Maria Augusta Rodrigues

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Maria Augusta Rodrigues, conhecida popularmente no meio carnavalesco apenas por Maria Augusta, nasceu no Rio de Janeiro no ano de 1942.

Na infância, Maria Augusta freqüentava com sua mãe festas populares, vindo daí sua paixão pelo carnaval, tudo muito colorido – uma das características mais acentuadas de sua carreira.

Após concluir o ginásio e o científico Maria Augusta optou por freqüentar  o curso de Belas Artes onde conhece seu mentor e professor Fernando Pamplona, com o qual começa a desenvolver alguns trabalhos artísticos, atuando na decoração de ruas e avenidas para o carnaval.

Em início de carreira como carnavalesca, originalmente era participante de um grupo coordenado por Fernando Pamplona e com ele participou da criação de desfies campeões no Acadêmicos do Salgueiro, tais como “Bahia de Todos os Deuses” de 1969 e “Festa Para um Rei Negro” no carnaval de 1971. Desse grupo também participavam Joãozinho Trinta, Arlindo Rodrigues e Rosa Magalhães, profissionais de grande destaque do carnaval carioca, com carreiras solo e grandes desfiles realizados na Marquês de Sapucaí. Esse grupo de carnavalescos revolucionou o carnaval na época quando resolveu destacar a figura do negro em seu papel de ator principal baseado em subsídios de matrizes africanas.

Em “Bahia de Todos os Deuses” pela primeira vez Maria Augusta desfila numa escola de samba fantasiada de Iemanjá, num grupo com outras doze mulheres.

Ainda no Salgueiro Maria Augusta assinou com Joãozinho Trinta o enredo “O Rei de França na Ilha de Assombração” no ano de 1974.

Além de atuar no barracão do Salgueiro, no ano de 1969 Maria Augusta, então estudante de Belas Artes, trabalhou com seu professor Fernando Pamplona na elaboração da decoração do baile do Copacabana Palace.

Saindo do Salgueiro, Maria Augusta transferiu-se para a União da Ilha onde criou sua própria marca e firmou a identidade que hoje associamos a escola da Ilha do Governador. Na União da Ilha a carnavalesca não conquistou títulos, embora tenha apresentado grandes e inesquecíveis desfiles. Características próprias da carnavalesca criaram para a Ilha enredos leves movidos por temas do cotidiano de formas simples, como “Domingo” no carnaval de 1977 e “O Amanhã” no ano de 1978. Esses enredos criados por Maria Augusta na Ilha tinham por base, segundo a carnavalesca o “luxo da cor”, uma visão completamente diferente ao “luxo do brilho” desenvolvido por Joãozinho Trinta no Salgueiro.

Maria Augusta ainda atuou profissionalmente no enredo “Mangueira Minha Madrinha Querida” em 1972 no Salgueiro e nesse mesmo ano, na União da Ilha do Governador, ela desenvolve o enredo “A Cavalhada“, “Eneida, Amor e Fantasia“, enredo do Salgueiro no ano de 1973. O enredo do Salgueiro para o carnaval de 1975 “O Segredo das Minas do Rei Salomão” partiu de idéias de Maria Augusta e Joãozinho Trinta, para falarem sobre a antiguidade brasileira e foi de Maria Augusta a pesquisa para fundamentação deste enredo. Trabalhou ainda em “Poema de Máscara em Sonho“, enredo que desenvolveu na União da Ilha do Governador em 1976.

No carnaval de 1980 desembarca na Paraíso do Tuiuti, na época no terceiro grupo, e lá desenvolve o enredo “A Sorte”, levando a escola ao campeonato e a chance de ascender de grupo. Em 1981 trabalhou no Bloco Canário das Laranjeiras, tendo retornado ao Tuiuti em 1982 onde desenvolveu o enredo “Alegria” e em 1983 criou o enredo “Vamos Falar de  Amor” também na Paraíso do Tuiuti.

Para o ano de 1985 foi convidada por Nésio Nascimento para criar o enredo para a recém fundada GRES Tradição, dissidente da Portela. Maria Augusta criou a bandeira da escola e deu a opinião para que fosse criada uma comissão para desenvolver o carnaval da escola, situação esta que foi acatada por Nésio, comissão esta que acabou sendo formada por Maria Augusta, Rosa Magalhães, Paulino do Espírito Santo, Edmundo Braga, Lícia Lacerda e Viriato Ferreira, profissionais que desenvolveram o tema de enredo “Xingu”. Campeã já nesse primeiro desfile a Tradição em 1986, com a mesma comissão de carnaval apresentou o enredo “Rei Sinhô, Rei Zumbi, Rei Nagô” no grupo 3,tendo a escola sido novamente campeã e subindo para o grupo 2. No carnaval de 1987 a mesma comissão desenvolveu o enredo “Sonhos de Natal“, tendo sido a Tradição vice-campeã e sendo promovida para o primeiro grupo, hoje grupo especial.

Até 1993 Maria Augusta fez outros trabalhados, nunca tendo abandonado o carnaval, já que atuou como comentarista de televisão em várias emissoras, dentre outras atividades ligadas a folia de Momo.

Por convite do patrono da Beija Flor de Nilópolis Aniz Abraão David, passou a ser a carnavalesca da escola, em substituição de Joãozinho Trinta, que tinha estado na Deusa da passarela por 17 carnavais. Desenvolveu o tema de enredo “Uni-Duni Tê a Beija-Flor escolheu Você”, desfile marcado pelo estilo próprio de Maria Augusta, colorido, alegre e contagiante.

No ano de 2004 a trajetória da carnavalesca Maria Augusta virou tema de enredo na Arranco do Engenho de Dentro sob o título “Maria Augusta – O sonho nas estrelas”.

Maria Augusta atualmente é jurada do Estandarte de Ouro, premiação dada pelo jornal O Globo aos melhores do carnaval carioca de cada ano.

As contas de proteção no pescoço, sempre à mostra, são características pessoais de Maria Augusta, praticante do candomblé há mais de 40 anos, sendo filha de Xangô, já que o misticismo é outras das características marcantes da carnavalesca.

por Sidnei Louro Jorge Júnior

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