Halloween, a Bruxaria solta na Sapucaí

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“Pode rogar praga em minha sorte… Meu santo é forte e ninguém vai me derrubar… Sou mandingueiro sei fazer feitiçaria… E bruxaria de todo lugar” . Mocidade 1986

Outubro é o mês do tradicional Halloween, festa de origem Celta, que é muito popular nos EUA, e em tempos de cultuar a cultura estrangeira, se tornou famosa também no Brasil.

Na Sapucaí, a passagem das bruxas, dos demônios e do mistico, é fato constante. E para celebrar a data, vamos recordar algumas bruxarias carnavalescas.

Mocidade 1986 – Enredo“Bruxarias e Histórias do arco da Velha”

“Esconjuro, pé de pato
Mangalô três vezes
Sai pra lá com esse gato
Sexta-feira treze”

Tentando o bicampeonato e desfalcada de Fernando Pinto, que se ausentaria em 86 para tentar carreira na musica, a estrela guia contava então com a dupla de carnavalescos Edmundo Braga e Paulino Espírito Santo para desenvolver o enredo sobre mandingas, bruxarias e a falta de sorte.

Em relação a plástica, os carnavalescos optaram por cores mais escuras, que acabou  não funcionando na avenida.

O enredo acabou indo longe demais, tornando-se  confuso no seu desenrolar, porém algumas referencias as bruxas eram claras.

A rainha da bateria, Monique Evans (foto) brilhou vestida de “Gato Preto” , animal considerado mistico  e injustamente associado com a má sorte.

Com bom samba, a escola que estava na moda após o campeonato de 1985, entrou na avenida com quase 5 mil componentes.

Este volume de componentes acabou por causar sérios problemas na evolução.

Com 201 pontos a escola terminaria no modesto 7 lugar, 13 pontos atrás da Campeã Mangueira.

União da Ilha 1986 – Enredo “Assombrações”

“Quem carrega amor
Vai com Deus (bis)
Sem assombrações
Vai com Deus”

Entrando após o temporal que castigou o histórico desfile da Beija Flor, a tricolor insulana estava otimista em 86, pois contava com o talento de Arlindo Rodrigues que escolheria enredo voltado para critica social e política, intitulado “Assombrações”.

Apesar do enredo passear por assuntos que assombravam o brasileiro naquela época, como o FMI, o cortejo do espírito da bruxa maranhense “Nha Jança” e sua carruagem de seres fantasmagóricos se tornaria uma das melhores alegorias daquele desfile.

Em um ano de grandes apresentações, a Ilha se saiu bem com a 5 colocação naquele ano.

Viradouro 1999 – Enredo “Anita Garibaldi, a heroína das sete magias”

“Clareou na ilha da magia
No esplendor era um ser de prata que surgia”

Para contar a saga da Heroína Catarinense, o carnavalesco Joãozinho Trinta optou por inciar seu desfile com o místico.

A abertura da escola toda em tons de roxo, vermelho e rosa, retratava o misticismo  de Laguna (SC), cidade natal de Anita e a relação da cidade catarinense com histórias de bruxarias.

Saindo como uma das favoritas após o excelente desfile, a Viradouro ficaria com o terceiro lugar atrás de Beija Flor e da Campeã Imperatriz.

Imperatriz 2004 – Enredo “Breazail”

“Hoje eu quero ver
Caldeirão ferver nessa magia”

Mestra em enganar saber trabalhar com enredos CEP burlando patrocínios , a carnavalesca Rosa Magalhães tinha a missão de contar a história da Cidade Cabo Frio/RJ.

Em mais uma grande sacada, a professora seguiu pelo caminho do uso do pau-brasil  para extração da cor vermelha. Sendo este o fio condutor do enredo. Tendo em vista que através de pesquisas, descobre-se que no período colonia, esta era uma atividade comum naquela região.

foto Wigder Frota

No desfile, as bruxas estiveram presente na bela comissão de frente assinada por Fabio de Mello. A performance representava feiticeiras alquimistas em ritual da transformação da seiva da famosa arvore em corante rubro.

