EVANDRO DE CASTRO LIMA (In Memoriam)

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“…Olha eu aí
Cheguei agora
Cheguei pra levantar o seu astral
Posso perder, posso ganhar, isso é normal
Vinte uma vezes campeã do carnaval…”

O enredo da Portela para o carnaval carioca de 1991 foi inspirado na última fantasia apresentada pelo figurinista, bailarino e carnavalesco Evandro de Castro Lima, que tinha o título de “Tributo à Vaidade”.

Evandro de Castro Lima nasceu na Bahia no ano de 1920, vindo a falecer no Rio de Janeiro em fevereiro de 1985, poucos dias depois da terça feira gorda do carnaval daquele ano.

Nascido numa tradicional família da Bahia, onde chegou a ser revisor do Diário Oficial da capital baiana, Evandro notabilizou-se na disputa em muitos concursos de fantasia. Só no Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi o vencedor em 21 oportunidades, sendo rival do também desfilante Clóvis Bornay.

Desde o ano de 1932, o ápice do baile de gala do Theatro Municipal carioca, era o concurso de fantasias. Graças à revista O Cruzeiro e, mais tarde, também à Manchete, havia sempre uma expectativa gigantesca sobre o resultado do concurso, cujo desfile dos vencedores ocorria a meia noite, durante o baile. Algumas figuras tornaram-se nacionalmente conhecidas por causa do luxo das fantasias com as quais concorriam e, também, pelas brigas nos bastidores onde sobravam sopapos e arranhões para todos, estando Evandro de Castro Lima como figura de destaque nesse cenário momesco. O último Baile de Gala do Municipal do Rio de Janeiro foi realizado no carnaval de 1975.

No carnaval de 1960, tendo sido campeão no desfile realizado nas dependências do Copacabana Palace com a fantasia “Estátua Barroca”, após a premiação foi revolucionário ao recusar-se a dar entrevista para uma emissora de televisão, já que “estátua não fala”.

Anteriormente às suas intervenções no mundo do carnaval, Evandro foi integrante do elenco de dança do Teatro Colón de Buenos Aires, tendo deixado a Argentina na época do peronismo, já que o Ditador Perón tinha como uma de suas bandeiras livrar a Argentina dos gays. Deixando Buenos Aires estabeleceu-se na cidade de Porto Alegre, ele e inúmeros outros artistas. Na capital gaúcha Evandro ficou por um período promovendo shows no American Boite, na Rua Voluntários da Pátria.

Com formação acadêmica no ramo do Direito, sua iniciação no mundo dos concursos de fantasia se deu no ano de 1956, na cidade de Salvador.

Foi no ano de 1959, que Evandro estreou sua primeira fantasia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A fantasia representava o deus Netuno e em sua capa retratava o fundo do mar, com algas, anêmonas, peixes e estrelas do mar.

Como “Escravo de Ébano”, empunhava um candelabro e o corno da abundância, simbolizando a utopia. Também se transformou em “Cavaleiro do Cisne”; fantasia em tons de azul, segurando um escudo e espada.

Evandro chegou a ir para Lisboa, com a tarefa de mandar bordar o manto para representação de Dom Pedro II. Além de Imperador do Brasil, posteriormente, representou o Imperador da França, pois desfilou como Napoleão, tendo pesquisado essa fantasia num museu francês. Também representou as figuras do rei Salomão e o imperador Dom Sebastião.

Evandro chegou a representar o faraó Tutankamon, no que denominou de epopeia farroupilha e fez um gaúcho estilizado. Muitas outras figuras da história universal foram por Evandro representadas, como Leão I e o califa de Bagdá.

 

No carnaval de 1965, primeiro após o Golpe Militar de 1964, Evandro de Castro Lima atuou como figurinista na Portela, que vinha em busca do bicampeonato, com enredo que vinha comemorar os 400 anos de fundação da cidade do Rio de janeiro. A escola de Madureira apresentou o enredo “História e Tradições do Rio Quatrocentão”. Nesse desfile coube a Evandro de Castro Lima a criação dos figurinos e a execução da roupa de dona Odila, que nesse cortejo veio representando a Princesa Isabel. Ao final a Portela ficou apenas com o terceiro lugar na classificação geral.

 

No carnaval de 1980 como o “Mensageiro do Eldorado”, Evandro de Castro Lima desfilou pelo Império Serrano, quando a escola apresentou o enredo “Império das Ilusões – Atlântida, Eldorado, Sonho e Fantasia”.

Por sua importância no meio da moda, Evandro de Castro Lima é o patrono da cadeira de número 16 da Academia Brasileira da moda, cadeira esta que atualmente é ocupada pela carnavalesca Rosa Magalhães.

 

Em seu último carnaval, como desfilante na Marquês de Sapucaí, ostentou uma fantasia negra, muito elogiada na época por sua riqueza de detalhes e beleza do conjunto.

 

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

 

 

 

1 COMENTÁRIO

  1. Castro Lima morou em Poa na década de 50/60 tendo como sua protetora a Sra Dolores Fróes de Oliveira.Sua primeira fantasia foi feita na sua máquina Singer.Era um artista nato.Dono de enorme carisma pessoal.Tinha uma cia de balet q se apresentava no American Boite na época.

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