Beija Flor de Nilópolis – Quando chega dezembro a alegria é geral…

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Como uma jovem senhora, que no dia de Natal completa aniversário, o vinte e cinco de dezembro marca o aniversário de fundação do G.R.E.S. Beija Flor de Nilópolis que completou 71 anos de muitas histórias e vitórias no carnaval carioca.

Sua sede fica na cidade de Nilópolis, área que faz parte da baixada fluminense, mas fazem muitos anos que a agremiação participa do carnaval na cidade do Rio de Janeiro.

Maior campeã da era “sambódromo”, já que desde 1984 acumulou um total de nove campeonatos, do total de 14 primeiros lugares conquistados até hoje, fica atrás somente da Portela e da Mangueira em número de campeonatos alcançados. Vice-campeonatos foram 12 conquistados desde 1979.

Uma particularidade quando se fala da Beija Flor que precisa ser destacada é que parte dos governantes de Nilópolis também atuou como administração dessa escola de samba. A denominação de Nilópolis originou-se de uma homenagem a Nilo Peçanha.

Logo que se chega à Nilópolis, já no pórtico de entrada do município, se é recebido pela escultura de um beija flor, tamanha a importância que a agremiação tem para a cidade e seus moradores, já que a escola projetou o nome do município além de suas fronteiras, tanto nacional quanto internacionalmente.

A ascensão da família Abraão-Sessim, que em meados da década de 70 passou a controlar a Beija Flor, combina com a ascensão da agremiação. Contando com o aporte financeiro da família, a escola se firmou na elite do carnaval do Rio de Janeiro, com desfiles onerosos e suntuosos, marca da escola.

O Bloco Associação Carnavalesca Beija-Flor, que mais tarde tornou-se escola de samba foi fundado em 25 de dezembro de 1948 por um grupo de amigos composto por Milton de Oliveira (Negão da Cuíca), Edson Vieira Rodrigues (Edinho do Ferro Velho), Valentim Lemos, Helles Ferreira da Silva, Hamilton Floriano, José Fernandes da Silva e os irmãos Mário Silva e Walter da Silva.

Foi Dona Eulália, mãe de Negão da Cuíca (o presidente do bloco) quem sugeriu o nome Beija-Flor, inspirado no Rancho Beija-Flor, que existia na cidade de Valença, situada na região serrana do estado do Rio de Janeiro. Por esta sugestão de nome, que acabou sendo aceito, Dona Eulália foi admitida como fundadora do Bloco, sendo a única mulher entre os fundadores. Com as cores azul e branco a Portela foi escolhida para ser a madrinha da nova escola  de samba.

A Beija-Flor também é conhecida como a Deusa da Passarela e Maravilhosa e Soberana.

O logotipo atual da escola, adotado desde julho de 2017, trás o desenho de um beija-flor azul, beijando uma flor estilizada, com pétalas formadas por cinco corações, cada um com uma cor e um significado diferente. Os corações representam os projetos sociais da agremiação. O coração verde representa os projetos ambientais; o coração amarelo, o carnaval; o coração roxo, a educação; o coração laranja, a profissionalização; e o coração vermelho, os esportes.

O bloco foi campeão municipal já no carnaval de 1949, seu primeiro ano de desfile, tendo sido tricampeão até 1953, seu último desfile como bloco.

Em 1953, através da articulação do compositor Cabana, que morava em Nilópolis, mas tinha família oriunda do Rio Comprido, na cidade do Rio de Janeiro, iniciaram as articulações para a mudança do bloco em escola de samba, com a inscrição da entidade na Confederação Brasileira de Escolas de Samba para participar dos desfiles no segundo grupo do carnaval carioca onde alcançou a primeira colocação. Vice-campeã do segundo grupo, novamente, em 1962, foi rebaixada após o último lugar de 1963. Em 1964, novo rebaixamento da escola a levou para a terceira divisão do carnaval.

Depois de vários carnavais desfilando nas divisões inferiores, no carnaval de 1973 conquistou o vice-campeonato do segundo grupo, regressando à divisão principal do carnaval carioca.

