Mães Baianas – Mães do Samba

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“…Mãe negra, sou a tua descendência

Sinto tua influência

No meu sangue e na cor

Iê, abará, acarajé

Capoeira, filho da mãe

Pregoeiro, homem da mulher…”

(Trecho do samba enredo do Império Serrano de autoria de Aluízio Machado e Beto Sem Braço – carnaval carioca de 1983)

 

 

Dentro de um desfile de escola de samba, a ala das Baianas é avaliada como uma das mais respeitáveis, formada, preferencialmente, por senhoras vestidas com roupas que remetem às ancestrais tias baianas dos primitivos grupos de samba do princípio do século XX.

Algumas se destacaram e ficaram mais conhecidas, como é o caso de Tia Ciata.

Essa ala foi colocada nos desfiles ainda nos anos 1930 como uma forma de tributo às “mães” do samba, que protegiam sambistas em suas casas, no período em que o samba era marginalizado.

É uma ala obrigatória em todos os desfiles de agremiações carnavalescas, mesmo não sendo quesito oficial em nenhum deles.

Nos anos 1940 a 50, era corriqueiro que homens desfilassem com a indumentária das baianas, prática essa que passou a ser impedida no Rio de Janeiro nos anos de 1990, mas foi liberada pela AESCRJ, no Grupo de acesso, a partir o ano de 2006, exceto para o Grupo A.

A roupa clássica das baianas compõe-se de torso, bata, pano da costa e saia rodada, mas com a evolução dos desfiles das escolas de samba, frequentemente podemos ver baianas com as mais inusitadas fantasias, muitas das vezes descaracterizadas como mães baianas que são.

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Ainda que não sejam avaliadas separadamente, o desempenho das mães baianas conta pontos no quesito evolução e no de fantasias.

No carnaval de 1983, o Império Serrano veio para a Marquês de Sapucaí com o enredo “Mãe Baiana Mãe” do carnavalesco Renato Lage, justamente homenageando as mães do samba, representadas pelas baianas nas escolas de samba, enredo este de autoria do também carnavalesco Fernando Pamplona.

Na sinopse deste enredo já era relatado pelos carnavalescos que nosso país é um país onde o matriarcado impera, mesmo por detrás da cortina e que a baiana seria o símbolo do Brasil, como o “Tio Sam” o é nos Estados Unidos e o “Bulldog” da Inglaterra.

 

No carnaval carioca grandes figuras destacaram-se no comando ou mesmo desfilando em alas de baianas, como Dona Ivone Lara no Império Serrano, Tia Nilda na Mocidade Independente de Padre Miguel, Tia Glorinha no Acadêmicos do Salgueiro, dentre muitas outras.

De 1985 à 2012 o prêmio do Estandarte de Ouro, do jornal O Globo, inclusive premiava a melhor ala de baianas de cada ano, nos  desfiles na Marquês de Sapucaí.

Tamanha é a importância das baianas, como mães do samba, que todos os anos para marcar a abertura oficial do carnaval carioca, as baianas de todas as escolas de samba participam da lavagem da pista da Marquês de Sapucaí, onde com muita água de cheiro e axé tem a intenção de liberar a passarela das energias ruins, para que o carnaval seja de ordem e sucesso.

Hoje as escolas de samba, através das alas de baianinhas, já preparam seu futuro, na perpetuação das alas de baianas rumo à eternidade dos festejos momescos.

Por isso nada mais justo que no dia dedicado às mães, se destaque a figura das baianas, que nas escolas de samba representam as mães do samba em toda sua ancestralidade.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

 

 

 

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