Carlos Reis é o primeiro Destaque da histórica escola de samba carioca Portela. O hair stylist possui uma trajetória impar de amor a um único pavilhão. São 37 anos de agremiação, fazendo com que Carlos Reis seja considerado um patrimônio da própria escola azul e branca de Madureira.

Foto Leo cordeiro

Este verdadeiro caso de fidelidade e amor começou no inicio dos anos 80, quando após perder os pais, Carlos conheceu o companheiro de longa data, Jorge Fernandes da Costa. Nascido em Madureira, Jorge gostava de carnaval e mostrou a magia de escola de samba a Carlos, que naquele tempo só conhecia os bailes do clube militar na lagoa.

Já morando juntos, no dia do desfile das campeãs de 1983, Jorge, que era um apaixonado pela Portela, convidou Carlos para ir até a concentração da Portela naquele ano. E um encontro com um “ser de luz” ficaria marcado para sempre na história de um jovem que se tornaria um dos mais completos Destaques de luxo do carnaval do Brasil.

Fomos assistir o desfile das campeãs e ele falou que ia me levar para conhecer o que é uma verdadeira escola de samba. Ele era tão portelense que comprava ingressos só pra assistir a Portela e depois ele ia embora. Fiquei olhando a Portela, escola toda formada pra entrar. E de repente chegou um carro antigo da marca Landau e sai algumas pessoas, entre elas uma mulher deslumbrante com os cabelos vermelhos, vestida com a roupa toda de branco e com arranjo na cabeça. Fiquei olhando aquela mulher apaixonada pela escola. Ela atravessou a avenida Presidente Vargas e foi para a concentração da Portela. Eu fiquei encantado olhando e ela se vira e me olha de repente. Falou para mim, veio até a mim, porque ela viu que eu tava deslumbrado e realmente era uma mulher muito bonita. Ela me perguntou se eu desfilava na Portela e eu disse que não só estava conhecendo através do meu companheiro que amava a escola. Ela virou falou assim: Então ele está certo, essa é a nossa Portela. E virou para trás e falando com as baianas”.

Clara Nunes em seu ultimo ato pela Portela

“Eu encantado olhando para ela o tempo todo, ela virou e falou comigo novamente: Olha só, então você vai me prometer que no próximo ano você vai desfilar na Portela? Falei: Prometo. Ela saiu, andando, olhou para trás, mandou um beijo para mim, eu mandei outro beijo para ela e a Portela já pronta para entrar. Virei para o meu companheiro, falei: Nossa! Que mulher deslumbrante, linda, uma pele bonita, uma mulher bonita. Então o Jorge, virou para mim e falou: Você não sabe quem é ela? Falei: Não! Ele: É a Clara Nunes, a outra senhora Elizeth Cardoso e o outro rapaz é o Guilherme Pereira, maquiador das duas. Eu pensei: Nossa, que linda que ela é, sem imaginar que meses depois ela passaria por uma cirurgia fatal“, lembra um emocionado Carlos Reis.

Em 05 de março de 1983, Clara Nunes submeteu-se a uma aparentemente simples cirurgia de varizes, mas acabou tendo uma reação alérgica a um componente do anestésico. Clara sofreu uma parada cardíaca e permaneceu durante 28 dias internada na UTI da Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro. Na madrugada do sábado de Aleluia de 2 de abril de 1983, a quatro meses de seu 41º aniversário, foi declarada morta em razão de um choque anafilático. A promessa feita por Carlos seria cumprida no ano seguinte, o Destaque considera o episodio daquele ano como seu verdadeiro encontro com um Orixá vivo.

1984 Primeiro Desfile de Carlos Reis na Portela

Em 1984, com o dever de cumprir o prometido a saudosa Clara Nunes, Carlos Reis passa a desfilar em ala na Portela. Se mostrando pé quente, foi campeão com a escola, que naquele ano cantou o enredo “Contos de Areia” dos carnavalescos Edmundo Braga e Paulino Espírito Santo. Reis recorda emocionado, pois a cantora falecida no ano anterior era uma das homenageadas no enredo junto a Natal e Paulo da Portela.”Acho muito engraçado, porque eu não estava acostumado com  desfiles. Quando entrei na avenida, fiquei muito emocionado e senti a presença da Clara naquele desfile

Carlos Reis em desfile da Portela em 1985

No ano seguinte o jovem Alexandre Louzada coordenava uma famosa ala dentro da Portela e Carlos, após muita insistência por falta de vagas, passou a desfilar neste grupo.

