A Alma Guerreira de Ramos!

Aos 75 anos, Maria Helena Rodrigues possui cinco décadas de dedicação ao Carnaval, sendo que metade passou ao lado do filho dividindo a parceria na condução do pavilhão da Imperatriz.
Foi seis vezes campeã do carnaval carioca e vencedora de três prêmios Estandartes de Ouro.

Mineira, mudou-se para o Rio de Janeiro aos 15 anos, na década de 1960, para trabalhar como empregada doméstica e costureira. Mas antes, chegou a morar na rua e segundo a própria chegou a catar lixo até encontrar um trabalho.

Começou a desfilar pelos blocos Cometas do Bispo, no Rio Comprido, e Quem Quiser Pode Vir, na Pavuna. E aí conhece o mestre-sala Bagdá, da Portela, que lhe ensinou a dança de porta-bandeira.

No início da década de 1970, fez sua estreia como porta-bandeira na escola Unidos da Ponte, onde permaneceu por cinco anos, disputando os grupos de acesso. Também teve uma breve passagem pela Unidos da Tijuca, onde dançou com o mestre-sala Agostinho.

No carnaval de 1977, se transferiu para a Império da Tijuca. No mesmo ano, se mudou com Chiquinho para a Favela da Grota, no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. Começou a frequentar a quadra da Imperatriz Leopoldinense, que ficava perto de seu novo endereço, e logo foi chamada para desfilar pela agremiação.
no carnaval de 1978 já era a segunda porta-bandeira da escola.

Em 1979 chama atenção da União da Ilha e se transfere para tricolor para ser a primeira porta bandeira. Maria Helena permanece por três anos na agremiação.

Após Bagdá ficar sem parceira na Imperatriz de 1982, indica à diretoria da escola o nome de Maria Helena para ocupar a vaga.
O então presidente da escola, Luiz Pacheco Drummond, aceitou a indicação e Maria Helena foi contratada. A dupla gabarita o quesito.
Neste período, seu filho, Chiquinho, desfilou como segundo mestre-sala.

No ano seguinte, Bagdá se desligou da Imperatriz e Maria Helena foi chamada pela direção para ajudar na escolha de seu novo parceiro, sugerindo o próprio filho, Chiquinho. Luizinho Drummond aceitou a sugestão e ali estava criada uma das melhores duplas de casais de todos os tempos. Inclusive já na estreia tiram a nota máxima de todos os jurados.

Já aclamados pelos especialistas, em 1987 na Imperatriz, Maria Helena completa seis carnavais com pontuação máxima.

Mesmo com o drama do caótico desfile de 1988, onde a fantasia de Chiquinho estava apertada, enquanto a de Maria Helena se desmanchou durante o desfile. Ela fatura o seu primeiro Estandarte de ouro. Além dos fatos citados, ainda teve chuva durante sua exibição.

No ano seguinte, em 1989, a Imperatriz sagrou-se campeã com “Liberdade, Liberdade, Abra as Asas Sobre Nós”. Pela primeira vez, Maria Helena era campeã do carnaval.

Em 1993, o casal foi cortado do desfile pelo então presidente da Imperatriz, Luizinho Drummond, por não comparecerem a um dos ensaios. Ficando assim fora do carnaval.

Em 1994, retornou à Imperatriz, conquistando mais um título de campeã. E Também sendo agraciada com seu segundo Estandarte de Ouro. No ano seguinte, em 1995, mais uma vez sagrou-se campeã com a Imperatriz.

Em 1996, obteve a nota máxima dos jurados e a escola fica com o vice campeonato.

Mais três títulos foram conquistados em 1999, 2000 e 2001. Em 1999, Maria Helena e o filho Chiquinho chegaram a brigar pouco antes do carnaval, mas fizeram as pazes a tempo de desfilar.

O carnaval de 2001 foi a última vez que Maria Helena ganhou nota máxima na Imperatriz.
Em 2002 e 2003, mãe e filho perderam cinco décimos. 2004, sete décimos penalizaram o casal.

Em 2005, a Imperatriz deixou a Sapucaí como uma das favoritas ao título. Maria Helena e Chiquinho perderam meio ponto no julgamento oficial e foram considerados como um dos responsáveis pela perda do título.
Depois de 25 carnavais juntos, a folia de 2005 terminou com tristeza, quando Maria Helena e Chiquinho foram dispensados da Imperatriz sem muitas explicações. A demissão muito foi motivada por dois carnavais seguidos em que o casal não conseguiu a nota 10 de todos os quatro jurados.

Em 2006, Maria Helena e Chiquinho desfilaram no Grupo A pela Alegria da Zona Sul. Apesar de receberam nota máxima dos jurados, a escola foi rebaixada. Em 2007, desfilaram novamente pela Alegria e após o carnaval decidem parar de vez.

O retorno a escola de Ramos se deu em 2008, onde ela desfila como destaque.

De lá pra cá a escola sempre viabiliza uma forma de agradecer em plena avenida o legado desta mulher de vida sofrida, origem humilde mas com alma guerreira nesta festa chamada carnaval.

 

Por Waldir Tavares
Fotos UOL / Memória Imperatriz

 

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