OSWALDO JARDIM (In Memoriam)

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O REI DA ESPUMA

No final dos anos 90 e início de 2000, Oswaldo Jardim ficou conhecido como o “Rei da Espuma”, por consequência do material que era o seu preferido ao longo de seus carnavais.

Outra característica marcante das alegorias de Jardim foram os usos de materiais alternativos e poucos usuais na confecção dos desfiles à época. Nas esculturas, se destacavam o tom cartunesco de suas criações inspirados em desenhos e quadrinhos.

Contrariando um estilo de carnaval que chamamos “barroco”, ele estreou no Carnaval carioca, em 1986 pela Estácio de Sá, com o enredo “Prata da Noite”, uma homenagem a Grande Otelo.

Em sua breve passagem pelo Império Serrano, em 1989, conduzindo o enredo “Jorge Amado Axé Brasil”, apresentou uma estética bem próxima do que ele havia feito lá pelas bandas do Estácio de Sá anos antes. Na homenagem ao escritor, destacou-se pelo uso de colorido limpo e vibrante. Mesmo com em desfile correto, a apresentação da Serrinha foi esquecida historicamente, muito também por ter vindo logo depois do antológico “Ratos e Urubus” da Beija-Flor.

Na década de 1990, Oswaldo fez carnavais mais significativos e que repercutem até hoje.

Na década de 1990, Oswaldo desenvolveria seus carnavais mais significativos e que repercutem até hoje na Unidos da Tijuca, sua grande parceria, onde assinou cinco carnavais, entre 1991 e 1999, dando uma personalidade nova à escola.

Na Vila Isabel, em 1993 o belo enredo GBALÁ revolucionou pela bela abertura e pela primeira vez mostrou uma “alegoria viva”, tão habitual hoje nos carnavais de Paulo Barros.
A Vila teve nos desfiles assinados por Jardim suas apresentações mais marcantes naquela década.

Em 96 chega na Mangueira e leva o enredo “Os tambores da Mangueira na terra da encantaria” a um honroso quarto lugar, falando das lendas do Maranhão.

No ano seguinte, em 1997, Jardim provou que o “Olimpo é verde e rosa” numa homenagem à trajetória dos Jogos Olímpicos e apelo ao sonho brasileiro de sediar as competições em 2004. Mas uma vez, destacou-se o bom gosto no desenvolvimento plástico.

De volta ao Borel em 98 vai ao rebaixamento no enredo sobre o clube Vasco da Gama. O que talvez o fez criar para o próximo ano o que é considerado um dos melhores desfiles no acesso em toda história.

É impossível esquecer a apresentação de 1999, no histórico “O Dono da Terra”, na Unidos da Tijuca. Aliado ao antológico samba-enredo e uma comunidade aguerrida, que literalmente pulou na avenida, a apresentação foi um das memoráveis do grupo de acesso até hoje. A qualidade de escola era digna de um desfile no grupo especial.

Nesta época fora da avenida, ele apresentava os saudosos concursos de destaques do Hotel Glória, transmitidos pela extinta Rede Manchete de televisão, além de ter trabalhado também como cenógrafo.

No carnaval de 2000, Oswaldo recebeu o prêmio Estandarte de Ouro de Personalidade pela inventividade de seu trabalho. Naquele ano, ele criou para a Vila Isabel o enredo “Eu sou índio, eu também sou imortal. Que seria seu último trabalho de destaque, pois a sua trajetória seria interrompida precocemente.

Oswaldo Jardim faleceu em 2003 aos 43 anos. Jardim sofria de hepatite C e já estava afastado após o carnaval de 2000 devido aos problemas de saúde. Mesmo assim ainda ajudou no carnaval da Acadêmicos da Abolição que acabou não concluindo.

Mesmo não tendo sido consagrado campeão e seu estilo estético não ser aclamado como grande referência, Jardim aparece ainda hoje nas avenidas do Brasil, mostrando seu legado e poder criativo de um estilo bem definido.

Oswaldo Jardim para sempre!

Por Waldir Tavares
Fonte Memória Sambario / Tantos Carnavais
Fotos Wingder Frota

 

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