Fernando Pamplona – Um tributo aquele considerado o pai de todos os carnavalescos (In Memoriam)

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Fernando Pamplona, nascido no Rio de Janeiro em setembro de 1926 notabilizou-se como um dos mais importantes nomes do carnaval carioca. Morou com o pai por um período de tempo no Acre, onde teve contato, ainda criança, com diversas manifestações folclóricas da região norte, como o folguedo do boi-bumbá, o que foi decisivo para lhe abrir os olhos para um amplo interesse por cultura popular. Com o passar do tempo, depois de formado pela Escola Nacional de Belas Artes, onde inclusive foi professor, Mário Conde, em meados dos anos 50, lhe abriu as portas para a cenografia, onde se notabilizou.

No ano de 1957 participou com evidência da Primeira Bienal de Teatro, extraordinária criação de Aldo Calvo e Sábato Magaldi, concretizada no Parque do Ibirapuera paulistano, onde pode, ao lado de outros valores, mostrar seus trabalhos de cenografia teatral.

No ano de 1959 foi convidado para ser jurado no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, época em que se descobriu admirador do Acadêmicos do Salgueiro, que naquele carnaval apresentou tema de enredo sobre as viagens de Debret pelo Brasil, conquistando o vice campeonato.

Já em 1960 Pamplona foi convidado para preparar o desfile do Salgueiro, tendo aceitado este convite com a condição de poder fazer um enredo sobre Zumbi dos Palmares, um personagem não oficial da história do Brasil era retratado por uma agremiação pela primeira vez de forma inovadora. Aceito o desafio chamou seus colegas de teatro, Arlindo Rodrigues e Nilton Sá, e acabou se tornando, finalmente, um carnavalesco de escola de samba.

Respeitado como o “pai de todos” os carnavalescos do Rio de Janeiro, Pamplona fez história no desfile das escolas de samba, colocando enredos afros nos desfiles, e elevando o Acadêmicos do Salgueiro ao patamar das grandes agremiações cariocas. Foi o guia de uma geração de carnavalescos que brilhou nos anos seguintes em várias agremiações, como por exemplo: Arlindo Rodrigues, Joãosinho Trinta, Rosa Magalhães, Renato Lage, Maria Augusta, dentre outros.

No Salgueiro, Fernando Pamplona foi quatro vezes campeão (1960, 1965, 1969 e 1971) e vice outras três oportunidades (1961, 1964 e 1970). São de Fernando Pamplona os inesquecíveis “Quilombo dos Palmares”, “História do Carnaval Carioca”, “Bahia de Todos os Deuses” e “Festa para um Rei Negro”, desfiles campeões do Salgueiro.

Pamplona foi o responsável por marcantes decorações de carnaval nas ruas do Rio de Janeiro.

No ano de 1984, foi peça essencial na precursora transmissão de carnaval da extinta Rede Manchete, a qual foi campeã de audiência e de elogios, quando da inauguração do Sambódromo no Rio. Juntamente com especialistas da música e do samba, como Haroldo Costa, Albino Pinheiro, Adelzon Alves e Sergio Cabral, ao lado da marcante narração de Paulo Stein, brilhou com comentários precisos, narrações de um verdadeiro especialista na matéria carnavalesca. Ficou na Tv Manchete até 1997 sempre emitindo opiniões coerentes, corajosas, imparciais.

No carnaval de 1986 o Acadêmicos do Salgueiro fez um tributo á Pamplona com o tema de enredo “Tem que se tirar da cabeça aquilo que não se tem no bolso – Tributo a Fernando Pamplona”, tendo a escola conquistado a sexta colocação.

Relatos do próprio Pamplona afirmaram que o tema de enredo campeão do Império Serrano de 1982, “Bumbum-Paticumbum-Prugurundum”, era de sua autoria para a escola da Serrinha.

O último desfile de carnaval idealizado por Fernando Pamplona aconteceu no carnaval de 1997, quando planejou a execução do desfile da Em Cima da Hora, com enredo homenageando Sérgio Cabral.

Indagado em entrevista sobre sua avaliação a respeito de qual teria sido o desfile mais marcante que assistiu, Pamplona de pronto respondeu que foi “Ratos e Urubus”, de João Trinta para a Beija Flor de Nilópolis, na sua avaliação maravilhoso, com o Cristo proibido.

No ano de 2013 lançou uma autobiografia , intitulada “ O Encarnado e o Branco”, pela Editora Nova Terra, vindo a falecer logo em seguida.

Faleceu na manhã do dia 29 de setembro de 2013, em sua casa no bairro de carioca de Copacabana. Casado havia 60 anos com Zeni, ex-bailarina que conheceu no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Pamplona deixou duas filhas, Eneida e Consuelo.

No Futebol era Botafoguense, em áureos tempos de Garrincha, Nilton Santos e João Saldanha.

No carnaval de 2015 foi homenageado na Marquês de Sapucaí pela escola de samba São Clemente, que através do gênio criativo da carnavalesca Rosa Magalhães, levou para a avenida o enredo “A Incrível História do Homem que só Tinha Medo da Matinta Perera, da Tocandira e da Onça Pé de Boi”, um desfile retratando a vida e obra de Pamplona, comemorando sua grande contribuição para o carnaval da cidade maravilhosa.

por Sidnei Louro Jorge Júnior

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