Após a apuração a Rainha de Ramos amargou um 5 lugar, mesmo fazendo um dos melhores desfiles do ano.

 

Unidos da Tijuca 2007 – Enredo “De lambida em lambida, a Tijuca dá um click na Avenida

‘Pára, o mundo pára
O mundo pára pra fantasia (bis)’

Com a missão de substituir o furacão Paulo Barros, que havia se transferido para Viradouro, o talentoso Lane Santana dividiu os trabalhos com Luiz Carlos Bruno e optaram  por seguirem a linha de enredos que vinham dando certo na escola.

Com “De lambida em lambida, a Tijuca dá um click na Avenida”, os carnavalescos se propunham contar a história da Fotografia.

E neste desfile não foram bruxas, mas o próprio Diabo quem roubou a “cena” na impactante abertura.

A lenda dizia que o Diabo roubava a dos fotografados no antigo “lambe-lambe”. E por incrível que pareça, a enorme e pertinente escultura seria uma das mais fotografadas daquele ano.

A Tijuca se mostrou forte, ficando em 4 lugar, a frente da Viradouro de Paulo Barros.

O “Diabo” querendo protagonismo, viria a sofrer incêndio em pleno Desfile das Campeãs, vindo a ser o assunto mais comentado daquele dia.

Unidos da Tijuca 2011 – Enredo “Esta noite levarei sua alma”

‘Tá com medo de quê?
O filme já vai começar
Você foi convidado
Caronte no barco não pode esperar’

Após retornar a escola do Borel no anterior, e de cara faturar o título, Paulo Barros não mantinha mais “segredo” de que estava cheio de vontade para surpreender mais uma vez. E assim o fez.

O desfile, tendo como base o cinema, era recheado de referencias a temática do terror.

Com a fantástica “Barca de Caronte” vindo como abre alas, quem roubou toda atenção mais uma vez foi a Comissão de Frente, que através de truques no engenhoso “roupão preto”, “perdia literalmente a cabeça” na avenida, e enlouquecia a todos na genial abertura.

Com poucos décimos atras da Beija Flor, a Tijuca conquistava um belo vice campeonato.

Grande Rio 2011 – Enredo “Y-Jurerê Mirim – A encantadora ilha das bruxas”

‘Caldeirão vai ferver
A Grande Rio chegou
Vem trazer pra você
Uma porção de amor
É a receita que a bruxinha ensinou’

Um enredo mais uma vez abordava Santa Catarina e suas lendas relacionadas a bruxaria.

Maior vitima do famoso incêndio na cidade do Samba em 2011, a Grande Rio fez um desfile de superação liderado pelo incansável Carnavalesco Cahe Rodrigues.

Mesmo tendo que refazer quase que 100% do seu carnaval, é inesquecível e não poderia de aqui deixar de estar, a bela abertura da escola. Composta por uma valente e emocionante comissão de frente e o adorável abre alas, onde vinha uma bruxa com traços de desenho animado.

Fato curioso é que após o incêndio ocorrido no pré carnaval, a escola sofreria novamente, e desta vez no desfile, devido a insistente chuva que teimava em cair durante sua passagem.

Ainda na comissão de frente, a surpreendente transformação do lobisomem ladeado por bruxas foi uma das únicas surpresas mostradas no desfile que pertenciam ao projeto original.

Devido aos problemas relatados, a escola não foi julgada, assim como Portela e Uniao da Ilha que também haviam sofridos danos consideráveis na tragédia.

São Clemente 2015 – Enredo “A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Perera, da Tocandira e da Onça Pé de Boi”

“Chega mais
Mas vem sem medo
Hoje é carnaval”

A São Clemente, se propondo a contar a vida e obra do grande carnavalesco Fernando Pamplona, ousou e contratou a craque Rosa Magalhães para desenvolver o enredo.

Ex aluna do homenageado, a carnavalesca tentando fugir do obvio “Nasceu, viveu e morreu”, tao corriqueiro em homenagens, optou por contar através dos medos do jovem Pamplona, as coquistas do artista.

