JORGE CARIBÉ

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Todo carnavalesco precisa antes de mais nada ser um guerreiro, especialmente em tempos de crise, quando para colocar uma escola de samba na rua é uma verdadeira batalha, requerendo para isso muito trabalho e na grande maioria das vezes um grande conhecimento para reciclagem de estruturas, materiais e até mesmo esculturas.

O carnavalesco Jorge Caribé, nascido no Rio de Janeiro, notabilizou-se nesta área de realização de grandes desfiles, utilizando materiais inovadores e muitos destes reutilizados, fruto de reciclagem e adequações para novamente virem a brilhar na avenida.

Caribé ainda ficou conhecido pelos enredos afros que apresentou ao longo de muitos carnavais, ele que é também babalaorixá e gosta muito de temas que sejam do seu conhecimento dentro da temática das religiões de matriz africana.

 

“É uma coisa que me dá prazer falar do negro, da cultura negra, religião de matriz africana, fé, orixá e alma do negro”

(Jorge Caribé)

 

O pai de Caribé foi o primeiro destaque masculino da Unidos de Vila Isabel, tendo desfilado de 1976 até 1988, tendo ainda uma ala chamada “chamego do painho”.

Caribé passou por muitas escolas de samba dos grupos de acesso do Rio de Janeiro, já tendo também apresentado trabalhos seus em agremiações do grupo especial carioca, além de também atuar em carnavais de Vitória, no Espírito Santo e também Uruguaiana no Rio Grande do Sul.

Sua caminhada como carnavalesco oficialmente remonta ao ano 2000, quando assume a Lins Imperial e apresenta o tema enredo “No ano 2000, o Rei Gongá é a cultura nos 500 anos do Brasil”, alcançando na época a sexta colocação do grupo B do carnaval carioca daquele ano.

No carnaval seguinte, além de permanecer como carnavalesco da Lins Imperial, na época no grupo B, participa da comissão de carnaval instituída na Unidos de Vila Isabel, na época no grupo A e também executa trabalho na Acadêmicos do Engenho da Rainha, agremiação que estava no grupo C da folia carioca.

Nesse carnaval de 2001 a melhor colocação alcançada por Caribé foi um quarto lugar com a Vila Isabel, onde contribuiu para o desenvolvimento do enredo “Estado maravilhoso cheio de encantos mil”, mas essa colocação foi insuficiente para que a agremiação voltasse à elite do carnaval do Rio.

No carnaval de 2002 Jorge Caribé dedicou-se somente à Lins Imperial e nesse ano apresentou o tema “Os Cucumbis: a trajetória do samba”, ficando apenas com um sétimo lugar no grupo B.

Para o carnaval de 2003 Caribé planejou para a Lins Imperial o tema “Segura a Marimba! Aroldo Melodia vem aí”, uma homenagem a um dos maiores intérpretes de samba enredo que a Sapucaí já viu, já que por muitos anos esteve a frente do carro de som da união da Ilha do Governador. Com este enredo a Lins Imperial foi campeã do grupo B naquele ano, sendo daí promovida a desfilar no grupo A no carnaval de 2004.

Para 2004 Caribé apresentou na Lins Imperial o tema “75 anos de mangueira – É bom se segurar, que a poeira vai subir”, mas a agremiação conseguiu apenas um melancólico 12º lugar, o que levou a escola de volta ao grupo B no ano seguinte, mas desta vez sem o trabalho de Jorge Caribé.

Nos desfiles do carnaval de 2005, caribe trabalhou em duas agremiações cariocas, no grupo B fez a Arranco, conquistando um vice-campeonato com o tema “Quem vai querer?” e no grupo C apresentou o enredo “Bahia de São Salvador, o Porto Seguro do Brasil” pela União do Parque Curicica, tendo sido campeão. Essas colocações promoveram as duas agremiações ao grupo superior para o carnaval de 2006.

Permanecendo nas duas agremiações no carnaval de 2006, para o Arranco Caribé planejou o enredo “Gueledés, o Retrato da Alma”, conquistando um sétimo lugar e para a Curicica o enredo foi “GLS com a bandeira da alegria, o babado da Curicica no carnaval é só alegria!”, desfile onde a agremiação conquistou um quarto lugar.

Mas nesse mesmo carnaval de 2006 Jorge Caribé foi campeão no grupo D pela Em Cima da Hora com o tema “Festa dos Deuses Afro-Brasileiros”, tendo a escola sido promovida ao grupo logo acima, por esta vitória alcançada.

No carnaval de 2007 foi o momento do carnavalesco extrapolar as fronteiras da cidade do Rio de Janeiro, já que fez carnaval em Cabo Frio, com a escola Flor da Passagem, onde apresentou o enredo “Gueledés, a história da personalidade humana”, conquistando um terceiro lugar para a agremiação.

