10 Livros para manter o clima de Carnaval em casa

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Foto: Wigder Frota

Em época de pandemia, para matar a vontade de carnaval, nossa saída foi recorrer a folia virtual que invadiu a rede por estes dias. Enxergamos também uma ótima oportunidade para leitura. Felizmente existem muitas obras literárias que abordam a festa, seja por meio de crítica social, ou através de um estudo histórico. Selecionamos algumas obras que tratam sobre o Carnaval ou têm alguma relação com essa temática. Poderíamos enumerar umas cem obras, pois como citado felizmente o tema é bastante explorado pelos escritores e poetas brasileiros. Um bom Carnaval e ótima leitura.

O dia em que adiaram o Carnaval – Política externa e a construção do Brasil”  Autor Luís Cláudio Villafañe G. Santos (Ed. Unesp).

Começamos por este, pois a obra retrata, apesar de não falar do carnaval em si, o ano de 1912 quando o Brasil teve dois Carnavais. O primeiro foi em fevereiro, seguindo o calendário regulamentar. O Carnaval em dobro teve origem na morte do Barão do Rio Branco, vítima de insuficiência renal. Ele morreu aos 66 anos em 10 de fevereiro, um sábado, quando faltava exatamente uma semana para a festa de Momo. O livro retrata o descumprimento da proibição dos festejos pela morte do herói nacional.

“O esplendor das escolas em 30 anos de desfiles de carnaval na marquês de Sapucaí”. Autores: Diogo Cunha e André Diniz (Ed. Casa da Palavra)

Esta obra completa e recheada de fotos inclui a história de desfiles que se destacaram na Avenida, relembra sambas-enredo que fazem parte do imaginário do carioca, acompanha a evolução das escolas, das madrinhas de bateria e das alegorias no decorrer desses 30 anos em que as escolas de samba fizeram história na Marquês de Sapucaí

Na passarela do samba percorre em detalhes os 30 anos desde a construção do Sambódromo, palco fixo do maior carnaval do mundo. Abordando cronologicamente os desfiles, o livro mostra a gênese das escolas e também permeia as nuances políticas e históricas que determinaram o que hoje conhecemos como Carnaval carioca.

As Titias da Folia. O Brilho Maduro de Escolas de Samba de Alta Idade“. Autores Fábio Fábio,  Vinícius Natal, Luiz Antonio Simas (Ed. Novaterra)

A escolas de samba Estácio de Sá, Unidos da Tijuca, Unidos de Vila Isabel e Unidos de Viradouro são mencionadas nesta obra como “titias”, pois só atingiram o protagonismo na folia carioca depois de já estavam um bom tempo em atividade. Ao todo, são oito campeonatos na elite que são retratados de forma simples e divertida.

O livro é a continuação de uma série (que eu super indico) iniciada com As Três Irmãs: como um trio de penetras “arrombou a festa”.

Vestidos para brilhar – Uma Epopeia dos Destaques das Escolas de Samba do Rio de Janeiro“. Autor: João Gustavo Melo (Ed. Rico)

Este livro busca descrever a trajetória, bordada de brilhos e sonhos, dos Destaques de Luxo nas Escolas de Samba. Segundo o autor, os destaques estão entre os mais vistos (e às vezes menos pesquisados) segmentos que as escolas de samba abrigam em seu corpo social. Desfilantes que investem vultosas quantias para brilharem sobre o alto das alegorias, representando geralmente os personagens centrais do enredo apresentado na Avenida. Assim, tornam-se também porta-vozes de uma face da história da folia carnavalesca.

Destaques como Clóvis Bornay, Olegária dos Anjos, Isabel Valença, Jésus Henrique, Marlene Paiva e Xangô do Salgueiro, são alguns dos representantes do segmento que estão presentes nesta bela publicação ilustradapor fotos do badalado fotógrafo Wigder Frota.

Transformações na avenida – historia das escolas de samba da cidade de Sao Paulo“. Autor: Bruno sanches baronetti (Ed. LiberArs)

São Paulo possui uma cultura musical tão rica e tão diversificada que precisava ser contada e escrita nos livros. Isso é fundamental para tirar do anonimato tantos personagens importantes que se perderam e precisam ser resgatados. Este livro faz isso ao  trazer a riqueza dos cordões e das escolas de samba de São Paulo.