Nascido no Acre, Pamplona cresceu em meio a lendas, e como qualquer criança teve seus traumas com algumas delas. E é justamente este o caminho escolhido por Rosa para abrir o desfile da São Clemente em 2015.

A Abertura se dá em uma explosão de tons que varia do amarelo, laranja ao marrom, e nela surge a inesquecível escultura da temida Matinta Pereira, figura mítica da região norte do Brasil, conhecida por se transformar em pássaro que gritando, pousava nos  telhados das casas na região, e só cessaria o agouro após receber algo em troca.

A espetacular escultura, dividiu atenção com a primorosa comissão de frente. Como em 2004, Rosa Magalhães recorreu a uma bruxa para apresentar a escola. Neste caso a própria Matinta Pereira rodeada de homens pássaros assombrosos.

O desfile para muitos vem a ser a melhor apresentação da escola de Botafogo no Grupo Especial. Infelizmente apos a apuração, a escola amargou um injusto 8 lugar a frente apenas de 4 das 13 apresentações do ano.

Salgueiro 2017 – Enredo “A Divina Comédia do Carnaval”

“Sou poeta delirante, o amante
Na profana liberdade
Devoto da infernal felicidade”

2017 foi um ano conturbado na pista da Marques de Sapucaí. Em três dos quatro dias de desfiles houveram acidentes, um infelizmente com fatalidade.

E o diabo estava também esteve solto no enredo de uma escola em particular.

O acadêmicos do Salgueiro, na proposta de fazer um enredo lúdico e homenagear o carnaval e sua santíssima trindade de carnavalescos (Pamplona, Arlindo e J30), bebeu na fonte da Dante e sua Divina Comédia para contar seu enredo.

Os carnavalescos Renato e Márcia, nunca iriam imaginar os acontecimentos do ano, porém, de inicio chegou a pegar mal a entrada da escola com a avenida ainda em choque com o segundo acidente na pista, ocorrido horas antes, na Paraíso do Tuiuti (Um dia antes a UPM também havia sofrido com o acidente com sua porta bandeira).

No âmbito do desfile, apesar das cores fortes, quase toda sua plástica foi no estilo parecido com histórias em quadrinhos.

A comissão de frente esteve aterrorizante no bom sentido da palavra, onde até a medusa deu o ar de sua graça. Na luta entre o bem e o mal, um sorridente diabo interagia com os bailarinos em frenética coreografia.

O diabo também passeou pelas alas, que cometiam seus pecados capitais e o espetáculo chocava o publico presente.

Mantendo a tradição dos últimos anos de sempre voltar no sábado das campeãs, o Salgueiro fez um desfile correto e pegou de forma digna a 3 posição, dois décimos apenas atrás das duas campeãs do ano, Mocidade e Portela.

Viradouro 2019 – Enredo “ViraViradouro”

“Lançado o feitiço pra vida virar
Pro bem ou pro mal, é carnaval”

Mais uma vez ele, Paulo Barros, talvez o carnavalesco que mais gosta de trazer bruxas para seus desfiles.

Com o Enredo-Fábula deste ano, o carnavalesco recheou a história de cultura POP mais uma vez.

Para contar a história do menino que possuía um livro mágico que fazia com que ele viaje por lugares incomuns, Barros abriu seu desfile com a famosa história da vovó boazinha que se transforma em bruxa.

A Bruxa por sinal veio solta na comissão de frente que transformava príncipes em adoráveis sapos, arrebatando o publico que assistia.

E para fazer jus a fama citada acima, o carnavalesco além de cemitérios e abóboras enfeitadas, também trouxe o motoqueiro fantasma em carne, osso e fogo, para coroar o arrebatador desfile que quebrou tabus e levou a escola a um vice campeonato após ter subido do acesso no ano anterior.

Nestes casos, o místico deu samba. E por isso, as bruxas serão sempre bem vindas!

Por Waldir Tavares

 

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