Filme sobre Carnaval questiona intolerância, preconceito e aprofunda debate sobre racismo

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Integrantes da bateria da escola Alegria da Zona Sul em 2019

Nem só de desfile vivem as escolas de samba do Rio de Janeiro. O documentário “30 Dias – Um Carnaval entre a alegria e a desilusão” investiga o racismo e a intolerância que ameaçam a viabilidade da tradição popular de herança africana, em detrimento aos benefícios econômicos gerados pela festa conhecida mundialmente. O longa-metragem dirigido e roteirizado por Valmir Moratelli vai ao ar em rede nacional nesta quarta-feira (2), a partir das 18h45, pelo canal de TV por assinatura Prime Box Brazil.

O filme narra os preparativos da agremiação Alegria da Zona Sul, formada por integrantes das comunidades Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, em Copacabana, há um mês do Carnaval 2019. Despejada do centro do Rio de Janeiro, a Alegria foi sublocada em terreno baldio próximo à apoteose sem a subvenção que custearia o enredo sobre 120 anos da Umbanda. “O galpão era precário e não tinha nada feito. Pensamos: ‘Não vai ter carnaval para a gente filmar essa escola!’. O desânimo existia assim como a garra dos componentes para tentar entrar na avenida”, lembra Moratelli.

Barracão Alegria da Zona Sul 2019

Durante a concentração, em 1 de março, a Alegria enfrentou alagamento causado por forte chuva no Rio de Janeiro. Uma das cenas mais tocantes do registro de acordo com Valmir, jornalista com mais de uma década de cobertura do evento. “Havia o boato de que aquela noite seria cancelada. De repente, a coordenadora Camila Xavier reúne todas as senhoras da ala das baianas aos gritos. O discurso era: Reza uma Ave Maria e um Pai Nosso, solta um palavrão e entra na avenida”, conta o diretor. A agremiação foi rebaixada da Série A do Grupo de Acesso.

A obra desconstrói a ideologia neopentecostal sobre as manifestações negras, violência contra redutos das tradições religiosas africanas, alocação de recursos do carnaval e o descaso do poder público. Evolui sobre a religiosidade do samba, entre eles batidas e paradas executadas pelas baterias que remetem aos Orixás. Alguns dos entrevistados são Sergio Almeida (Presidente de honra e fundador da Alegria da Zona Sul), Marco Antônio Falleiros (Carnavalesco da Alegria da Zona Sul), Rodrigo Soares (Diretor da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio – LIERJ), Carolina Rocha Silva (Pesquisadora da Coordenadoria de Experiências religiosas africanas e afro-brasileiras, racismo e intolerância religiosa) e Luiz Antonio Simas (Escritor, professor e historiador).

30 Dias – Um Carnaval entre a alegria e a desilusão” é uma produção independente, sem recursos públicos investidos. “Não é um filme sobre carnaval, mas que aborda o assunto. É sobre como o racismo está sendo disseminado sem que as pessoas percebam. Expõe o preconceito contra a atividade que beneficia turismo, emprego e renda em um discurso político de tirar dinheiro de um lugar para colocar em outro. Também fala sobre representatividade, uma festa em que os pobres conseguem ser reis ao serem aplaudidos por quem os assiste”, contextualiza Valmir Moratelli. A obra é assinada pela El Tigre Studio, com produção executiva de Fabiano Araruna.

SERVIÇO
DOCUMENTÁRIO “30 DIAS – UM CARNAVAL ENTRE A ALEGRIA E A DESILUSÃO”
Exibição: 2 de setembro, às 18h45
Canal de TV por assinatura: Prime Box Brazil
Classificação indicativa: 12 anos

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