d’água”, em homenagem a célebre passista da Portela.
Lata d’água na cabeça
Lá vai Maria

Lá vai Maria

Sobe o morro e não se cansa
Pela mão
Leva a criança
Lá vai Maria…

As apresentações e o casamento com um suíço a fizeram morar na Europa por 30 anos. Voltou ao Brasil em 1982, pendurou as chuteiras em 1990 e ficou viúva em 2001.

Maria Lata D’Água saiu em quase todos as escolas de samba, mas a sua preferida era a Portela, Foi lá que ela desfilou por mais tempo. Mesmo morando na Suíça, todos os anos voltava para desfilar na Portela.

Maria se casou com Charles Roy, que conheceu na época em que morava na Suíça; o casal viveu no Brasil até a morte dele

Desfilou por várias escolas, parando em 1991, onde veio triunfal na Portela.
Hoje faz parte da Igreja Canção Nova, uma comunidade católica que tem como linha a Renovação Carismática Católica. Chegou a morar em um abrigo da mesma instituição.

Em 2017 lançou o livro biografia “Lata D’água na cabeça – Da passarela ao Sacrário”. A partir de uma linguagem simples e atraente, o livro traz a história da ex-passista. O livro também reúne fotos inéditas da carreira artística de Maria Lata D’água e de momentos importantes da sua vida, como seu casamento com um conde suíço e seu trabalho como missionária católica.

Maria no lançamento do seu livro em 2017
Por Waldir Tavares

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