BRASIL – Vila Bela, lugar onde viveu Tereza de Benguela ainda preserva suas tradiçoes

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Descendente de Tereza desfila na Viradouro 1994

Vila Bela da Santíssima Trindade, município distante 521 quilômetros de Cuiabá. Primeira capital de Mato Grosso, a cidade de 16 mil habitantes é símbolo no país da preservação da cultura afro, herdada do antigo Quilombo do Quariterê. A comunidade de negros ficou conhecida no século 18 por ser comandada durante 38 anos por uma mulher, Teresa de Benguela, e por abrigar indígenas.

A cidade é conhecida por ser uma Africa dentro do Mato Grosso, onde 72% da população é formada de pretos e pardos. A população só não é 100% negra em função da presença indígena e da colonização recente vinda de estados da Região Sul. Mato Grosso possui pelo menos 160 áreas ou comunidades ocupadas por quilombolas. Do total, 60 são reconhecidas.

Para manter viva a tradição do Quariterê, escolas públicas do município mantêm na grade curricular disciplinas sobre a cultura afro. Dentro de casa são ensinadas manifestações como a dança do Chorado e, entre os meses de junho e julho, são promovidas festas religiosas do período colonial, com distribuição de alimentos e bebidas para celebrar a colheita.

E hoje nas ruas de Vila Bela também não é difícil encontrar moradoras com roupas, lenços de cabeça e turbantes coloridos, como usavam suas antepassadas. A confecção é artesanal e respeita a tradição africana.

O Quilombo do Quariterê foi criado em 1740 pelo líder negro José Piolho, marido de Teresa de Benguela, no Vale do Guaporé. A região mato-grossense é próxima à fronteira com a Bolívia. Com a morte de José Piolho, Teresa assumiu o comando do quilombo, que passou a ser governado com auxílio de um parlamento. A líder negra acabou sendo morta pela Coroa Portuguesa em 1775.

Ao contrário do que se acreditou por muitos anos, Teresa não se matou ou ficou louca. Por convicções religiosas, explica a pesquisadora, ao saber do ataque ao quilombo, a líder buscou o “retorno à terra” e foi rendida enquanto comia terra. Depois de assassinada, teve o corpo esquartejado e colocado em exposição em Vila Bela. Somente em 1795 o quilombo foi extinto. No Rio, além de ter sua memória preservada por grupos afros, Teresa de Benguela foi homenageada em 1995 pela Unidos de Viradouro.

Vivendo em sociedade matriarcal até os dias de hoje, Vila Bela é a terra das mulheres guerreiras.

Por Waldir Tavares

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