Próximo ao carnaval o Alexandre, que fez a minha fantasia após insistência e negociação com meu companheiro, falou que só ia dar tempo de me entregar a roupa sem as penas no lugar. Tinha que colocar em casa mesmo. Eu muito leigo do carnaval, não entendia nada, saí de lá com a fantasia, com o resplendor pronto e com aquele saco de penas de Emas torcidas. Levei para casa e comecei montar do meu jeito. Na hora que cheguei na avenida para me encaixar na ala, ele olhou e falou que a montagem foi de um jeito que deixou  a fantasia lindíssima porém diferente das demais. Ele virou para mim e falou assim: Faz o seguinte, você já está aqui a fantasia esta linda. Então você vem na frente da ala como uma especie de Destaque de ala“, conta Carlos que ficou mais seis anos seguintes na mesma ala.

O primeiro ano como destaque não foi na Portela, sim em um outro ninho de Portelenses raiz. Mal havia terminado o carnaval de 1984 e o mundo do samba acompanhava mais uma das inúmeras desavenças tão comuns na escola de madureira naqueles anos. O presidente Carlinhos Maracanã resolveu extinguir sete alas da Portela. Os respectivos diretores de alas, além de Nézio Nascimento (filho de Natal da Portela), fundaram um movimento que culminou em no surgimento da Gres Tradição. Em 1988, já conhecido dentro da Portela, Carlos Reis foi convidado a desfilar como Destaque de luxo na recém fundada escola de samba que tinha um time de estrelas como carnavalescos. Nomes como Maria Augusta, Lícia Lacerda e Rosa Magalhães faziam parte deste grupo. Carlos desfilou de Africano em uma fantasia em explosivas plumas brancas. Seria a estreia da Tradição no grupo de elite do carnaval carioca contando o enredo O Melhor da raça, o melhor do Carnaval“. 

Perguntei a Rosa Magalhães como fazer a fantasia. Eu me lembro que desfilei na frente junto com a primeira mulher do Nézio que se chamava Efigênia. Confeccionei a fantasia, comprando os materiais na lojas do centro“, explica.

Conciliando com a participação em ala na Portela, em 1989 Carlos Reis se vestiu de “Condor” no Abre Alas da Tradição. Seria sua despedida da Gres Tradição, que amargurou um 16.º Lugar e seria rebaixada para o grupo de acesso no carnaval de 1990.

Passado o carnaval de 89, na época a LIESA (Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) fazia uma tradicional festa no Clube Mourisco em Botafogo e todas as escolas levavam seus Destaques Fantasiados. E foi nesta festa que, representando a Tradição com a fantasia do Condor, Carlos Reis recebeu o convite para se tornar Destaque da sua amada Portela.

Logo que entrei desfilando, o Paulo Miranda virou pra mim e falou: Vem cá, você desfila em alas na Portela né? Eu falei: Sim, mas na tradição fui convidado pelo Nézio e aceitei. Queria ver como é que era e continuei, estou desfilando na Tradição como destaque. Ele falou: Olha só, não combina contigo não pois, você é a cara da Portela. No próximo ano quero que você desfile na Portela. E foi assim que eu comecei desfilar na Portela como destaque“.

Primeira fantasia na Portela em 1991

A estreia no alto de uma alegoria da Águia de Madureira ocorreu em 1991. O carnavalesco Silvio Cunha, em seu terceiro ano na Portela, preparava o enredo“Tributo à vaidade”. O carnavalesco marcou uma reunião com os Destaques da escola e Carlos Reis recebeu uma ligação para comparecer na quadra. Neste dia receberia seu primeiro figurino de Destaque na Escola recordista de Títulos no carnaval carioca.

O Cunha falou mesmo assim: Olha tem para você um figurino mas é o último carro da Portela, você vem representando Narciso. Sua fantasia é toda azul de Emas torcidas. Olhei o figurino, achei interessante. Na época de Portela já tinha primeiros destaques, que era Vanda Batista e Pedrinho Martins. Não ligo pra isso de vir em ultimo carro. Levei o figurino para o Edmilson Lima e ele fez a fantasia. O Jorge, meu companheiro fazia mil coisas para mim e eu vim com uma fantasia toda de ema torcida, azul turquesa. Esta fantasia ficou na história. Tinha três mil penas de emas torcidas, emendadas e foi um sucesso”.

O estilista Edmilson Lima faz todos os figurinos desenhados para Carlos Reis.

Tive o prazer a uns trinta anos atras de ser procurado por Carlos Reis iniciando sua carreira de Destaque no Carnaval do Rio. No inicio tudo era novidade, tanto para ele quanto para mim que já estava uns dez anos na luta. Carlos é uma pessoa exigente, requintada e dotada de um super bom gosto. O bom de tudo é que aprendemos juntos vários gabaritos de luxo. Ele me dava opinião e  no meu caso já tinha a prática vinda por ter trabalhado com o Destaque Jésus Henriques. Entre trancos e barrancos no carnaval, estamos juntos até hoje com o privilégio de ser o primeiro e atual Custume Designer de todas roupas de Carlos Reis”, declarou de forma exclusiva o estilista Edmilson Lima.

1999 Carlos Reis (Cádmo, Rei de Tebas)

De 1991 até o ultimo carnaval, Carlos Reis nunca aceitou convites ou mostrou interesse em  desfilar em outra agremiação a não ser na Portela. Exemplo de fidelidade e amor ao um pavilhão.

2000 Carlos Reis (Palácio das Águias)

Um vez estava conversando com o carnavalesco Ilvamar Magalhães, na ocasião trabalhando na Mangueira e tinha um primeiro destaque da escola que virou e falou para mim: Você já está aqui querendo arrumar lugar no carnaval  da Mangueira?. Falei: Jamais querido, meu coração é azul e branco, sou águia, pode ficar tranquilo“, brinca.

CARNAVAL DE 1995

Em 1995 vim no carro Abre Alas da Portela  do lado direito. Quando cheguei na avenida tinham trocado e colocado a Modelo da Dijon, Marisa Stein no meu lugar.  A fantasia dela era uma gola com uma meia dúzia  de pavão. Por favor, uma pena que nem aparece, botar meia duzia de pavões  para aparecer… Na hora  eu já vestido e ia subir, ué cadê o ferro para encaixar meu resplendor? O ferro já estava do lado esquerdo Eu falei: não, vou desfilar, e meu companheiro virou falou : você  vai desfilar. Humildemente aceitei e vim do lado esquerdo, isso não me afetou em nada, por quê? Primeiro que a modelo não sabia desfilar, ela parecia uma lagartixa em cima de um carro com uma fantasia de biquíni, uma gola com poucas penas de pavão, eu vinha do lado com uma fantasia de águia branca, deslumbrante que acabei com ela. Passei lindo e a outra passou totalmente sem ninguém entender o que que ela estava fazendo em cima de um carro alegórico“, dispara Reis.

Teve um ano que eu vinha com uma fantasia que era feita com todo tipo de pavão. Já montado em cima do carro e esse carro quebrou na concentração. A Portela já ia começar o desfile. O segurança falou que todos iam descer do carro. Estava lá em cima no queijo principal e meu carro tinha muita composição, só tinha homem no meu carro. Me tiraram de cima do carro, botaram no chão. As composições fizeram  um escândalo quando falaram que tinham que descer do carro. Começaram dar pinta dizendo que não iam descer, que não iam descer. Os seguranças na época eram meio brutos e falaram: Ou descem ou então vocês vão parar dentro do mangue com carro alegórico e tudo porque esse carro vai ter que sair daqui para passar os outros carros. As bichas desceram tudo correndo. Foi muito engraçado, ri muito. Viraram para mim e falaram assim: Carlos Reis, você faz parte do enredo. O que vai fazer? E o que eu pensei, falei: Então vocês tiram parte do resplendor, deixa alguma parte menor na minhas costas e eu vou atravessar a avenida no chão. Foi assim que eu fiz. Quando eu virei na avenida, só chorava de emoção pensando que fosse ser muito fácil desfilar com uma bota com salto doze até o final do desfile com fantasia e tudo. Na hora empolgado e fui cantando o samba e ao mesmo tempo chorando“, conta com bom humor.

2006 (A Luz da Portela)

Em 2005 a Portela fez um dos mais caóticos desfiles de sua história. Inclusive levou para avenida a esquecível Águia de metal sem as asas. Com o enredo Nós podemos: Oito ideias para mudar o mundo!trouxe grandes constrangimentos, os portelenses ficaram apreensivos com a possibilidade de rebaixamento. Na apuração, a escola ficou na penúltima colocação sendo sua pior posição na história do carnaval. Carlos Reis já consolidado na sua posição de guardião do simbolo da escola relembra o fato.

2005 Carlos Reis (O Guerreiro da Destruição)

A Portela concentrada e não tinha como eu subir no carro pelo Carvalhão, porque as asas da águia seriam encaixadas na hora. A Portela veio com uma água toda de metal e minha fantasia levava quase que o mesmo metal que vinha na águia, misturado na roupa nos detalhes. E tenta encaixar a asa, tenta encaixar a asa e nada da asa encaixar. Quando veio a ordem, para Portela entrar. O carro já com todos das composições, só tinha o meu queijo vazio. Na águia eles inventaram um olho de farol de avião da águia, mas as asa não encaixou e eu falei agora, com é que eu vou subir? Vestido já, de bota, com salto alto, com tudo. Mas eu fui muito abençoado,  tive  ajuda dos seguranças que me colocaram em cima do carro e os apoios que estavam no carros após me ajudaram. Eu só senti aquele monte de mão na minha bunda, me empurrando para cima. Enfim, consegui chegar lá no final do  meu queijo e a Portela entrou. Foi a primeira vez que a Portela entrou com uma águia sem asas. O maior vexame que futuramente depois descobrimos que isso foi uma coisa armada por alguém que não gostava do Presidente Nilo“, recorda.

Com mais de trinta anos de carnaval, Carlos Reis figurou em inúmeros concursos de fantasias. Os concursos das categorias luxo e originalidade, faziam grande sucesso, destacando-se, entre outros, figuras como Clovis Bornay, Evandro Castro Lima, Zacharias do Rego Monteiro, Mauro Rosas, Marlene Paiva e Wilza Carla. Os mais famosos eram os do Teatro Municipal, Copacabana Palace, Hotel Glória e Clube Monte Líbano. Tendo convivido em meio a todos estes grandes nomes, Carlos Reis recorda a época de ouro dos Destaques de Luxo.

Participei de concursos de fantasia do Hotel Glória, Monte Líbano e outros concursos mais. Não participava com intenção de querer só aparecer. Participava porque a fantasia era feita para Portela. Os concursos sempre foram antes do desfiles e era uma maneira de testar a fantasia. Parei de competir apos um episodio em que tivemos que aguardar horas para se apresentar para uma quadra vazia. Foi um pedido do meu companheiro Jorge que sempre cuidou de mim. Faço a fantasia para a Portela, desfilo na Portela, se a Portela voltar como campeã ou então entre as seis, desfilo de novo. Sempre será um grande prazer”

Carlos Reis brilhando ao lado de Clovis Bornay

Carlos sempre se mostrou fã do já citado Evandro de Castro Lima, conhecido por disputar e vencer inúmeros concursos de fantasia. Só no  Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Evandro levou o titulo por 21 vezes. A elegância do saudoso Lima (falecido em 1985) é o legado deixado e seguido por seu admirador Carlos Reis, que reina de forma absoluta em qualquer alegoria da Portela.

Quando comecei a desfilar como destaque de carnaval sempre teve em pessoa que me inspirou muito, essa pessoa se chamava Evandro de Castro Lima, primeiro destaque do Império Serrano. O comportamento dele era de um Rei mesmo. Muito elegante, foi o meu mito. Nunca existiu um destaque melhor, nem  nunca conseguirei chegar aos pés do que ele foi. Muita gente acha que pode ter sido Clóvis Bornay. Eu que acompanhei muito dos concursos de fantasia, sempre achei o Clóvis muito caricato. Um bom destaque mas ele era uma caricatura, já o Evandro não

Não gosto de sambar em cima de uma alegoria, sempre me preocupo com a posição das pernas e de braços porque quem vai assistir um desfile na avenida quer ver coisa bonita e você tem que entrar majestoso, fazendo reverências as pessoas que tão assistindo, respeitando o setor um e respeitando muito o final do desfile, que é o setor treze“.

Carlos Reis é querido e amigo de grandes estrelas do show business brasileiro, como atrizes, modelos e cantoras. Todas clientes e admiradoras do profissional da beleza e da avenida. Caso da amiga Modelo Luiza Brunet, que demonstra seu carinho no vídeo abaixo.

Como na minha profissão, sou cabeleireiro, maquiador, não gosto de falar sobre  pessoas famosas ou não famosas que são clientes. Primeiro porque todos na minha opinião são importantes. E depois todas as clientes que entram no salão que eu atendo são famosas, porque todas elas pagam. Famosas que chegam lá e queiram fazer o cabelo de graça ou uma maquiagem de graça, prefiro perder esta famosa do que fazer de graça e  cobrar da cliente que paga o dia a dia lá no salão “, pondera Carlos Reis sobre sua relação com as famosas.

Não tenho nada contra nenhum outro Destaque, acho que todos são maravilhosos, todos merecem brilhar na avenida e brilhar na vida. Isso que importa. O sol nasceu para todo mundo e todos tem o direito de brilhar. Esta história de ser primeiro destaque que eles falam, tudo bem, eu me coloco até como primeiro destaque da Portela porque isso foi conquistado, mas o Destaque principal da Portela é a Águia. Sou um personagem que vem junto com a águia“.

Quem esta começando agora, tem que tentar tentar fazer sempre o melhor. Procurar proteger seu pavilhão, da sua escola da melhor maneira possível. Se você tiver que falar alguma coisa a respeito da escola, dá um jeito de chegar até o Presidente e conversar

Outra coisa para quem sonha em ser Destaque, procura ver se é isso mesmo que você quer. Se é este o seu dom porque  todo mundo tem dom, uns tem dom para vir de passista, outros tem dom para vir de rainha de bateria, como a Bianca Monteiro que é da própria comunidade e deu um banho na avenida. Deveria ser lei sempre meninas da comunidade escolhida da própria ala de passista da escola, nunca de outras de fora. Chega a ser engraçado, essas de fora vêm dando dinheiro para desfilar e chega na avenida não conhecem ninguém da escola. Querem aparecer e só“.

Em 2014 Carlos Reis foi condecorado com a Medalha Tiradentes, uma honraria concedida pelo Governo e destinada a premiar pessoas que prestaram relevantes serviços à causa pública do Estado do Rio de Janeiro. recebida na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O feito é único entre os Destaques de Luxo e raro entre sambistas. Na festa a sua grande amiga Selminha Sorriso também foi condecorada.

Alerj – Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Sempre acompanho o barracão da escola, porque eu quero ver onde eu venho e qual é a minha posição. Se vou precisar usar o carrinho para prender  o esplendor, precisar usar ferro para segurar o resplendor, esses detalhes que alguns são muito chatos com isso. Normalmente me preparo muito”

“Procuro fazer academia durante o ano inteiro e me cuidar. Faço Pilates normalmente. E no dia do desfile mesmo, eu não faço mais nada, a não ser ficar em casa me cuidando e procurando me alimentar direito. Não bebo álcool não fica bem. Tenho medo dar vexame, e acho que um Destaque tem que ter responsabilidades. Principalmente um destaque da Portela. A concentração é grande e eu tenho que fazer minhas orações. Não tenho apoios, tenho anjos da guarda que me ajudam e graças a Deus são pessoas que estão comigo esses anos todos

“Nunca tive problema nenhum com os carnavalescos. Estou na Portela esses trinta e sete anos, já passaram vários presidentes e vários carnavalescos. Eu procuro me dar bem com todos procuro sentar, conversar e ver o personagem que ele quer me dar e como pode ser confeccionado, as coisas que são possíveis, que não são possíveis. Sempre procurei  fazer igual ao figurino ou então melhor e assim tem sido a minha trajetória com todos os carnavalescos. Este ano de 2020 o Renato Lage me contou que enfim ele estava realizando o sonho de fazer um figurino para mim. O Renato sempre quis que eu desfilasse para ele e eu sempre disse que não, só o dia que ele fosse fazer a Portela e esse ano aconteceu. Me senti muito orgulhoso disso“, agradece a chance de trabalhar com Renato e Márcia Lage, atuais carnavalescos da Portela.

“Sou muito agradecido ao coordenador de destaque da Portela Carlos Ribeiro. Ele sabe que não gosto de ficar colocando fantasia, a não ser no dia do desfie da Portela. Durante o ano inteiro tem eventos nas quadras co-irmas. Aí convida, vai com fantasia, vai com tudo. Eu sou contra isso. É um desgaste muito grande, acho importante sim participar das festas, mas deixa a mulata, os passistas, mestre sala e porta a bandeira e ponto. Lugar de show é para os passistas, o destaque vai como convidado. Destaque é destaque, vai como convidado mesmo. Agora, é claro que tem muitos que talvez gostam de aparecer e montar toda a fantasia. Eu não gosto! Não é a minha praia. O meu coordenador de destaques, que graças a Deus me entende muito bem, sabe que eu não gosto. Acho que tem que dar oportunidade a outras pessoas e ele me libera disso. Graças a Deus”.