É consenso entre os entendidos dividirem a história da Beija Flor em duas partes: antes e depois do gênio e carnavalesco Joãosinho Trinta, que assumiu o cargo de carnavalesco da agremiação em 1976, inicialmente com um enredo em homenagem ao jogo do bicho, “Sonhar com Rei dá Leão”, alcançando a vitória naquele ano. Cantando os antigos carnavais, com “Vovó e o Rei da Saturnália na corte Egipciana” foi bicampeão em 1977 e no carnaval seguinte, com o enredo “A Criação do Mundo na Tradição Nagô”, levou a escola de novo ao topo do pódio, como a terceira escola a conseguir um tricampeonato até aquele momento.

Desde o carnaval de 1976 a Beija flor tem o mesmo intérprete oficial, o nacional e internacionalmente conhecido Neguinho da Beija Flor.

Joãosinho Trinta ainda levou a Beija Flor à vitória nos carnavais de 1980, com “O Sol da meia-noite, uma viagem ao País das Maravilhas”, empatada com a Portela e Imperatriz Leopoldinense, e no carnaval de 83 com “A Grande Constelação das Estrelas Negras”, enredo onde personalidades negras eram homenageadas como Pináh, Grande Otelo e Pelé, dentre outros.

Em 1989, a escola, distinguida pelo luxo de suas alas e alegorias, surpreendeu o público com o enredo “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia” levando para a pista de desfile da Sapucaí alegorias e alas repletas de lixo, com destaque para a figura do Cristo mendigo em seu abre alas. Foi vice-campeã, com aclamação popular.

Depois da saída de Joãosinho Trinta, passaram pela agremiação como carnavalescos Maria Augusta, por um carnaval e Milton Cunha que ficou na escola por quatro carnavais.

Desde o carnaval de 1996 a escola conta com o bailado de Selminha Sorriso e Claudinho na condução sempre precisa e elegante de seu primeiro pavilhão.

A agremiação só voltou a ser campeã no carnaval de 1998 empatada com a Mangueira, já sob o comando de uma comissão de carnaval instituída na agremiação no ano anterior, para preparar esse carnaval, que trouxe o enredo “O Mundo místico dos Caruanas nas águas do Patu-Anu”.

Nos carnavais dos anos de 2003, 2004 e 2005 a Deusa da passarela conquistou seu segundo tri campeonato em sua história com os enredos “O povo conta a sua história: Saco vazio não para em pé. A mão que faz a guerra faz a paz”, “Manôa, Manaus, Amazônia, Terra Santa: Alimenta o corpo, equilibra a alma e transmite a paz” e “O vento corta as terras dos pampas. Em nome do pai, do filho e do espírito guarani. Sete Povos na fé e na dor… Sete missões de amor”.

No carnaval de 2003 Raíssa de Oliveira foi promovida a rainha de bateria da azul e branca de Nilópolis, estando neste mesmo posto até os dias atuais.

Nos carnavais de 2007 e 2008 a escola volta ao topo do pódio do carnaval carioca com “Áfricas – Do berço real à corte brasiliana” e “Macapaba- Equinócio solar. Viagens fantásticas ao meio do mundo”.

 

 

 

No carnaval de 2011, com um desfile em homenagem ao cantor Roberto Carlos, declarado torcedor da escola, de novo a agremiação coloca mais uma estrela vitoriosa em seu pavilhão.

Novo campeonato foi alcançado no desfile de 2015, com “Um griô conta a história: Um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade”.

 

 

Em 2018, com o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” a agremiação conquistou sua 14ª. estrela.

No carnaval de 2019, a Beija-Flor apresentou o enredo “Quem não viu, vai ver… As fábulas do Beija-Flor”, para comemorar seus 70 anos de fundação, mas a escola ficou apenas com a 11ª. colocação, pela primeira vez na sua história,a agremiação ficou abaixo da sétima colocação.

Para 2020, com a contratação do carnavalesco Alexandre Louzada e parceria deste com o também carnavalesco Cid Carvalho, a escola levará para a Sapucaí o tema de enredo “Se essa Rua fosse minha”. Mordida com o resultado do carnaval passado, por si só é um indício de que algo muito especial está sendo preparado pela escola em parceria com sua comunidade para o próximo reinado de momo.

Com relação à premiação distribuída pelo júri do Estandarte de Ouro, a Beija Flor até o último carnaval somou um total de 58 premiações, em diversas categorias, destacando-se quantitativamente as premiações para mestre sala e melhor ala, cada um com dez troféus nessas duas categorias analisadas. Outras premiações dadas àqueles que se destacam no carnaval também já foram recebidas pela Beija Flor de forma bastante destacada.

 

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

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