O livro parte da oficialização do concurso de cordões carnavalescos e das escolas de samba pela prefeitura da cidade, em 1968, que introduziu novas regras que modificaram a estrutura dos desfiles, contribuindo para a extinção dos cordões nos bairros da cidade até as transformações ocorridas na década de 1990, quando os desfiles deixam o espaço público da rua e passam a acontecer em um espaço privado, o Sambódromo.

“O Brasil É Um Luxo – Trinta Carnavais De Joãosinho Trinta”. Autor: Fabio Gomes (Ed. CBPC)

O foco desta obra são os 30 enredos e desfiles criados por Joãosinho Trinta para as Escolas de Samba do Grupo de Elite do Carnaval carioca. Dividido em 30 estágios, 30 enredos e 30 desfiles, o livro reúne o depoimento de artistas de diferentes linguagens das artes para refletir, simbolicamente, o conceito de ópera popular de um desfile de Escola de Samba.

“Carnaval em branco e negro”. Autor: Olga Rodrigues de Moraes (Selo Unicamp)

A publicação apresenta um estudo rico em detalhes sobre o carnaval paulistano entre 1914 e 1988, em que a vida da cidade, a formação de seus bairros e o seu crescimento são refletidos e se refletem na folia. Inclui, também, um álbum com quase cem fotografias, grande parte proveniente do acervo pessoal dos que foram ouvidos pela autora. Um álbum de fotos nas páginas finais do livro permite ao leitor consultar as referências contidas no texto. O trabalho de restauração das fotos foi realizado com o Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo.

“Meu bloco na rua: A retomada do carnaval de rua do Rio de Janeiro”. Autor: Rita Fernandes (Ed Civilização Brasileira)

Famosos blocos cariocas como Simpatia É Quase Amor, Barbas e Suvaco do Cristo fazem parte de um período bastante importante na história do país. É o ápice da redemocratização, ano da abertura política – época de efervescência cultural e culminação de uma série de movimentos que vinham, desde meados da década de 1970, lutando pelo fim da ditadura militar. Em Meu bloco na rua, a jornalista e produtora cultural Rita Fernandes demonstra como se deu a retomada carnavalesca na década de 1980 – acompanhando os movimentos de reabertura política – e conta por que a história da maior festa popular do mundo é também um elogio à liberdade.

“Rosa Magalhães – A moça prosa da avenida”. Autor: Luiz Ricardo Leitão (Ed. Outras Expressões)

Ícone do carnaval carioca, a superartista Rosa Magalhães é o tema desta obra que revela a pintora, a cenógrafa, a figurinista e a carnavalesca oito vezes campeã dos desfiles das escolas de samba do Rio.

Em 2020, Rosa Magalhães completou 50 anos de atividades em barracões de escola de samba. Ela iniciou suas atividades em 1970, na Salgueiro, ao lado de figuras como Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues, Joãosinho Trinta, Maria Augusta e Lícia Lacerda. O livro foi lançado junto a um DVD que possui extras de desenhos da artista.

 

“O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro”. Autor:Felipe Ferreira (Ed. Ediouro)

Para fechar, aquela obra considerada a Bíblia do Carnaval, “O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro”, de Felipe Ferreira – um dos mais renomados pesquisadores da cultura popular brasileira e autor de diversos artigos sobre Carnaval. Produto de anos de pesquisa, a obra é uma visão inédita e contemporânea do Carnaval brasileiro, capaz de expressar muito do que fomos, somos e seremos.

O livro traça um perfil do carnaval brasileiro procurando fugir do perfil evolucionista através do qual a festa carnavalesca costuma ser abordada destacando as complexas interinfluências que organizam e reorganizam continuamente as brincadeiras carnavalescas no país. Felipe volta no tempo, indo até a idade média, passando pelo entrudo, o inicio das escolas de samba e o carnaval do Nordeste. Uma obra prima obrigatória para quem se intitula amante da maior festa popular do planeta.

 

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