Hoje na História – Em 12 de maio de 1913 nascia o Intérprete e Mestre Jamelão

0
755

José Bispo Clementino dos Santos …Nascido no bairro de São Cristóvão/RJ, teve que trabalhar desde cedo para sustentar a família. Foi engraxate na infância, mas demorou pouco para que sua voz fosse descoberta: ainda jovem, tornou-se referência entre os jornaleiros da região. “Dizem que meu avô já tinha essa potência na voz, que vendia jornais gritando e isso foi o primeiro approach dele antes de virar cantor profissional”, disse seu neto uma vez ao Jornal do Commercio.

O apelido, do fruto preto e duro, não se sabe de onde veio. O que se sabe, por outro lado, é que sua voz foi descoberta e apresentada para o sambista Lauro Santos, o Gradim, que o apresentou pessoalmente para a Mangueira, nos anos 30. Com apenas 15 anos, Jamelão não pensava em cantar, mas viu nas garotas e no bloco de bateria da escola motivação suficiente para se juntar ao grupo. Enquanto estudava tamborim e cavaquinho, passou a participar das rodas de samba que aconteciam depois de cada desfile, e daí surgiu o contato com o canto.

Em 1949, torna-se intérprete da Mangueira, mas só assume o posto principal em 1952, quando substitui Xangô da Mangueira, influenciado fortemente pelo estilo do sambista Cyro Monteiro. Antes disso, porém, seu talento natural para o canto já ganhara visibilidade, em 1945, quando se tornou conhecido pelo programa Calouros em Desfile, da então Rádio Tupi RJ.

Sua carreira trilhou atividades paralelas: enquanto dava voz à comunidade do Morro da Mangueira, por pura paixão, Jamelão ganhava o mundo com suas gravações pela Continental, primeiro, e depois pela Odeon, pela Companhia Brasileira de Discos e pela Philips. Com os prêmios regionais que acumulou, conseguiu projeção internacional, e nos anos 70 chegou a se apresentar no castelo de Coberville, na França, na festa de Assis Chateaubriand e do estilista francês Jacques Fath.

Já na década de 1990, além de atuar na Mangueira, também participa da escola de samba Unidos do Peruche, de São Paulo, onde interpreta de 1991 a 1993. Em 1999, é eleito o intérprete do século do Carnaval carioca, prêmio concedido pelo jornal Folha de S.Paulo.

Já consolidado como intérprete de samba, dividiu sua atenção entre o samba-canção, com atenção especial para as composições de Lupicínio Rodrigues, Dorival Caymi e Ary Barroso, e o samba-enredo, anualmente recriado pela Mangueira. Integrou a comissão de compositores da escola em 1968, e assim ocupou os próximos 35 de sua vida. Nunca deixou de ser ativo. Em 2003, lançou o disco “Cada Vez Melhor”, que receberia diversas premiações nos anos seguintes. Em 2005, em plenos 92 anos de idade, o músico serviu de modelo na 19ª São Paulo Fashion Week, para a grife Poko Pano, causando surpresa e clamor entre os presentes.

Em janeiro de 2001, recebeu a medalha da Ordem do Mérito Cultural, entregue pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

A despedida de Mestre Jamelão

O eterno presidente de honra da Estação Primeira de Mangueira, morreu no dia 14 de junho de 2008, aos 95 anos. Diabético e hipertenso, Jamelão teve problemas pulmonares e, desde 2006, sofreu dois derrames. Ele morreu por falência múltipla dos órgãos.

Por Waldir Tavares

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui