JACKSON MARTINS (In Memorian)

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Há 15 anos, no mês de agosto, o mundo do samba perdeu um de seus grandes intérpretes. Aliando técnica e carisma, Jackson Martins apesar da curta trajetória como intérprete oficial, deixou seu nome marcado na história do Carnaval.

Sua história carnavalesca iniciou-se na década de 90 pela então recém criada Inocentes de Belford Roxo, escola de sua cidade natal. E foi participando das eliminatórias de samba da vizinha Beija-Flor, e as ganhando por três anos consecutivos que chama a atenção de Neguinho da Beija-Flor que o convida para participar de sua banda.

No ano de 1997, após dispensa do intérprete Luizito, o presidente da Caprichosos de Pilares, Fernando Leandro, decide apostar no jovem intérprete Jackson Martins. Aos 24 anos ele estreia no microfone da escola de Pilares e conquista o vice-campeonato do Grupo de Acesso e seu ao Grupo Especial.

Jackson e Caprichosos formaram uma simbiose surpreendente, pois apesar do pouco tempo na agremiação, parecia ser uma parceria de vida inteira. No ano de 1998, abrindo a noite de desfiles, com o enredo “Negra origem – Negro Pelé, negra Bené”, a escola levanta a Sapucaí com o refrão :

“Quem tem magia no pé
É Pelé
Quem vem na força da fé
É Mandela
E a voz que veio de lá
Da favela
É da guerreira Bené
Salve ela”

No ano seguinte, Jackson Martins novamente levanta a Sapucaí com extraordinária interpretação em desfile que homenageava o cirurgião plástico Ivo Pitanguy. Tal performance rendeu ao intérprete o prêmio Tamborim de Ouro.

Daí por diante, Jackson Martins já figurava como um dos grandes e promissores nomes do carnaval carioca. Sua participação em eliminatórias de samba eram cada vez mais requisitadas e sua voz era aguardada na Sapucaí.

Apesar do sucesso junto ao público não se refletir em colocações na parte alta da tabela, e os enredos fugirem da identidade irreverente dos áureos tempos da escola, os sambas interpretados por Jackson deixaram sua marca e até hoje são relembrados nas quadras.

Em 2004, fez o que seria seu último desfile da vida. A escola homenageava a apresentadora Xuxa Meneghel, e Jackson Martins como de hábito levanta a Sapucaí cantando em seu esquenta “Lua de Cristal”, sucesso da rainha dos baixinhos.

Simpatia, irreverência, potência vocal e amor ao samba foram legados que Jackson Martins deixou após sua precoce partida.

Intérpretes da atualidade como Nino do Milênio, Thiago Brito e Zé Paulo Sierra citam como referência o nome de Jackson Martins.

Nosso muito obrigado pela sua importante trajetória no mundo do samba.

Por Douglas São Pedro.

 

 

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