Nesse mesmo ano, no carnaval carioca, trabalhou nos grupos B e C, pela Vizinha Faladeira no grupo B e pela Em Cima da hora no grupo C, tendo ambas conquistado a quinta colocação.

Em 2008 Caribé teve sua primeira passagem pela Inocentes de Belford Roxo, na época no grupo B, tendo sido a escola campeã com o enredo “Ewe, a cura vem da floresta”.

Nesse mesmo ano o carnavalesco ainda trabalhou para o desfile da Em Cima da Hora, no grupo C, tendo apresentado o tema “Entre pulgas e piolhos… Assim levaram nossos tesouros”.

O carnaval do Rio de Janeiro de 2009 marcou a estreia de Caribé, numa parceria com Lane Santana, no grupo especial das agremiações cariocas, tendo apresentado o tema de enredo “E por falar em amor… Onde anda você? Na Portela, já nesse primeiro ano alcançando um terceiro lugar, melhor colocação da escola desde o carnaval de 1995, quando foi vice-campeã.

Mas esse terceiro lugar da Portela não foi suficiente para que Caribé permanecesse na agremiação, tanto que no carnaval seguinte transferiu-se para a Estação Primeira de Mangueira, onde juntamente com Jaime Cezário, apresentaram o tema de enredo “Mangueira é música do Brasil” dando a verde e rosa uma sexta colocação.

Ainda em 2010 o carnavalesco organizou o tema de enredo “Folia de Reis” para o desfile da Lins imperial, na época no grupo Rio de Janeiro, alcançando um oitavo lugar.

Nos carnavais de 2011 e 2012 Caribé esteve fora da folia carioca, tendo retornado em 2013, desta vez pela União de Jacarepaguá, onde trabalhou também nos anos de 2014 e 2015, tendo alcançado a melhor colocação em 2015 com um terceiro lugar com o enredo “Da Corte de Abatalá à terra dos Tupinambás!” no grupo B.

Nos carnavais de 2015 e 2016 trabalhou na Renascer de Jacarepaguá que estava no grupo A, tendo apresentado os enredos “Manifesto ao povo em forma de arte!” e “Ibejís – Nas brincadeiras de crianças: Os orixás que viraram santos no Brasil…” respectivamente.

Ainda em 2016 Caribé estreou no carnaval capixaba e com a Novo Império foi campeão do grupo de acesso do carnaval de Vitória/ES, tendo permanecido no carnaval de 2017 com o tema “A cura para o mundo está aqui! Vitória, um manto cheio de esperança”, conquistando um quarto lugar no grupo especial capixaba. Permanecendo na Novo Império para 2018, apresentou o tema “No vai e vem do mar, lá se vão 100 anos do Sindicato da Estiva”, repetindo a quarta colocação.do carnaval anterior.

Nesse mesmo carnaval de 2017, no Rio de Janeiro trabalhou pela União de Jacarepaguá, no grupo C.

No carnaval de 2018 pela Império da Tijuca, no grupo A, apresentou o tema “Olubajé – Um banquete para o rei” conquistando uma sétima colocação, fazendo ainda a União de Jacarepaguá, na época no grupo D.

No carnaval passado de 2019 Caribé desenvolveu enredos para a Império da Tijuca, na série A e para a União de Jacarepaguá no grupo D, onde foi campeão com “Africanidades”.

Terminado o carnaval passado, Caribé desligou-se da Império da Tijuca e assinou com a Inocentes de Belford Roxo, na série A do carnaval carioca, onde desenvolve um enredo biográfico sobre a jogadora Marta, da seleção brasileira de futebol feminino, enredo este que substituiu outro anteriormente divulgado, autoral de Jorge Caribé, com a promessa de um patrocínio para a agremiação.

Nesse carnaval de 2020 Caribé participa da Novo Império no Rio de Janeiro, que estreia esse ano, sendo uma dissidência da União de Jacarepaguá.

No carnaval 2020 de Vitória/ES, desenvolve enredo para a Novo Império, agora integrante do grupo de avaliação e no Rio Grande do Sul, no carnaval de Uruguaiana, assina o desfile da Bambas da Alegria.

Nesse período de preparação para os desfiles de 2020, Caribé passou por problemas de saúde bastante séries, o que lhe acarretou uma internação hospitalar e mesmo depois de receber alta, carece de cuidados.

Jorge Caribé também teve experiência por anos com o carnaval da Argentina.

 

“Toda vez que eu pego um tecido ou um boneco para ser reaproveitado, eu estou contribuindo para o meu país. A reciclagem faz parte do carnaval e eu acho que todos os carnavalescos fazem…”

(Jorge Caribé)

 

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

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