Dodô da Portela (In Memoriam)

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Dodô da Portela, nascida Maria das Dores Alves Rodrigues, é natural de Barra Mansa, estado do Rio de Janeiro, onde nasceu em janeiro de 1920.

Fortemente ligada à Portela, onde ocupou o posto de primeira porta bandeira, tendo participado ativamente de 21 campeonatos da escola.

Transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro com quatro anos de idade, indo morar no Morro da Providência, juntamente com a mãe e alguns irmãos. Naquela época, a família se instalou numa casa espaçosa, no extremo da Ladeira do Faria, junto à Ladeira do Barroso, bem no alto da encosta.

Já como trabalhadora numa fábrica de embalagens de papelão para a casa Granado, antes de completar seus 14 anos de idade, Dodô veio a conhecer Doralice Borges da Silva, popularmente conhecida como Dora, na época rainha da Portela, que lhe apresentou a Paulo da Portela e acabou por indicar Dodô para ser a porta bandeira da azul e branco de Madureira.

No carnaval de 1935, Dodô estreou na avenida empunhando o primeiro pavilhão da Portela, que apresentou o enredo “O Samba Dominando o Mundo”, e já com este desfile a escola conquistou seu primeiro título. E assim seguiu sua carreira vitoriosa como porta bandeira até o carnaval de 1957, quando finalmente foi substituída por Vilma Nascimento, sendo Natal da Portela, então presidente da agremiação. Mas sua paixão pela escola a fez desfilar como segunda e até mesmo terceira porta bandeira, até que em 1966 aposentou-se de vez do posto.

Desfile da Escola de Samba Portela (1941)

Dodô participou de todos os vinte e um campeonatos que a Portela conquistou a partir daquele primeiro título de 1935.

Oportunamente ocupou o posto de presidente da ala das Damas na escola de Madureira, vencedora dos Estandartes de Ouro de 1991 e 2014.

Dodô da Portela participou dos títulos da Portela dos anos de 1935, 1939, 1941, 1942, 1943, 1944, 1945, 1946, 1947, 1951 e 1953, na condição de primeira porta bandeira da agremiação.

Dodô contraiu matrimônio com Aloísio, porém o casal não teve filhos.

No ano de 1972, Dodô ganhou do então presidente da Portela, Carlinhos Maracanã, uma loja situada dentro do Portelão, a quadra da escola em Madureira.

Como católica fervorosa que era, cabia a Dodô cuidar das cerimônias religiosas na quadra da escola, em Madureira.

No carnaval de 2000, Dodô foi um dos destaques do desfile da Portela, se apresentando com o pavilhão da escola, como nos tempos de porta-bandeira, emocionando a platéia que ovacionou sua passagem na pista de desfiles naquele carnaval.

No carnaval de 2004 Dodô cruzou a Sapucaí como madrinha de bateria da Portela.

Dodô foi agraciada com dois Estandartes de Ouro, do jornal O Globo, nos carnavais de 1986 e 2004, o primeiro como destaque feminino e o segundo como personalidade.

No ano de 2005 foi aprovada moção na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, de aplausos e congratulações à Dodô da Portela pelos relevantes serviços que vem prestando em prol da cultura, do samba e da poesia do carnaval brasileiro.

Em 2009, Dodô foi homenageada, com outras personalidades do mundo do samba, no documentário Velhas Guardas, de Joatan Berbel. No ano de 2013, no livro “Onze Mulheres Incríveis do Carnaval Carioca”, do jornalista Aydano André Motta, a história de Dodô foi contada no capítulo 1, com o título de “Dodô, a pioneira”.

Em janeiro de 2015 Dodô veio a falecer, três dias depois de comemorar seus 95 anos de idade. Como a própria Dodô em muitas oportunidades havia expressado o pedido para que seu corpo não fosse velado na quadra da Portela, já que julgava ser um local de alegria permanente, seu velório não foi realizado na quadra da escola em Madureira e sim no cemitério São João Batista.

Ainda em 2015, Dodô foi homenageada em um mural com cerca de 20 metros de comprimento por 5 metros de altura, na Rua Ebroino Uruguai, uma das principais entradas do Morro da Providência. O mural foi criado por arte-educadores estadunidenses do Green Star Movement em parceria com jovens da favela. O Painel mistura grafite e mosaico e tem como objetivo valorizar a comunidade.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

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