CARLOS REIS E O COORDENADOR DE DESTAQUES DA PORTELA, CARLOS RIBEIRO

Para o carnaval 2017, a águia levou um enredo sobre os rios. O título do enredo do carnavalesco Paulo Barros, Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar?, último verso do samba-enredo escolhido pela escola. O desfile encantou público e crítica, e levou a escola ao tão almejado campeonato, após 33 anos de jejum. Carlos desfilou uma fantasia ao estilo do ousado carnavalesco Barros.

A fantasia saia água ano que a Portela ganhou o Carnaval, a roupa foi toda impermeabilizada. Mas aquele ano eu fiquei muito cansado, foi um ano que teve aquele acidente na avenida e aquilo me deixou muito triste. E meu carro era para sair água embaixo do meu queijo. Me lembro que fui lá na igreja Nossa Senhora da Paz, peguei um litro de água benta atrás do altar. Acho que isso ajudou muito, porque quando a Portela entrou foi lavando a avenida. Desfilei incorporado aquele ano, não sei o que aconteceu, foi a força da minha guerreira, Clara Nunes. Ela sempre está presente em todos os desfiles“.

Já aconteceu de um tudo comigo desde os desfiles de concursos a desfiles na Sapucaí. Quebras de alegorias e eu precisar desfilar no chão, tirar parte da asas da Águia, isso faz parte do carnaval. Na época que a Águia veio sem asa eu já era o primeiro destaque da Portela. Mas eu não tenho que reclamar, sinceramente, do fundo do meu coração.

Dois meses antes do carnaval de 2019, o parceiro e companheiro de Carlos Reis veio a falecer. Jorge que era o grande incentivador de Carlos e seu maior entre todos os fans, partiu para aplaudir do Destaque do lugar mais alto que um Abre Alas da Portela pudesse alcançar. Os cuidados agora seriam do céu. Foram 36 anos de amor e dedicação. Foram divinos aplausos duplos, pois neste mesmo ano a Portela faria um enredo sobre Clara Nunes, aquele mesmo Ser de Luz que fez com que toda esta história se iniciasse.

Não tinha menor condições de desfilar. A fantasia praticamente pronta e  perdi ele justamente um mês antes do carnaval. Mas graças a Deus, a Portela me deu todo o apoio que eu precisei, não apoio financeiro, que eu nunca pedi nada e nem quero que a Portela me dê nada financeiro. Foi muito emocionante porque sepultei ele naquele cemitério que fica no final da desfile”.

O saudoso Jorge, companheiro de Carlos Reis por quase 40 anos.

“Parecia que eu sabia que de alguma maneira ele tava tomando conta de mim , ele tava lá  no final do desfile. Ele nunca desfilou na Portela, vinha com a camiseta da diretoria, dava volta por trás dos camarotes, chegava lá no final e comprava água mineral pra todo mundo“, relembra emocionado.

” Nunca fui desrespeitado, acho que é por causa da maneira que eu me coloco. Você não vai me ver brigando com ninguém nas redes sociais sobre carnaval, desvalorizando a diretoria. Porque roupa suja se lava dentro de casa. Se você se impõe com respeito pelas pessoas automaticamente vão te respeitar também. Para mim todos no carnaval são importantes, desde a catadora de latinha de cerveja que cai no chão da quadra passando pelo o barracão até o presidente da escola. Trato todo mundo com muito igualdade. Sou muito grato a tudo que a vida me deu, com todos os problemas que eu tenho passado nos últimos anos, com a falta que ainda sinto do meu amor. Acredito que nunca mais vou conseguir amar ninguém desta forma. Tenho maior respeito por todos pelo trabalho de cada um e pelo trabalho de toda a imprensa”, finaliza.

2 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns amigo por essa linda matéria vc merece todos aplausos, vc é muito iluminado e de uma conduta muito especial tenho muito orgulho em ser seu fã 💙💙💙
    Obrigado por presentear nossos corações sempre 🦅🦅🦅🦅

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui