Hoje nossa homenagem à divina mulher Trans que é Destaque do Acadêmicos do Salgueiro!

Monique Lamarque é Personal Stylist que fala quatro idiomas e é formada em hotelaria. Ela que não morou no exterior e que ama o carnaval, falou um pouquinho sobre uma arte de destacar as alegorias em uma escola de samba.

CN1: Na sua trajetória, quando você chega ao Salgueiro?
MONIQUE: Eu morava em um lugar e sempre tive o costume de voltar ao Brasil em dezembro e ficar até o carnaval. Em 1995, como sempre eu vim, fui convidada para ser jurada no concurso rainha de carnaval no Cabaré Casanova. Neste período conhecido por Roberto Szanieski, que era o carnaval da escola. O enredo na época era “O caso do porquê”.
Ele me convida para ir ao barramento buscar um figurino de uma pessoa que não seja desfavorável. E hoje estou lá até hoje.

CN1: Como é o destaque de uma escola poderosa como o Salgueiro?
MONIQUE: É uma escola que eu gosto muito. Eles possuem um carinho muito especial com os destaques e comigo também. É uma escola que eu amo paixão.

?CN1: Já havia alguma ligação com o carnaval antes do convite de Roberto Szanieski?
?Monique: Então, antes disso eu já havia desfocado nos anos 90 com o Luiz Fernando Reis. Três anos na Caprichosos e um na União da Ilha.

CN1: E aí lá, por que você prefere Salgueiro? A toparia é diferente em mais escolas no mesmo ano?
Monique: Estou há 25 anos no Salgueiro, mas já tive a oportunidade de oferecer convites de Paulo Menezes e Mauro Quintaes em estar desfilando na Mocidade. No ano de Paulo eu vim no carro do Versace porque o enredo era a Itália (2005).

CN1: Sabemos que os custos sempre foram altos, mas ultimamente surgiram muitos materiais alternativos. Mesmo assim, para ser um destaque de luxo, precisa ter algo mais como carnaval e que supere todo o custo? Ou hoje no dia da daria para qualquer pessoa se aventurar?
Monique: O custo é alto e o surgimento desses novos materiais é uma ótima opção. O que sai mais caro para um destaque é uma arte plumária. Faisões e rabos de galo hoje em dia não possuem mais tanta qualidade. Uma coisa engraçada é o que eu gosto. Eu não sou uma pessoa que não gosta de sair na noite. Então o carnaval me completa.

CN1:Monique, entre tantos figurinos luxuosos é inevitável que não ocorra na vaidade antiga. Já teve problemas com isso vindo de outra pessoa?
Monique: Sempre tem gente dando pitaco né? O mais importante para mim é fazer uma roupa dentro do carnaval que pede e que eu sinta como dentro desse figurino.

CN1: O carnaval tem o poder de desenhar ou usar, quanto vai gastar e até onde você pode vir. Como funciona isso com Alex de Souza no Salgueiro? Já teve problemas com quem já passou pelo escritório de carnaval antes dele?
Monique: Eu nunca tive problemas com algum carnavalesco. Vc sabe que desenho é diferente né? Mas eu faço 95% igual. O Renato Lage usou até os figurinos com meu rosto. Com o Alex eu não tenho nenhum problema. Eu sempre tive sorte quanto isso.

CN1: Teve aquela alegoria que você possui como favorito de estado lá como destaque principal?
Monique: Várias Alegorias me marcaram. O código de xangô neste ano marcou demais. Mas quando o Renato chegou em 2003, em comemoração aos 50 anos de Salgueiro, eu alegou que a cobra articulada e a vinha da cobra e eram inesquecíveis. O ano do enredo sobre o fogo (2005) é marcante para todos. Eu vim no último carro que era todo em neon e representava o sol. Sem dúvidas marcante.

CN1: O Destaque Eduardo Leal nos contou que ele faz parte do figurino e o mesmo que ele faz para o acompanhamento dele. Como funciona o seu processo de confecção de fantasia? Tem reciclagem?
Monique: Sempre tem reciclagem. As penas são tingidas e eu sempre dou minha opinião. Temos que estar dentro do processo. Caso contrário não funciona.

CN1: Você conta com quantas equipes na avenida para ajudar na concentração / dispersão?
Monique: O Salgueiro me selecionou três apoios. Pra mim hoje talvez a escola mais organizada. Além dos diretores que sempre podem usar. Cada carro tem sua própria escada e pode contar com um monte de gente que está ali para ajudá-lo.

Lamentavelmente, o número de destaques vem diminuindo. Em contrapartida ou descaso para vocês em algumas escolas, isso aumenta. Até os mesmos diretores em avenida.
Fale um pouco sobre o que acha.
Monique: Sim, as escolas estão trocando destaques por músicas. É lamentável ver que número caiu. Quando chegue ao Salgueiro éramos no torno de 50 destaques. E hoje somos nove, mas já tivemos apenas seis. A musa não faz o personagem como o destaque faz. Não podemos fazer muita coisa no que encontrar o carnaval. Eu acredito que uma escola de samba sem destaque não é uma escola de samba.

Destaque é o segmento que mais produz ícones. Mas nós falamos dos dias atuais. Na sua opinião, quem hoje está usando os mais icônicos da avenida?

Monique: Eu não quero citar nomes para não magoar ninguém. Existem estilos. Mas os grandes ícones do carnaval foram Vera Benévolo, Evandro Castro Lima, Beth Andrade, Jesus Henrique. Para mim cada um no seu trabalho e vamos ver onde vai chegar.

Monique Lamarque, veja a vida ser um desfile da escola de samba. Qual seria o enredo, abre o alas e a última Alegoria da sua história?
Monique: Eu amo o carnaval. Mesmo morando em sempre vinha em férias no prol do carnaval. Não sei dizer sobre está adrenalina. Realmente acho que esses destaques devem ser valorizados. Vamos ver como vai ficar no futuro. São 40 minutos que você passa após muita dor de cabeça, mas não hora é mágica e indescritível, na minha opinião.

 

Por Waldir Tavares
Fotos de arquivo pessoal Monique Lamarque

 

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