A série de homenagens aos destaques de luxo no carnaval traz o destaque Central da Estação Primeira de Mangueira. Com mais de 30 anos prestados ao Carnaval com figurinos mais incríveis e luxuosos da festa.
Eduardo é considerado um dos mais queridos por todos no meio.
Além da mangueira, desfilou por escolas como Rocinha, Império da Tijuca, Império Serrano, Jacarezinho, União de Jacarepaguá, dentre outras.

CN1: Eduardo, como se configura a sua chegada ao Carnaval? Sempre foi um apaixonado?
E. Leal: Eu começo no início dos anos 80 desfilando em ala pelo Império Serrano onde tenho amigos até hoje. Antes disso, confesso que não conhecia muito e preferia acampar com a família. Por insistência de um amigo fui a quadra do Salgueiro isso na época do Miro Garcia e fiquei encantado.

CN1: E como se deu a transição de componente de ala para destaque?
E.Leal: Logo no ano seguinte eu tive a oportunidade de desfilar como destaque no Arrastão de Cascadura através do Carnavalesco da época, Joãozinho de Deus. Era um figurino simples, mas eu mesmo fiz, isso com a ajuda dele claro, mas dentro do que o figurino estava proposto. Além disso, em paralelo eu desfilava como comissão de frente a até mesmo com camisa de apoio em escolas como o próprio Arrastão, São Clemente, Lins Imperial e outras. Cheguei a desfilar em 4 escolas no mesmo ano, e como parei de acampar, para curtir carnaval vendi tudo de acampamento para torrar em material de carnaval.

CN1: E a chegada na Mangueira?
E.Leal: Em 1992 ajudei na montagem, confecção e com dicas a um amigo que era da Mangueira. E na época, ele por sua vez me apresentou o carnavalesco Ilvamar Magalhaes, que me convida para desfilar no ano seguinte. Isso como semi destaque. Em 1993 eu e meu grande amigo que é o Nabil Samir, desfilamos com roupas iguais e menores, por dois anos. Já em 1995 nós dois passamos a desfilar já no patamar de grandes destaques, com roupas representando personagens diferentes dentro da ideia do enredo. E estamos lá até hoje.

CN1: Como é o seu processo de confecção de fantasias tão grandes e complexas?
E.Leal: Respeitando o figurino do carnavalesco, eu mesmo costuro e mando bordar. As ferragens eu desenho em tamanho natural e trabalho com um ferreiro que está comigo há mais de 10 anos. Hoje é o filho com quem eu consigo compartilhar ideias e, porque comecei com o pai, seu Djalma que inclusive me ajudou muito no processo de entender sobre peso e todo processo como o de encaixe de arte plumária. Mas nesta trajetória muita gente me ajudou.

CN1: Me impressiona todo este processo para alguns minutos de avenida…
E.Leal: Pois é, eu fiquei conhecido no meio dos destaques por ter a oportunidade de frequentar bailes de destaques. Este evento ajuda a aproveitar mais a fantasia, pois na avenida passamos por 25, 30 minutos, no máximo. Mesmo quem tem material guardado como eu, sempre vao existir gastos. Tem que amar muito para não se incomodar de perder tempo e etc. Percebo que hoje falta valorização e importância.

CN1: Sempre teve harmonia na relação com carnavalescos? E como é trabalhar com o Leandro Vieira?
E.Leal: Na mangueira existe uma coordenação que avalia sua história e direciona o figurino para cada um. O Leandro tem sido maravilhoso, atencioso e respeitoso. Debatemos, dou ideia. Graças a Deus ele aceita e vice e versa. No meu caso em especifico, faço por prazer e paixão pessoal por um dia no ano e nunca tive nenhum problema com carnavalescos anteriores ao Leandro.

CN1: Em conversa com outros destaques, pude perceber que muitos ainda desfilam em várias escolas. Eduardo Leal é exclusivo da Mangueira?
E.Leal: Atualmente eu pretendo ficar somente com a Mangueira, sou um apaixonado pela escola. Inclusive sou muito grato. Após o campeonato de 2016 eu fui agraciado com a capa da revista oficial do sambódromo e ganhei o prêmio Plumas e Paetês.

CN1: O que você atribui a diminuição do número de destaques e o desinteresse por grandes concursos que outrora era tradição?
E.Leal: Hoje eu vejo como problema a dificuldade de se conseguir material. Para ter uma ideia, o mais difícil é conseguir a arte plumária que por si é cara. Até se encontra destaque, mas o problema é a qualidade. Vejo até como opção de o carnavalesco estar diminuindo a quantidade, pois se sabe até de pessoas que pegam o figurino e na hora apresenta uma fantasia totalmente modificada, o que compromete muito o desfile. Sobre os concursos e festas eu vejo a redução pela falta de patrocínio para viabilizar todo o projeto de um grande baile como antigamente.

CN1 – Existe o desfile inesquecível? Porque?
E.Leal: Não tenho um em especial porque eu gosto de todos. Claro que tem problemas como o fator chuva e tal. Posso destacar 94, os “Doces Bárbaros” que a avenida de ponta a ponta cantou com a mangueira.

CN1 – Lerroy nosso entrevistado anterior, nos contou que você hoje é uma das referências dele, possui alguém que te chama atenção?
E.Leal: Agradeço o carinho do querido Lerroy. Muita gente me ajudou desde o início e hoje tenho amigos e referencias como Santinho, Luizinho 28 por confeccionarem suas próprias roupas. Acho o Carlos Reis da Portela é ícone. Mauricio Pina possui roupas maravilhosas. Outro de SP que é o Waldir Costa, também confecciona roupas incríveis. Hoje eu tenho receio de citar nomes e esquecer alguém, porque sei que a maioria faz por paixão.

CN1: Existem vários estilos e categorias dentre os destaques, mas o que é fator determinante apontado por você para quem está começando?
E.Leal: Independente da roupa ser luxo, grande, pequena ou originalidade. Uma coisa que observo muito é limpeza e capricho. Pode até ser uma pena de galinha ou algo parecido e alternativo, se tiver bom gosto funciona. Já vi cada coisa de cair o queixo. Por isso quando posso estou sempre ajudando neste sentido. Orientando e direcionando.

CN1  Como conviver com a vaidade dentro do meio? Chegou a se incomodar? Nos conte um pouco.
E.Leal: Bom, eu não tenho isto. Inclusive não gosto dos títulos como de primeiro destaque porque não me vejo melhor do que ninguém. Mas já passei por coisas assim e não preciso citar nomes. Claro que já fiz coisas que hoje eu faço diferente. Já usei material inferior e é por isso que eu hoje gosto, sempre que possível de ajudar. Na vida encontrei pessoas maravilhosas que nunca se negaram a compartilhar seus conhecimentos comigo. Já ouvi chacotas e coisas do tipo, mas não liguei e estou aí.
Para estas pessoas desejo Luz, porque é o que elas estão precisando.

CN1 Algum agradecimento especial?
E.Leal: Primeiramente agradeco a minha mãe que me acompanha todos este anos. Aos meus apoios, que sem eles nao conseguiria fazer nada sozinho. A minha amiga Maria Célia Freitas Sardela que nem é do carnaval, mas por uma questão de amizade sempre me ajudou muito e também agradecer a uma pessoa que tem valorizado os destaques junto a mídia de uma forma geral, que é o Milton Cunha que nas transmissões sempre está antenado ao nosso trabalho.

Por Waldir Tavares Filho
Fotos: Divulgação

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